Dados biográficos:

  • primo de Maria Ferreira Campos e Silva
  • casado com Emelina Campos Costa
  • cunhado de Carlos Pinto Ferreira, Felismina Campos Costa e de Eduardo Campos Costa
  • genro de José Baptista da Costa e de Guilhermina Ferreira Campos Costa
  • pai de Sérgio da Costa Araújo

AntonioSampaioAraujo

Arquivo Distrital do Porto

Passaportes Ordinários – Livro 18

Referência: PT-ADPRT-AC-GCPRT-J-E-032-3546_m0187.tif

 

AntonioSampaiodeAraujo2

Arquivo Distrital do Porto

Passaportes – Livro 46

Referência: PT-ADPRT-AC-GCPRT-J-E-032-3574_m0201.tif

 

Notícias completas:

9 DE ABRIL DE 1938 Junqueira, 7 Pedido de casamento Foi pedida em casamento para o snr. R. A. Sampaio d´Araújo, muito distinto clínico na Póvoa de Varzim, a sra. D. Emelina Campos Costa, prendada filha da sra. D. Guilhermina Ferreira Campos e do sr. José Batista da Costa, considerados proprietários da freguesia da Junqueira, deste concelho. O enlace matrimonial realiza-se brevemente.

10 DE MAIO DE 41 Deu à luz uma criança do sexo feminino, com muita felicidade, em casa de seu pai sr. José Baptista da Costa, digno Presidente da Junta desta freguesia a sra. D. Emelina Campos Costa Araújo, esposa do sr. Dr. António Sampaio Araújo, distinto médico na Póvoa de Varzim. – C.

16 DE AGOSTO DE 41 Passa-se hoje o aniversário natalício da sra. D. Ermelinda Campos Costa Araújo, dedicada esposa do sr. Dr. António Sampaio Araújo, distinto clínico.

12 DE DEZEMBRO DE 42 (Junqueira, 8) Confortado com os sacramentos da igreja, faleceu anteontem, às 6 horas da noite, a sra. D. Maria Ferreira Campos e Silva, viúva, proprietária, desta freguesia. A saudosa extinta, que contava 83 anos de idade, era prima da sra. D. Guilhermina Ferreira de Campos e António Sampaio Araújo, e dos srs. Drs. Eduardo Campos Costa, Carlos Pinto Ferreira e António Sampaio Araújo, e tia dos srs. Drs. Abel da Silva Pereira, professor da Faculdade de Farmácia do Porto e António da Silva Pereira, médico em Terroso.
A sra. D. Maria foi uma verdadeira benfeitora da nossa igreja, mandando fazer reparos no exterior que eternizarão esse grandioso edifício, e no interior, pelas beneficiações que lhe fez, muito alindou esse vasto templo que por peditórios banais nunca poderia ser convenientemente reparado e venerado.
O seu funeral, que se realizou hoje às 10 horas, foi concorridíssimo, nele se incorporando pessoas de várias freguesias deste concelho, do da Póvoa de Varzim e de Famalicão. À família em luto, os nossos pêsames.

17 DE JUNHO DE 44 (Junqueira, 5) Continua experimentando melhoras, o que muito estimamos, o sr. Dr. António Sampaio de Araújo.

