As letras já não se fazem assim

José Rodrigues e Joaquina de Azevedo desconheciam a arte de agarrar num conjunto de letras isoladas e transformá-las em algo com sentido. O que para eles fazia sentido, isso sim, era que a celebração daquele acto decisivo das suas vidas não estava dependente de nada, mas apenas da própria vontade. E, por isso mesmo, na hora de colocar os seus nomes no livro de assentos de casamento, os recém-casados tiveram de delegar a tarefa em duas testemunhas. Esse momento ficou assim registado:

Caligrafia

António José e Manoel Joaquim era irmãos da noiva e apesar de saberem escrever, não é difícil perceber pela caligrafia descuidada que a escrita não fazia parte do seu dia-a-dia. Quem os pode censurar? A vida era mesmo assim em 1899 e passariam décadas até que se tornasse normal para uma criança frequentar a escola.

Numa sociedade que aos poucos se tornaria dependente da escrita, só se pode imaginar e pressentir as dificuldades que pessoas como José e Joaquina viriam a ter ao longo das suas vidas. Por incrível que pareça, ainda há hoje pessoas na Junqueira que por várias razoes não aprenderam a ler ou a escrever. Outras há que sabem desenhar as letras do seu nome. Mas nada mais.

Caligrafia2

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