Alfredo Gomes Peniche (F)

Dados biográficos:

– clínico

AlfredoGomesPeniche

Arquivo Distrital do Porto

Passaportes Ordinários – Livro 22

Referência: PT-ADPRT-AC-GCPRT-J-E-032-3550_m0013.tif

Notícias completas:

30 DE MAIO DE 1953 Esteve em festa, no domingo, a freguesia da Junqueira, Por motivo da inauguração do novo edifício das Escolas Femininas, do Lavadouro da Corredoura e dum Fontenário em Vilar de Matos. O passado domingo foi dia de festa para a freguesia da Junqueira, sem dúvida uma das “mais progressivas do Concelho e uma das mais belas”, como foi acentuado por alguns oradores. Inaugurava-se um belo edifício de duas salas, construído ao abrigo do Plano dos Centenários e destinadas à Escola Feminina, no largo principal da freguesia. O contentamento reflectia-se em todos os Junqueirenses, e ainda mais nas criancinhas e suas Professoras, que se viam finalmente livres da antiga Escola, que, pela sua exiguidade, nenhumas condições pedagógicas e higiénicas possuía. E ainda mais: criava-se a Assistência Médico-Social das Escolas Femininas, seguindo as pisadas do sr. Dr. José Aroso nas escolas de Vilar do Pinheiro, com a colaboração das Senhoras Professoras e dos distintos clínicos: srs drs. Carlos Pinto Ferreira, Eduardo Campos Costa, A. Sampaio de Araújo e Alfredo Gomes Peniche. A nota mais simpática da festa, ainda, foi a homenagem sincera, espontânea, do bom povo da Junqueira a um dos seus filhos mais queridos: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, essa figura infatigável de Médico, o amigo dos pobres, o obreiro número um de todas as realizações para o bem da sua freguesia e da sua gente. O cronista já conhecia toda a sua actividade, mas, no domingo, verificou, de visu, quanto o povo da Junqueira quer ao seu Médico e ao seu Presidente da Junta. A comoção embargou-lhe a voz por mais do que uma vez, as lágrimas vieram-lhe aos olhos, comovido e surpreendido pela sinceridade e justiça de tal manifestação.