24 DE JUNHO DE 44 (Junqueira, 44) Faleceu na passada segunda-feira, após curta enfermidade, o sr. José Baptista da Costa, presidente da Junta desta freguesia, e antigo vereador da Câmara Municipal.
O saudoso extinto, que contava 75 anos de idade, era pai das sras. D. Felismina e D. Emelina Campos Costa e do sr. Eduardo Campos Costa e sogro dos srs. Carlos Pinto Ferreira, digno Delegado de Saúde deste Concelho e estimado director do nosso jornal, e António Sampaio Araújo, distinto médico na Póvoa de Varzim.
O seu funeral realizou-se hoje, sendo muito concorrido de pessoas desta freguesia, achando-se também largamente representadas quase todas as freguesias do concelho, e a Póvoa de Varzim.
O saimento fúnebre teve lugar às 10 horas, sendo acompanhado por onze eclesiásticos. A chave do caixão foi entregue ao sr. Presidente da Câmara.
Ao pano de honra pegaram os srs. Adelino Félix, António Magalhães, Carlos Capela, António C. Azevedo, Elias Cardoso e Joaquim Cerqueira da Costa.
De casa até ao cemitério organizaram-se diversos turnos, compostos pelos ex.mos. Srs.: Juiz de Direito, drs. Pereira Júnior e Andrade Ferreira, Bento Amorim, drs. José M. de Sousa Pereira, Serafim Ramos e J. Pacheco Neves, Engenheiro Augusto Machado, Teófilo Bento, dr. Américo Graça, João Dias, António Ribeiro, José Linhares, Bernardino Pinheiro, José Lima, José Magalhães, Américo Fernandes da Silva Madureira, Eduardo Correia, José Laranja, Major Serafim Temudo, dr. Raul Cardoso, Avelino Faria, João Torres, dr. Ramos de Almeida, dr. Albino Dias, Serafim Almeida, António Patrício, M. Guilherme de Faria, Horácio Nogueira, Manoel Baptista da Costa, etc.
Muitos “bouquets” e coroas foram entregues a pessoas cujos nomes não nos foi possível obter. O cadáver foi inhumado em jazigo de família.
A toda a família enlutada, os nossos sentidos pêsames.

10 DE JANEIRO DE 48 Fazem anos: (…) No dia 14, (…) Sérgio da Costa Araújo, filho do dr. Sampaio de Araújo. (…)

26 DE MAIO DE 1951  Junqueira, 20 Regressou de Pernambuco, à sua casa desta freguesia, o nosso querido amigo sr. José Pinto Ferreira, acompanhado de sua Exma. Esposa D. Olga Aguiar Ferreira e de seu sobrinho Sr. Bento Aguiar. O povo desta terra, a que se associou as autoridades locais, prestaram-lhe uma singela mas sincera e merecida homenagem de simpatia e gratidão, pelos actos de benemerência que têm prodigalizado a esta sua terra natal. Embora vivendo longe, os seus progressos encontram sempre no seu coração um estímulo e uma ajuda para que se faça sempre mais e melhor, realizando, ainda, por usa iniciativa, melhoramentos que não podem deixar de nos sensibilizar. Assim, as obras de restauro da Capela de Nossa Senhora da Graça perduram no coração de todos e ficam, como marco miliário, a consagrar o seu espírito de benemerência espiritual. Por isso o povo os cobriu de flores. Por isso as pessoas gradas da nossa terra acorreram a cumprimentá-los e a agradecer-lhes o quanto têm feito pelo seu progresso moral e espiritual. À recepção assistiram os exmos. Senhores eng. Augusto Machado, muito ilustre Director da 1ª Circunscrição Florestal, Drs. Eduardo C. Costa e Sampaio de Araújo e Esposa, Nuno Salgueiro, Padre Manuel Gomes da Costa, prof. Henrique Carneiro, António Ramos e Esposa, Horácio Nogueira e Esposa, Joaquim Lopes da Costa e Esposa, exma. sras. D. Margarida Aguiar e D. Maria Casanova, António José da Costa Júnior, Joaquim Lopes da Silva, Manuel Leite de Sá, António da Costa Faria e muitas outras pessoas.

26 DE MAIO DE 1951  Junqueira, 20 De uma viagem de turismo pela costa Cantábrica de Espanha, visitando ainda Biarritz e Lourdes, em França, e regressando por Madrid, chegou à sua casa desta freguesia o nosso prezado amigo sr. Dr. Sampaio de Araújo e exma. Esposa.

29 DE SETEMBRO DE 1951 Junqueira, 25 Na sua casa da Garrida, acompanhado de sua família, encontra-se o sr. Dr. Sampaio de Araújo, distinto clínico na Póvoa de Varzim.

