“Irene Neves – De Menina Mineira a Mulher de Armas”

Irene-Neves

O jornal Voz da Póvoa publica na sua mais recente edição a história de vida de Irene Martins das Neves, nascida na Junqueira na década de 1930. Com a devida vénia ao jornal (http://www.vozdapovoa.com/), eis o retrato desta mulher que cedo foi viver para o concelho vizinho.

Irene Martins das Neves nasceu em São Simão da Junqueira, Vila do Conde, em 1931. Quando deveria estar na escola andava com os animais de pasto. É por isso que dos livros só sabe ler as imagens. Mas a vida ensinou-lhe todas as contas: somar amizades, subtrair tristezas, dividir alegrias e multiplicar sonhos. Aos 9 anos foi trabalhar na exploração de minério nas freguesias de Macieira de Rates e de Fradelos. Depois de casar aos 19 anos com António Cruz, pai dos seus quatro filhos, começou a vender melões e a fazer camisolas poveiras. Mas teve ainda um bar junto ao campo do Varzim. “Fui criada pelos meus avós e aos 13 anos vim para a Póvoa viver com a minha mãe. Aqui casei e fiz os meus filhos. Aos cinco anos já tomava conta das vacas e ovelhas dos meus avós e cuidava das galinhas e dos coelhos. Com 9 anos fui trabalhar na exploração de minério de Macieira de Rates e nas minas de volfrâmio de Fradelos. Ia a pé, levantava-me às seis da manhã para pegar às oito. Os homens descarnavam as pedras grandes, depois eramos nós quem as partia, com uma picareta, para lhes tirar a veia de volfrâmio. Seguidamente, metia-se na separadora para os homens limpar. Em Macieira de Rates com a água a correr num caleiro, lavava-se a terra barrenta num tabuleiro para apurar o minério. Tirava-se umas bolinhas de ferro podre (limonites). Depois, para ficar mais apurado, lavávamos aquelas areias no rio Este. O minério era preto mas depois de ir ao forno era ouro. Eu ganhava nove escudos por dia (4, 5 cêntimos) ”. E recorda: “às vezes levava uma sopa ou presigo, outras passava pelo ninho das galinhas e trazia um ou dois ovos para cozer na brasa. Como trabalhávamos com água, fazíamos uma fogueira para aquecer as mãos. Na hora de comer, metia-se os ovos embrulhados numa folha de couve a cozer no meio das brasas. Depois com um pau escoiçava-se”.

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