Como decorreram as manifestações

Muito antes da hora marcada, o largo em frente da escola já se encontrava repleto de pessoas de todas as condições sociais, aguardando a chegada do sr. Presidente do Município e outras entidades. A legenda “Junqueira saúda Bento Amorim”, falou por todo esse bom povo, não faltando as palmas, as flores, os vivas e os foguetes.Procedida a bênção do novo edifício pelo reverendo Pároco da freguesia, teve lugar a sessão solene num dos salões da nova escola. Presidiu o sr. Bento Amorim, ladeado pelas seguintes entidades: Dr. Carlos Pinto Ferreira; Prof. Manuel Martins Fernandes, Delegado Escolar e em representação da Direcção Escolar; Horácio Nogueira; Joaquim Lopes da Silva; reverendo Pároco, Manuel Leite de Sá; Vereador António Torres e Dr. Gualter Rodrigues. Vimos, entre a numerosa assistência, os senhores engenheiros António Dias Braga, dos edifícios escolares; José Inácio Vasconcelos, da Câmara Municipal; José Várzea e Isolino Azevedo; Drs. Emílio de Magalhães, da Liga Portuguesa de Profilaxia; Sampaio de Araújo e ex.ma esposa; Eduardo Campos Costa e António Ferreira da Costa; D. Ilda Rebelo de Carvalho e filhos; D. Maria Emelina Pinto Ferreira; Professoras D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, D. Maria de Lourdes Sequeira e D. Odette Ferreira da Costa; Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Vereadores António Torres e Joaquim Neves, Prof. Eduardo Moura, José Teixeira da Silva, Flávio Faria, José Quinteira, Ernesto Cardoso, António Faria, Alexandrino Peniche, António Ramos, Artur do Bonfim, e muitas outras pessoas de que nos foi impossível tomar nota. Cantado o Hino Nacional pelas crianças da Escola, iniciou a série dos discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, como Presidente da Junta, que depois de se referir ao significado da festa, saudou nestes termos o senhor Presidente do Município: “- Permitam-me, no entanto, que aproveite a oportunidade de destacar em lugar de relevo, a pessoa do ilustre Presidente da Edilidade Vilacondense, sr. Bento de Sousa Amorim, que, num despretensioso e acrisolado amor à nossa terra, tem procurado, no mais alto sentido da palavra – servir com aquela isenção e vigor todas as manifestações progressivas de ordem moral ou material. A nossa admiração atinge o auge, ao verificarmos que S. Exª, apesar de uma insignificante minoria tentar por vezes demolir aquilo que já podemos considerar um indelével facto na história do concelho de Vila do Conde, o seu dinamismo, os sacrifícios de toda a ordem, e, até, esta faceta singular, a sua benevolência em saber perdoar àqueles que, eivados de vaidades mal contidas, procuram toldar o brilho deste lutador incansável do bem e do progresso de Vila do Conde”. Focando a obra impulsionadora e revigorante do Estado Novo, o ilustre orador, referindo-se às novas escolas, acrescentou: “Por toda a parte onde se sente o impulso criador e renovador de Salazar e do seu Governo, se erguem, airosos e atraentes, edifícios escolares construídos dentro dos modernos conceitos higiénicos e pedagógicos. Velhas casas sombrias, sem luz, sem ar e sem sol criador que vivifica as almas e anima a Natureza, são substituídas por estes amplos e belos edifícios, onde a simplicidade de linhas e elegância de construções se conjugam num todo harmonioso que encanta e seduz”. Dirige saudações ao sr. Delegado Escolar, como representante do Ministério da Educação, ao reverendo Pároco e depois de traçar várias considerações – de que a falta de espaço impede a sua transcrição – sobre o problema magno da saúde da criança, o sr. Dr. Pinto Ferreira, referindo-se à criação da Assistência Médica à criança, diz: “Como médico e sanitarista, dentro dos princípios da Direcção Geral de Saúde, conducentes à redução de mortalidade e morbilidade pela profilaxia e medicina preventiva, acarinhei a ideia com a colaboração valiosa e desinteressada da Ex.ma Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta directora desta escola, de fundação neste dia festivo da inauguração da Obra de Assistência Médico Social das Escolas Femininas desta freguesia. Obra de boa vontade a bem da saúde pública e da educação, como lhe chamou o sr. Dr. José Aroso, criador no nosso país desta modalidade de medicina preventiva, vamos, como a colaboração das professoras e dos distintos clínicos: srs. Drs. Campos Costa, Sampaio de Araújo e Alfredo Peniche e outros amigos das crianças e do seu bem estar, lançar ombros a esta campanha de saúde pública a Bem da Nação”. E o sr. Dr. Pinto Ferreira, escutado sempre com o maior interesse, termina o discurso, dizendo: “-Aproveito a ocasião de nos encontrarmos aqui reunidos, para vos lembrar, neste dia festivo, algumas figuras que pelo seu desinteresse e sacrifício, tornaram possível a construção deste edifício, neste óptimo lugar, e a outros que, apesar de viverem em longes paragens, acarinharam do fundo do coração esta realização, contribuindo com palavras de incitamento e generosa dádiva, dando assim o exemplo edificante para as gerações presentes e vindouras e aos homens de boa vontade a certeza de mais uma vitória para o engrandecimento da nossa querida Junqueira. E, assim, suponde, sem querer ferir melindres ou susceptibilidades, não esquecerei a ajuda e colaboração das pessoas que mais directamente estavam interessadas, terminando por envolver nestas minhas homenagens o bom povo laborioso e honesto desta linda freguesia, sempre pronto a colaborar com a sua presença em todos os actos que dizem respeito ao engrandecimento e progresso desta Terra sem par”. Falou, em seguida, a Directora da Escola Feminina, a sra. Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Saudou as Autoridades presentes, referiu-se à grandeza do melhoramento e descreveu as dificuldades que teve, para poder ensinar na antiga Escola “com 61 crianças dos 7 aos 8 anos, acumuladas em 17 carteiras, num recinto pequeníssimo, mal iluminado, anti-pedagógico, sem sol da vida, o ar, a luz, o espaço. Só a esperança de que em breve teria realização este belo sonho, me deu alento para continuar calmamente a minha missão de Outubro a esta parte. Felizmente que a tempestade passou. Hoje brilha o Sol doirado em nossas almas”… A sra. Professora referiu-se também à obra de Assistência Médica à criança, agradece aos Clínicos que a vão dirigir, e acrescenta: “Ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, dilecto Filho desta linda terra da Junqueira e que como Director ilustre desta obra de protecção à infância, vai ser o mais sacrificado de todos, patenteamos a nossa eterna gratidão. Estou bem certa de que S. Ex.ª, com aquela bondade que é apanágio da sua alma nobre, nem uma só vez deixará de acorrer prontamente ao chamamento das crianças da sua Terra natal, pela qual pugna com tanto interesse e carinho”. Depois de uma pequena da escola ter dirigido uma saudação ao sr. Presidente do Município, falou o sr. Prof. Manuel Martins Fernandes, delegado escolar, que disse: – “Está de parabéns a Junqueira; o ambiente festivo, a elite que aqui se reuniu, mostra com a sua presença que se orgulha pela elevação da sua Terra. Na pessoa do sr. Dr. Pinto Ferreira, eu saúdo esta linda Terra, que a Natureza encheu de flores e de verdura. Junqueira está de parabéns; o tapete, as flores com que recebeste o sr. Bento Amorim deve-se à vossa fidalguia… Fala do esforço e zelo que o sr. Bento Amorim tem posto ao serviço da educação do concelho. Aconselha ainda todas as pessoas a inscreverem-se nos dois cursos de educação que funcionam na freguesia, e terminou: – “A Escola inaugura-se e oxalá que ela realize a sua função. Levo a melhor impressão: a criação da Assistência Médica à criança. É necessário garantir antes a saúde ao corpo da criança e depois fazer dela a beleza moral, a educação da sua alma de forma a valorizá-la para engrandecimento e continuidade da Raça Portuguesa”. Encerrou a sessão o sr. Presidente da Câmara, que disse: – Em Política há um dualismo: uns vivem pela sua terra. É um exemplo de civismo, de verdade, um homem que não olha a sacrifícios”. E acrescentou, depois de breves considerações: – “Como sempre, o Presidente da Câmara continua inteiramente ao dispor das boas iniciativas”. Finda a sessão solene, inauguraram-se as novas instalações sanitárias da Escola Masculina, o lavadouro no lugar da Corredoura e o Fontenário de Vilar de Matos, obras devidas à Junta de Freguesia, a que preside o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Realizou-se também uma visita à capela da Senhora das Graças, que recentemente foi restaurada pelos beneméritos desta freguesia Ex.mos Srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, visita essa que deixou as melhores impressões às entidades oficiais. Finalmente, pela Junta de Freguesia foi oferecido, em casa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às entidades oficiais e convidades, um bem servido “copo de água”. Brindaram pelas prosperidades do sr. Dr. Pinto Ferreira, ex.ma família e pela Junqueira, os srs. Bento Amorim, Delegado Escolar, Dr. Gualter Rodrigues, Prof. Eduardo Moura, João Rebelo de Carvalho e Celso Pontes. Agradecendo, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira a presença de tão ilustres pessoas nesse dia de festa para a Junqueira, disse: -“Habituado a trabalhar em bem dos outros, sinto-me bem em seguir esse caminho; a trabalhar contra os outros não sei fazer nada. O que tenho feito devo-o também a compreensão do povo desta freguesia, que fora uma pequena minoria, está connosco em todas as iniciativas para bem da nossa terra”. E dirigindo-se ao sr. Bento Amorim, acrescentou: “A Junqueira, sr. Presidente, acompanha-lo-á haja o que houver, porque em V. Ex.ª reconhecemos a pessoa que trabalha verdadeiramente por Vila do Conde. Não olhando ao que se diz, porque assim nada se faz, continue a velar por Vila do Conde”. Assim terminou esta simpática festa, que o povo laborioso e bom da Junqueira soube viver e, reconhecido, não esqueceu quem, por ela, tão desinteressadamente, tem trabalhado.