30 DE MAIO DE 1953 Esteve em festa, no domingo, a freguesia da Junqueira, Por motivo da inauguração do novo edifício das Escolas Femininas, do Lavadouro da Corredoura e dum Fontenário em Vilar de Matos. O passado domingo foi dia de festa para a freguesia da Junqueira, sem dúvida uma das “mais progressivas do Concelho e uma das mais belas”, como foi acentuado por alguns oradores. Inaugurava-se um belo edifício de duas salas, construído ao abrigo do Plano dos Centenários e destinadas à Escola Feminina, no largo principal da freguesia. O contentamento reflectia-se em todos os Junqueirenses, e ainda mais nas criancinhas e suas Professoras, que se viam finalmente livres da antiga Escola, que, pela sua exiguidade, nenhumas condições pedagógicas e higiénicas possuía. E ainda mais: criava-se a Assistência Médico-Social das Escolas Femininas, seguindo as pisadas do sr. Dr. José Aroso nas escolas de Vilar do Pinheiro, com a colaboração das Senhoras Professoras e dos distintos clínicos: srs drs. Carlos Pinto Ferreira, Eduardo Campos Costa, A. Sampaio de Araújo e Alfredo Gomes Peniche. A nota mais simpática da festa, ainda, foi a homenagem sincera, espontânea, do bom povo da Junqueira a um dos seus filhos mais queridos: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, essa figura infatigável de Médico, o amigo dos pobres, o obreiro número um de todas as realizações para o bem da sua freguesia e da sua gente. O cronista já conhecia toda a sua actividade, mas, no domingo, verificou, de visu, quanto o povo da Junqueira quer ao seu Médico e ao seu Presidente da Junta. A comoção embargou-lhe a voz por mais do que uma vez, as lágrimas vieram-lhe aos olhos, comovido e surpreendido pela sinceridade e justiça de tal manifestação.

