A pista de aterragem em Casavedra e a ligação da Junqueira ao “maior aeronauta do mundo”

integra11900_ft_Santos-Dumont-02
c. 1909. Alberto Santos-Dumont, the renowned aeronaut and first person to fly outside the United States, sits in his Demoiselle monoplane. Credit: Archive Photos.

Ainda que de forma indirecta, a Junqueira está ligada a um homem considerado ainda hoje no Brasil como o “Pai da Aviação”: Alberto Santos Dumont viveu entre 1873 e 1932 e era tio-avô de Nuno Vilares Salgueiro, antigo proprietário da Quinta do Ral. A importância de Santos Dumont é tal que as autoridades brasileiras deram o seu nome ao primeiro aeroporto civil inaugurado no país, em 1936, na cidade do Rio de Janeiro. Tornou-se conhecido após contornar a Torre Eiffel, em Paris, num episódio que se lê desta forma na Wikipedia:

No dia 13 de Julho de 1901, após algumas saídas de prática, Santos Dumont disputou com o N-5 o Prémio Deutsch pela primeira vez. Cumpriu o trajecto exigido, mas ultrapassou em dez minutos o tempo limite estipulado para a prova. No dia 8 do mês seguinte, tentando o prémio novamente, acabou por chocar a aeronave contra um prédio; embora o balão haja explodido e ficado completamente destruído, o piloto escapou incólume do acidente. E no dia 19 de Outubro de 1901, com o balão N-6, de 622 metros cúbicos e motor de 20 cavalos, finalmente executou a prova, amealhando o cobiçado prémio. Tornou-se reconhecido internacionalmente como o maior aeronauta do mundo e o inventor do dirigível. O prémio era então de 129 mil francos, que Dumont distribuiu entre a sua equipa e desempregados de Paris.

Em 1962, um representante da Aeronáutica Brasileira deslocar-se-ia a Portugal para homenagear algumas personalidades nacionais, entre as quais Nuno Vilares Salgueiro, mencionado no artigo do jornal vilacondense Renovação como sendo familiar do “percursor da aviação mundial Santos Dumont”.

carlospintoferreira1

Mas a história da relação da Junqueira com a aviação civil não termina por aqui. A 3 de Fevereiro de 1948, pelas 4 da tarde, um forte ruído de motor de um avião chamou a atenção de algumas pessoas. Pouco tempo depois, porém, o aparelho deixou de se ouvir, não causando o caso mais qualquer suspeita. Mas em breve começou a circular a notícia de que um avião havia aterrado no lugar de Casavedra, na Quinta da Casavedra”. A notícias, com efeito, era verdadeira. Tratava-se de uma avionete que vinha de Biarritz, em escala por Alijó, Pedras Rubras e Lisboa, seguindo depois para Rabat, Marrocos.

Como, porém, o aviador sr. Raymond René Danil-Laby, pressentisse que a gasolina era pouca e a visibilidade dificultava a procura do campo de Pedras Rubras, procurou terreno onde pudesse fazer uma aterragem normal, o que efectivamente conseguiu, pois nem o aparelho, nem o aviador sofreram o mais ligeiro dano. Como se tratava de um caso inédito para estas localidades, para lá se dirigiu grande número de pessoas desta e das freguesias vizinhas, parecendo tratar-se de uma concorrida romaria. O aparelho ficou depois guardado por pessoas de confiança e o aviador foi hóspede de Carlos Pinto Ferreira, que no local compareceu a oferecer os seus serviços. A avioneta levantou voo no dia seguinte.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s