Notas Soltas De manhã, o reverendo Pároco rezou uma missa de Acção de Graças com a assistência das autoridades locais, crianças da escola, etc. – Uma ampliação sonora do Centro Comercial Vilacondense, retransmitiu para o exterior os discursos pronunciados na sessão solene. – Os laboratórios “Bial”, por intermédio do sr. Dr. António Ferreira da Costa, filho desta terra ofereceram grande número de remédios à obra de Assistência Escolar. – O cronista, encarregado desta reportagem, agradece as facilidades dispensadas, facilitando assim a sua missão. F. Soares Gonçalves COM VÁRIAS FOTOS

16 DE JANEIRO DE 1954 Junqueira, 12 Festa Infantil nas Escolas Femininas Num ambiente festivo, de alegria sã e comunicativa, que as crianças das escolas são às suas festas, embora simples mas encantadoras, realizou-se no passado dia 10, na escola feminina desta freguesia, uma festa para distribuição de roupas às suas alunas pobres. À sessão solene presidiu o sr. Prof. Manuel Fernandes, digno Delegado Escolar do Concelho, secretariado pelos srs. Pe. Manuel Gomes, Abade da freguesia, Dr. Pinto Ferreira, Manuel Gonçalves de Sá, Regedor, Horácio Nogueira e Joaquim Lopes da Silva, Vogais da Junta de Freguesia, e pelos distintos clínicos Drs. Sampaio de Araújo e Alfredo G. Peniche e pelas professoras sras, D. Maria Júlia Mesquita Ramos e D. Maria Madalena de Sousa Maia. A sala encontrava-se artisticamente engalanada e entre a assistência viam-se as pessoas de maior representação da freguesia. Aberta a sessão, usou da palavra, em primeiro lugar, o sr. Dr. Pinto Ferreira, que se referiu à Obra de Assistência Médico Social das crianças desta escola feminina, ao seu objectivo no campo da medicina preventiva e à distribuição de agazalhos só tornada possível graças a essa Obra de Assistência, e à colaboração da Professora sra. D. Maria Júlia Mesquita Ramos e ao espírito de bem fazer de algumas distintas famílias desta progressiva e laboriosa terra, agradecendo ao seu Corpo Clínico de Assistência e aos “Laboratórios Bial” a colaboração generosa e desinteressadamente prestada. Falou a seguir o reverendo Pároco, referindo primorosamente a colaboração que deve existir entre a Escola e a Igreja, nos domínios da educação e do ensino. A Professora sra. D. Maria Júlia Mesquita Ramos, muito distinta Directora das Escolas, agradeceu a colaboração e entusiasmo recebidas das pessoas que contribuiu para a realização de tão simpática festa, seguindo-se recitativos e cânticos. Foram, a seguir, distribuídos 5 blusões, pelo Plano de Educação de Adultos; 20 blusas, 30 saias, 22 novelos de lã, 120 lápis, 120 chupas (papel mata-borrão), 120 pães e 2 casaquinhos de lã, pela Obra de Assistência e Benfeitores; e 40 frascos de medicamentos oferecidos pelos “Laboratórios Bial”. Encerrou a sessão o sr. Prof. Manuel Fernandes, que se referiu em termos elogiosos à festa a que acabava de assistir, enaltecendo todos que contribuíram para a sua realização. Finalmente, foi servido às entidades oficiais e convidados, um “Porto de Honra”. – C.

20 DE MARÇO DE 1954 – COM FOTO O nosso Director, Dr. Carlos Pinto Ferreira é o novo Presidente da Câmara Municipal Vila do Conde tem, desde a passada quarta-feira, no seu Município, um novo Presidente: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, nosso querido Director e figura prestigiosa do nosso Concelho. Em política, “a verdade é humilde e austera”, como afirma a experiência e o talento de um escritor que à causa pública devotou a sua poderosa inteligência, consagrando longo tempo ao estudo e à meditação das suas questões. Só os regimes que escudam a sua força na intransigência inflexível daquela ética moral perduram e transcendem os ambientes fictícios das explosões revolucionárias; e só os homens que se integram nos rígidos princípios da sua lógica e, com eles, se identificam no idealismo dominante da sua actividade, atingem a plenitude de autênticas funções políticas, sem clientelas, mais ansiosas em disputar os favores da sua posição do que, verdadeiramente, empenhadas em serviços desinteressados e amistosos da sua colaboração. E a modéstia rara que reveste de excelentes predicados o carácter e a personalidade do Dr. Carlos Pinto Ferreira, é uma garantia segura de que a sua acção na nossa Edilidade se caracterizará por uma firme conduta de apêgo e de respeito à verdade da sua política administrativa, rejeitando as sonoridades dos aplausos que não deslumbram a dignidade dos seus sentimentos nem a simplicidade da sua vida, sem todavia deixar de imprimir à sua gerência o impulso salutar de nobres empreendimentos que, certamente, germinam no seu pensamento. Não vem, tão pouco, para o cargo em que o colocou uma acertada deliberação, com a insatisfação presunçosa de recrear ambições e de exercitar os méritos para mais ousadas honrarias que não o moveram a aceitar o convite, e só a preocupação de servir a sua terra, como melhor puder e souber, influenciou a sua decisão. Conhecedor das necessidades vilacondenses, animado de ardentes propósitos patrióticos para resolver os seus principais problemas e debelar as suas dificuldades mais exigentes, homem bom, cuja reputação a filantropia do seu magistério profissional granjeou no reconhecimento público, espírito franco e sensível às iniciativas beneméritas que se não condensam em mesquinhas obstinações de animosidades irredutíveis, tais são os atributos pessoais do Dr. Carlos Pinto Ferreira, que confirmam o acerto da sua nomeação para a Presidência da nossa Câmara Municipal e permitem esperar do seu trabalho uma obra de intenso ressurgimento e da sua intervenção conciliadora um esforço sincero de união bairrista e uma cooperação decidida das energias valorizadoras do progresso e da prosperidade de Vila do Conde. Se a missão delicada em que acaba de ser investido, por escolha solene do Governo, lhe confere pesadas responsabilidades no exercício do seu alto cargo e lhe impõe deveres sérios para retribuir a confiança que honrou a preferência do seu nome no cumprimento das esperanças e das aspirações dos vilacondenses, o êxito da tentativa ficará comprometido no exclusivo empenho da sua acção pessoal; é, sobretudo, da compreensão, da boa vontade, do incondicional apoio de todas as instituições e entidades representativas dos nossos interesses colectivos, de quem, mais directamente, dependem as conquistas e os triunfos do futuro de Vila do Conde. “Renovação” permite-se apelar para a coesão e a concórdia da unidade vilacondense – factor indispensável da nossa grandeza – saudando efusivamente o Dr. Carlos Pinto Ferreira com a promessa da sua calorosa colaboração, que não a obriga a abdicar da independência de critérios que, sob a direcção do seu nome, conserva, há longos anos, sem intenções equívocas e malévolas de paixões, mas apenas orientados por esclarecimentos oportunos de sugestões patrióticas. A posse do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira no Governo Civil do Porto No Governo Civil do Porto, o sr. Dr. Braga da Cruz, chefe do distrito, deu, na passada quarta-feira, a posse do cargo de presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Ao acto, que esteve muito concorrido – reflexo do valor e da consideração em que é tido o novo Presidente do Município vilacondense – assistiram as personalidades de primeiro plano, não só de Vila do Conde, como do nosso Concelho, da cidade do Porto, etc. estando presentes, entre muitos outros, os srs. Dr. Arnaldo Pinheiro Torres, presidente da Comissão Distrital da União Nacional; Bento de Amorim, presidente da Comissão Concelhia da U. N. de Vila do Conde; dr. António Cruz, Director do Diário do Norte; dr. José Maia, dr. Luiz Trêpa, eng.º Moreira de Sá, eng.º Augusto Machado, dr. José Ramos, dr. Cabral de Matos, dr. Teixeira da Silveira, dr. Serafim Ramos, eng.º José Rodrigo de Carvalho, Delfim Ferreira, dr. José Ferreira, dr. Henrique Belchior, dr. Fernando Pires de Lima, dr. Alfredo Peniche, arquitecto Germano de Castro, dr. Quelhas Lima, dr. Eduardo Campos Costa, José dos Santos Pereira e Silva, dr. Alberto Maia, dr. A. Sampaio de Araújo, dr. Amadeu Gonçalves de Azevedo, Américo Fernandes da Silva, Jerónimo Vasques, Jacinto António da Costa e toda a vereação do município vilacondense. Depois do sr. Dr. Vitor Lopes Dias, secretário-geral do Governo Civil, ter lido o auto de posse, o sr. Dr. Braga da Cruz usou da palavra, agradecendo ao sr. Dr. Pinto Ferreira a maneira pronta como acedeu ao convite que lhe faz para exercer as funções de primeiro magistrado do concelho. Em seguida traçou, em termos breves mas expressivos, o perfil do empossado, afirmando: “- V. Ex.ª não é para mim um desconhecido, pois já em 1943 tive a oportunidade de tomar contactos frequentes com a sua obra como subdelegado de saúde de Vila do Conde, no decorrer dos quais pude bem avaliar das suas qualidades de inteligência e dedicação”. Continuando, o sr. Dr. Braga da Cruz enalteceu a obra do sr. Bento de Amorim, presidente cessante, cuja presença naquele acto lhe dava um aspecto de “render da guarda”. Depois de focar, em termos eloquentes, a sua acção, e de lhe ter agradecido a sua preciosa colaboração, o chefe do distrito terminou a sua oração frisando que via naquela cerimónia de posse a continuação da obra do sr. Bento de Amorim. Seguidamente, falou o sr. Dr. Arnaldo Pinheiro Torres, presidente da Comissão Distrital da U. N., que dirigindo-se ao sr. Dr. Pinto Ferreira, afirmou: – No desempenho de qualquer cargo surgem sempre dificuldades, mas, estou certo de que Vila do Conde vai beneficiar da sua acção, como continuador da obra do sr. Bento de Amorim. Da União Nacional, sempre ao lado do Governo Civil, pode V. Ex.ª contar, desde já, com todo o seu apoio. Falou depois o sr. Bento de Amorim, que agradeceu ao sr. Dr. Braga da Cruz toda a sua colaboração e felicitou-o pela escolha acertada do sr. Dr. Pinto Ferreira para presidente do município vilacondense. Dirigindo-se ao sr. Dr. Pinto Ferreira, afirmou: – “A família de Vila do Conde está unida. V. Exª pode contar comigo inteiramente, com a minha colaboração leal, em prol de uma terra pela qual gostaria de morrer como escravo”. Finalmente, falou o sr. Dr. Pinto Ferreira. Calmo e reflectindo, medindo bem a responsabilidade das suas afirmações, agradeceu a prova de confiança que lhe fora dada, ao distinguir-se um dos mais humildes vilacondenses com a chamada para tão honroso cargo. Depois de saudar na pessoa do Chefe do Distrito o Governo da Nação, referiu-se ao sr. Bento de Amorim, que considerou o vilacondense número um ao serviço do Concelho e do Estado Novo, reiterando-lhe os propósitos da sua leal colaboração na resolução dos problemas justos que digam respeito a Vila do Conde. E a terminar: “- Farei tudo o que puder para que do concelho a cujos destinos vou ter a honra de presidir, saia tudo o que é necessário para o seu engrandecimento”. Depois de ter assinado o auto de posse, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira foi muito cumprimentado, agradecendo, a todos, a sua presença naquele acto.

15 DE JANEIRO DE 1955 Na Junqueira Festa na Escola Feminina No passado dia 2, realizou-se na Escola Feminina desta freguesia uma encantadora festa de caridade, dirigida e organizada pela distinta Professora sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Teve como finalidade a distribuição de agasalhos às crianças mais pobres. Contribuíram para a festa uma importante verba oferecida pela Assistência Médico-Social e a generosidade e boa compreensão das sras. D. Mafalda Gomes Machado, Cândida Ferreira da Costa Várzea, Alice da Silva Nogueira, Amélia Ribeiro Nogueira, Beatriz Rainha, Matilde Ferreira Várzea, Fernanda de Freitas Faria, Ana Pinto Ferreira Quinteira, Maria Pinto Ferreira, Lizete da Costa Ferreira Magalhães, Constância Leite de Sá, Felismina Félix Aguiar, Maria da Assunção Caldas de Mesquita, Maria Eugénia da Costa Fernandes, Guilhermina Ferreira Campos, Emelina Campos Costa e o menino José César Cardoso Pinto Ferreira. Também foram oferecidos pelo Laboratório Bial, por intermédio do nosso conterrâneo, sr. Dr. António Ferreira da Costa, uma grande quantidade de remédios que serão distribuídos às crianças, conforme as necessidades físicas e por indicação médica dos clínicos que prestam auxílio nesta Obra de Assistência. O montante de agasalhos fornecidos às crianças foi de 1.277$00, afora os medicamentos. Ao acto compareceram as pessoas mais gradas e representativas da freguesia, bem como um grande número de espectadores, que assistiu, comovido e encantado, a esta festa. À Mesa, presidiu o dr. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Presidente do nosso Município; era ladeado, à direita, pelos srs. Pe. Manuel Gomes Fernandes, Pároco da Junqueira, Manuel Gonçalves de Sá, Regedor; Dr. António Ferreira da Costa e António Augusto G. Amorim; à esquerda, sentaram-se os srs. Horácio da Silva Nogueira, Presidente da Junta; e Eng. José Várzea. A abrir a sessão, usou da palavra o sr. Dr. Pinto Ferreira que, num brilhante improviso, focou o significado e o alto valor da obra realizada pela Assistência Médico-Social, lembrando quanto se tem feito nesta terra, por intermédio daquele organismo. Acabou por dar a boa nova da fundação de uma Cantina Escolar, com o fim de serem distribuídas sopas, diariamente, às crianças pobres, sub-alimentadas. Para isso, dirigiu palavras de apelo e compreensão aos habitantes da freguesia, para darem a sua cooperação e auxílio a esta importante Obra de Beneficiência e Caridade. As suas palavras foram veementemente aplaudidas por toda a assistência, que mostrou a sua plena adesão àquela ideia. Falou, em seguida, a professora da Escola Feminina, sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Começou por pronunciar sentidas palavras de agradecimento a todas as pessoas que contribuíram, de algum modo, para que esta festa se realizasse, destacando, em primeiro lugar a acção do sr. Dr. José Aroso, poderoso impulsionador da Obra de Assistência Escola, e da qual se deve a sua instituição nesta terra, expressando, em seguida, o seu pesar por não poder estar presente. Em segundo lugar, dirigiu as suas palavras, também de gratidão, ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, pelo muito que tem feito pelas crianças das escolas e, de uma maneira geral, por toda a freguesia. “Através da sua acção – afirmou – verifica-se o veemente desejo de dar solução aos problemas mais urgentes da sua terra, que ele quereria ver próspera e feliz. Para tudo que tenda a beneficiar os seus conterrâneos, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira está pronto a dar o melhor do seu coração e do seu esforço“. Focou, em seguida, o quanto se deve ao sr. Dr. António Ferreira da Costa, por intermédio de quem tem sido oferecida grande quantidade de medicamentos, pelo Laboratório “Bial”, que têm garantido uma boa assistência higiénica às crianças. Agradeceu, também, aos distintos clínicos que, de bom grado, se prontificaram a colaborar nesta Obra de Assistência Escolar, srs drs. Sampaio de Araújo, Eduardo Campos Costa e Alfredo Peniche. Finalmente, dirigiu palavras de louvor às senhoras que contribuíram tão generosamente com as suas dávidas. Depois destas palavras, as crianças entoaram diversas canções e recitaram várias poesias, alusivas à quadra festiva do Natal. Por fim, procedeu-se à distribuição das roupas e agasalhos a 52 crianças que, comovidamente, as iam recebendo das mãos do sr. Dr. Pinto Ferreira. Parabéns a todos quantos contribuíram para esta festa de Beneficiência e Caridade e, em especial, à sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta professora da Escola Feminina, que é digna dos melhores elogios, pela maneira brilhante como soube organizá-la. – C.

A Cantina Escolar na Junqueira

À tarde, teve lugar na progressiva freguesia da Junqueira, terra natal do Presidente da Câmara, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, a inauguração de uma Cantina Escolar, a que também presidiu o sr. Governador Civil do Porto. No edifício da Escola Feminina teve lugar uma sessão solene presidida pelo sr. Governador Civil, tendo à sua direita os srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira, comandante Branco Lopes, Capitão do Porto, Manuel Fernandes, Delegado Escolar, dr. José Aroso, fundador da obra da assistência social em Vilar do Pinheiro, dr. Amadeu Azevedo, dr. Alfredo Peniche, dr. José Pereira, Amadeu Faria, Horácio Cerqueira, dr. Campos Costa e Manuel de Sá e Leite; à esquerda os srs. José Lobato, Director Escolar do Distrito, dr. José M. Andrade Ferreira, vice-presidente da U. N., dr. José Moreira Maia, António Torres Junior e António da Costa e Silva, vereadores, eng. Augusto Machado e Arquitecto Altino Fernandes da Hora e Silva.

Iniciou a série de discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, que disse:

“Quis V. Ex. sr. Governador, dar-nos a subida honra de vir assistir à inauguração de duas casas devotadas ao auxílio dos que precisam – o refeitório da sopa dos pobres em Vila do Conde e a cantina escolar da Junqueira – imprimindo-lhes um brilhantismo e beleza que nos sensibiliza e profundamente desvanece.

Como Presidente da Câmara e filho desta terra de amplos horizontes e nobres pergaminhos, onde a natureza exuberante e prodigiosa se desenvolve e frutifica trabalhada pela alma e sentimentalidade cristã do seu povo, de coração aberto aos anseios dos desprotegidos da sorte, duplamente e sinceramente agradeço a V. Ex. a presença nesta festa simples e pequena, mas grande e esplendorosa pelo alcance social que encerra.” E mais adiante:

“A V. Ex. Sr. Director Escolar, que tão grandemente tem contribuído para a renovação das instalações escolares neste concelho, tendo em vista a criação ainda recente de oito salas de aulas e uma cantina nos populosos bairros piscatórios das Caxinas e Poça da Barca, cuja necessidade se tornava imperiosa, e os subsídios pecuniários para a manutenção das cantinas existentes, constituindo uma valiosa ajuda, pela qual muito penhoradamente nos sentimos agradecidos”.

Depois de uma breve pausa, continuou:

“Sr. Governador:

Se me permitem V- Ex., parece-me não ser despropositado fazer uma ligeira história da forma como surgiu esta cantina. Um grupo de distintas senhoras desta freguesia, movidas por um sentimento de caridade cristã, de almas bem formadas e corações generosos, dando realização a um imperativo da sua consciência, revendo no semblante triste e na palidez que revestia algumas crianças, a amargura que lhes ia na alma por privações que a miséria acarreta, resolveu convocar para uma reunião o povo desta freguesia. Todos compareceram à chamada. Expostos os motivos e razão da convocação, ficou deliberado que em cada dia de aula uma família forneceria uma sopa e pão para 20 crianças pobres. Nesse dia memorável ficou criada em bases sólidas esta cantina”. E a terminar, disse:

“O povo desta freguesia é bom e generoso. Coração aberto às desditas do seu semelhante, sofrendo quando ele sofre, esta obra é o mais alto padrão de glória que poderá gravar no seu coração. Por isso eu lhe rendo as minhas homenagens, admiração e simpatia, pedindo a Deus que lhe conserve este espírito de caridade e de bem fazer. Que este exemplo ecoe de quebrada em quebrada, de aldeia em aldeia. A todos que aqui vieram, peço que meditem e realizem nas suas terras uma obra como esta que hoje inauguramos, e, à imprensa em particular, o meu muito obrigado”.

A seguir, falou o Director Escolar do Distrito, sr. José Lobato, que, espraiando-se em várias considerações sobre a benéfica obra das Cantinas, em prol das crianças que delas beneficiam, focou e teve palavras de muito louvor para o grupo de Senhoras da Junqueira a quem se ficou devendo o melhoramento da Cantina, que dera motivo àquela festa.

A Directora das Escolas Femininas da Junqueira, D. Maria Júlia Ramos, usando da palavra, apontou os belos resultados que na instrução da criança pobre se tiram com o funcionamento das Cantinas, pois, dadas as distâncias da residência de muitas delas, os inconvenientes que isso trazia, na frequência às aulas, principalmente no Inverno, terminando por agradecer aos srs. Governador Civil e Presidente da Câmara, e ao grupo de Senhoras da freguesia, as ajudas concedidas à obra levada a cabo.

Encerrando a sessão, o sr. Dr. Domingos Braga da Cruz mostrou o seu contentamento por inaugurar um melhoramento de Assistência Infantil – a Cantina da Junqueira – tendo palavras de maior gratidão para as Senhoras da Comissão Promotora da organização e funcionamento da Cantina, fazendo votos para que o exemplo da Junqueira, na simpatiquíssima Obra da Cantina, se estenda a todas as outras freguesias do vasto concelho de Vila do Conde, talqualmente aconteceu com a instituição das Misericórdias, que, como um grão de semente, semeado em Lisboa, pela benemérita senhora DX. Leonor, se espalhou a todo o país.

Disse – ainda – que a tarefa é vasta e os médicos podiam prestar valiosa colaboração às iniciativas do género daquelas como a que se ia inaugurar, numa Assistência Médico Infantil. Terminou por agradecer as atenções que lhe dispensaram, e prometeu nunca negar a sua protecção às obras de Assistência. Foram-lhe oferecidos, depois, ramos de flores, por crianças da Escola.

O vasto Salão da escola encontrava-se repleto de pessoas, destacando-se, à frente, um grupo de Senhoras do melhor escol da Junqueira, e as crianças das Escolas, com os seus bibes brancos. Finda a sessão solene, procedeu-se á cerimónia da inauguração da Cantina, com o corte da fita pela sra. D. Emelina Campos Costa Pinto Ferreira, esposa do sr. Presidente da Câmara, e à benção do edifício, pelo reverendo Abade da Junqueira, sendo, pouco depois, servida uma refeição a 80 crianças.

No largo das Escolas, o típico Rancho da Junqueira exibiu-se com as suas danças e cantares perante numerosa assistência, que o aplaudiu entusiasticamente. Na residência particular do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira foi oferecido, depois, a todos os convidados e à imprensa, um finíssimo “copo de água”, em que usaram da palavra enaltecendo o valor social da obra inaugurada, diversos oradores. A. B.

22 DE SETEMBRO DE 1956 A Cantina Escolar na Junqueira À tarde, teve lugar na progressiva freguesia da Junqueira, terra natal do Presidente da Câmara, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, a inauguração de uma Cantina Escolar, a que também presidiu o sr. Governador Civil do Porto. No edifício da Escola Feminina teve lugar uma sessão solene presidida pelo sr. Governador Civil, tendo à sua direita os srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira, comandante Branco Lopes, Capitão do Porto, Manuel Fernandes, Delegado Escolar, dr. José Aroso, fundador da obra da assistência social em Vilar do Pinheiro, dr. Amadeu Azevedo, dr. Alfredo Peniche, dr. José Pereira, Amadeu Faria, Horácio Cerqueira, dr. Campos Costa e Manuel de Sá e Leite; à esquerda os srs. José Lobato, Director Escolar do Distrito, dr. José M. Andrade Ferreira, vice-presidente da U. N., dr. José Moreira Maia, António Torres Junior e António da Costa e Silva, vereadores, eng. Augusto Machado e Arquitecto Altino Fernandes da Hora e Silva.

Iniciou a série de discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, que disse:

“Quis V. Ex. sr. Governador, dar-nos a subida honra de vir assistir à inauguração de duas casas devotadas ao auxílio dos que precisam – o refeitório da sopa dos pobres em Vila do Conde e a cantina escolar da Junqueira – imprimindo-lhes um brilhantismo e beleza que nos sensibiliza e profundamente desvanece.

Como Presidente da Câmara e filho desta terra de amplos horizontes e nobres pergaminhos, onde a natureza exuberante e prodigiosa se desenvolve e frutifica trabalhada pela alma e sentimentalidade cristã do seu povo, de coração aberto aos anseios dos desprotegidos da sorte, duplamente e sinceramente agradeço a V. Ex. a presença nesta festa simples e pequena, mas grande e esplendorosa pelo alcance social que encerra.” E mais adiante:

“A V. Ex. Sr. Director Escolar, que tão grandemente tem contribuído para a renovação das instalações escolares neste concelho, tendo em vista a criação ainda recente de oito salas de aulas e uma cantina nos populosos bairros piscatórios das Caxinas e Poça da Barca, cuja necessidade se tornava imperiosa, e os subsídios pecuniários para a manutenção das cantinas existentes, constituindo uma valiosa ajuda, pela qual muito penhoradamente nos sentimos agradecidos”.

Depois de uma breve pausa, continuou:

“Sr. Governador:

Se me permitem V- Ex., parece-me não ser despropositado fazer uma ligeira história da forma como surgiu esta cantina. Um grupo de distintas senhoras desta freguesia, movidas por um sentimento de caridade cristã, de almas bem formadas e corações generosos, dando realização a um imperativo da sua consciência, revendo no semblante triste e na palidez que revestia algumas crianças, a amargura que lhes ia na alma por privações que a miséria acarreta, resolveu convocar para uma reunião o povo desta freguesia. Todos compareceram à chamada. Expostos os motivos e razão da convocação, ficou deliberado que em cada dia de aula uma família forneceria uma sopa e pão para 20 crianças pobres. Nesse dia memorável ficou criada em bases sólidas esta cantina”. E a terminar, disse:

“O povo desta freguesia é bom e generoso. Coração aberto às desditas do seu semelhante, sofrendo quando ele sofre, esta obra é o mais alto padrão de glória que poderá gravar no seu coração. Por isso eu lhe rendo as minhas homenagens, admiração e simpatia, pedindo a Deus que lhe conserve este espírito de caridade e de bem fazer. Que este exemplo ecoe de quebrada em quebrada, de aldeia em aldeia. A todos que aqui vieram, peço que meditem e realizem nas suas terras uma obra como esta que hoje inauguramos, e, à imprensa em particular, o meu muito obrigado”.

A seguir, falou o Director Escolar do Distrito, sr. José Lobato, que, espraiando-se em várias considerações sobre a benéfica obra das Cantinas, em prol das crianças que delas beneficiam, focou e teve palavras de muito louvor para o grupo de Senhoras da Junqueira a quem se ficou devendo o melhoramento da Cantina, que dera motivo àquela festa.

A Directora das Escolas Femininas da Junqueira, D. Maria Júlia Ramos, usando da palavra, apontou os belos resultados que na instrução da criança pobre se tiram com o funcionamento das Cantinas, pois, dadas as distâncias da residência de muitas delas, os inconvenientes que isso trazia, na frequência às aulas, principalmente no Inverno, terminando por agradecer aos srs. Governador Civil e Presidente da Câmara, e ao grupo de Senhoras da freguesia, as ajudas concedidas à obra levada a cabo.

Encerrando a sessão, o sr. Dr. Domingos Braga da Cruz mostrou o seu contentamento por inaugurar um melhoramento de Assistência Infantil – a Cantina da Junqueira – tendo palavras de maior gratidão para as Senhoras da Comissão Promotora da organização e funcionamento da Cantina, fazendo votos para que o exemplo da Junqueira, na simpatiquíssima Obra da Cantina, se estenda a todas as outras freguesias do vasto concelho de Vila do Conde, talqualmente aconteceu com a instituição das Misericórdias, que, como um grão de semente, semeado em Lisboa, pela benemérita senhora DX. Leonor, se espalhou a todo o país.

Disse – ainda – que a tarefa é vasta e os médicos podiam prestar valiosa colaboração às iniciativas do género daquelas como a que se ia inaugurar, numa Assistência Médico Infantil. Terminou por agradecer as atenções que lhe dispensaram, e prometeu nunca negar a sua protecção às obras de Assistência. Foram-lhe oferecidos, depois, ramos de flores, por crianças da Escola.

O vasto Salão da escola encontrava-se repleto de pessoas, destacando-se, à frente, um grupo de Senhoras do melhor escol da Junqueira, e as crianças das Escolas, com os seus bibes brancos. Finda a sessão solene, procedeu-se á cerimónia da inauguração da Cantina, com o corte da fita pela sra. D. Emelina Campos Costa Pinto Ferreira, esposa do sr. Presidente da Câmara, e à benção do edifício, pelo reverendo Abade da Junqueira, sendo, pouco depois, servida uma refeição a 80 crianças.

No largo das Escolas, o típico Rancho da Junqueira exibiu-se com as suas danças e cantares perante numerosa assistência, que o aplaudiu entusiasticamente. Na residência particular do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira foi oferecido, depois, a todos os convidados e à imprensa, um finíssimo “copo de água”, em que usaram da palavra enaltecendo o valor social da obra inaugurada, diversos oradores. A. B.

19 DE NOVEMBRO DE 1966 Falecimentos Alexandrino Gomes Peniche Na sua casa da freguesia da Junqueira, deste concelho, e depois de prolongado sofrimento, faleceu cristãmente, na penúltima terça-feira, o nosso assinante sr. Alexandrino Gomes Peniche, de 54 anos de idade, conceituado industrial de madeiras naquela localidade. O saudoso extinto, que era pessoa muito considerada neste concelho, deixa viúva a sra. D. Armandina Gomes da Costa, era pai da sra. D. Zulmira da Costa Peniche, casada com o sr. António Martins Moreira, irmão do nosso bom amigo e conceituado clínico nesta vila, sr. Dr. Alfredo Gomes Peniche, Joaquim Gomes Peniche, D. Celestina Gomes Peniche e D. Gracinda Gomes Peniche; cunhado das sras. D. Rita de Araújo Castro, D. Cândida Pereira Reis, António José Valente e António Ferreira da Silva, todos proprietários neste concelho. O funeral do saudoso Alexandrino foi muito concorrido e nele tomaram parte muitas pessoas de todas as condições sociais, não só da nossa terra, como da vizinha vila e freguesias limítrofes. Teve ofícios fúnebres e foi sepultado no cemitério paroquial da Junqueira. Fechou o ataúde o sr. Dr. Alfredo Peniche. Conduziu a toalha o sr. António Joaquim Peniche e o Pano de Honra vários amigos do finado, que em diversos turnos se iam revezando. A toda a família enlutada, envia Renovação sentidas condolências.

3 DE DEZEMBRO DE 1966 Agradecimento A família de Alexandrino Gomes Peniche, há dias falecido na freguesia da Junqueira, deste concelho, julga ter agradecido já a todas as pessoas que se dignaram acompanhar o funeral do seu saudoso extinto, bem como às que assistiram à missa do 7.º dia, mandada celebrar por sua alma. Na dúvida, porém, de qualquer falta involuntária, motivada pela elegibilidade de certas assinaturas e endereços apostas na “lista” da inscrição de “pêsames” e “presença”, vem por este único meio ressalvar qualquer possível falta, a todos pedindo desculpa, ao mesmo tempo que patentear a sua muita gratidão. Junqueira, 25 de Novembro de 1966. A Família, Armandina Gomes da Costa, Zulmira da Costa Peniche, António Martins Moreira, Alfredo Gomes Peniche, Joaquim Gomes Peniche, Celestina Gomes Peniche, Gracinda Gomes Peniche, Rita de Araújo Castro, Cândida Pereira Reis, António José Valente, António Ferreira da Silva

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