Como decorreram as manifestações

Muito antes da hora marcada, o largo em frente da escola já se encontrava repleto de pessoas de todas as condições sociais, aguardando a chegada do sr. Presidente do Município e outras entidades. A legenda “Junqueira saúda Bento Amorim”, falou por todo esse bom povo, não faltando as palmas, as flores, os vivas e os foguetes.Procedida a bênção do novo edifício pelo reverendo Pároco da freguesia, teve lugar a sessão solene num dos salões da nova escola. Presidiu o sr. Bento Amorim, ladeado pelas seguintes entidades: Dr. Carlos Pinto Ferreira; Prof. Manuel Martins Fernandes, Delegado Escolar e em representação da Direcção Escolar; Horácio Nogueira; Joaquim Lopes da Silva; reverendo Pároco, Manuel Leite de Sá; Vereador António Torres e Dr. Gualter Rodrigues. Vimos, entre a numerosa assistência, os senhores engenheiros António Dias Braga, dos edifícios escolares; José Inácio Vasconcelos, da Câmara Municipal; José Várzea e Isolino Azevedo; Drs. Emílio de Magalhães, da Liga Portuguesa de Profilaxia; Sampaio de Araújo e ex.ma esposa; Eduardo Campos Costa e António Ferreira da Costa; D. Ilda Rebelo de Carvalho e filhos; D. Maria Emelina Pinto Ferreira; Professoras D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, D. Maria de Lourdes Sequeira e D. Odette Ferreira da Costa; Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Vereadores António Torres e Joaquim Neves, Prof. Eduardo Moura, José Teixeira da Silva, Flávio Faria, José Quinteira, Ernesto Cardoso, António Faria, Alexandrino Peniche, António Ramos, Artur do Bonfim, e muitas outras pessoas de que nos foi impossível tomar nota. Cantado o Hino Nacional pelas crianças da Escola, iniciou a série dos discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, como Presidente da Junta, que depois de se referir ao significado da festa, saudou nestes termos o senhor Presidente do Município: “- Permitam-me, no entanto, que aproveite a oportunidade de destacar em lugar de relevo, a pessoa do ilustre Presidente da Edilidade Vilacondense, sr. Bento de Sousa Amorim, que, num despretensioso e acrisolado amor à nossa terra, tem procurado, no mais alto sentido da palavra – servir com aquela isenção e vigor todas as manifestações progressivas de ordem moral ou material. A nossa admiração atinge o auge, ao verificarmos que S. Exª, apesar de uma insignificante minoria tentar por vezes demolir aquilo que já podemos considerar um indelével facto na história do concelho de Vila do Conde, o seu dinamismo, os sacrifícios de toda a ordem, e, até, esta faceta singular, a sua benevolência em saber perdoar àqueles que, eivados de vaidades mal contidas, procuram toldar o brilho deste lutador incansável do bem e do progresso de Vila do Conde”. Focando a obra impulsionadora e revigorante do Estado Novo, o ilustre orador, referindo-se às novas escolas, acrescentou: “Por toda a parte onde se sente o impulso criador e renovador de Salazar e do seu Governo, se erguem, airosos e atraentes, edifícios escolares construídos dentro dos modernos conceitos higiénicos e pedagógicos. Velhas casas sombrias, sem luz, sem ar e sem sol criador que vivifica as almas e anima a Natureza, são substituídas por estes amplos e belos edifícios, onde a simplicidade de linhas e elegância de construções se conjugam num todo harmonioso que encanta e seduz”. Dirige saudações ao sr. Delegado Escolar, como representante do Ministério da Educação, ao reverendo Pároco e depois de traçar várias considerações – de que a falta de espaço impede a sua transcrição – sobre o problema magno da saúde da criança, o sr. Dr. Pinto Ferreira, referindo-se à criação da Assistência Médica à criança, diz: “Como médico e sanitarista, dentro dos princípios da Direcção Geral de Saúde, conducentes à redução de mortalidade e morbilidade pela profilaxia e medicina preventiva, acarinhei a ideia com a colaboração valiosa e desinteressada da Ex.ma Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta directora desta escola, de fundação neste dia festivo da inauguração da Obra de Assistência Médico Social das Escolas Femininas desta freguesia. Obra de boa vontade a bem da saúde pública e da educação, como lhe chamou o sr. Dr. José Aroso, criador no nosso país desta modalidade de medicina preventiva, vamos, como a colaboração das professoras e dos distintos clínicos: srs. Drs. Campos Costa, Sampaio de Araújo e Alfredo Peniche e outros amigos das crianças e do seu bem estar, lançar ombros a esta campanha de saúde pública a Bem da Nação”. E o sr. Dr. Pinto Ferreira, escutado sempre com o maior interesse, termina o discurso, dizendo: “-Aproveito a ocasião de nos encontrarmos aqui reunidos, para vos lembrar, neste dia festivo, algumas figuras que pelo seu desinteresse e sacrifício, tornaram possível a construção deste edifício, neste óptimo lugar, e a outros que, apesar de viverem em longes paragens, acarinharam do fundo do coração esta realização, contribuindo com palavras de incitamento e generosa dádiva, dando assim o exemplo edificante para as gerações presentes e vindouras e aos homens de boa vontade a certeza de mais uma vitória para o engrandecimento da nossa querida Junqueira. E, assim, suponde, sem querer ferir melindres ou susceptibilidades, não esquecerei a ajuda e colaboração das pessoas que mais directamente estavam interessadas, terminando por envolver nestas minhas homenagens o bom povo laborioso e honesto desta linda freguesia, sempre pronto a colaborar com a sua presença em todos os actos que dizem respeito ao engrandecimento e progresso desta Terra sem par”. Falou, em seguida, a Directora da Escola Feminina, a sra. Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Saudou as Autoridades presentes, referiu-se à grandeza do melhoramento e descreveu as dificuldades que teve, para poder ensinar na antiga Escola “com 61 crianças dos 7 aos 8 anos, acumuladas em 17 carteiras, num recinto pequeníssimo, mal iluminado, anti-pedagógico, sem sol da vida, o ar, a luz, o espaço. Só a esperança de que em breve teria realização este belo sonho, me deu alento para continuar calmamente a minha missão de Outubro a esta parte. Felizmente que a tempestade passou. Hoje brilha o Sol doirado em nossas almas”… A sra. Professora referiu-se também à obra de Assistência Médica à criança, agradece aos Clínicos que a vão dirigir, e acrescenta: “Ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, dilecto Filho desta linda terra da Junqueira e que como Director ilustre desta obra de protecção à infância, vai ser o mais sacrificado de todos, patenteamos a nossa eterna gratidão. Estou bem certa de que S. Ex.ª, com aquela bondade que é apanágio da sua alma nobre, nem uma só vez deixará de acorrer prontamente ao chamamento das crianças da sua Terra natal, pela qual pugna com tanto interesse e carinho”. Depois de uma pequena da escola ter dirigido uma saudação ao sr. Presidente do Município, falou o sr. Prof. Manuel Martins Fernandes, delegado escolar, que disse: – “Está de parabéns a Junqueira; o ambiente festivo, a elite que aqui se reuniu, mostra com a sua presença que se orgulha pela elevação da sua Terra. Na pessoa do sr. Dr. Pinto Ferreira, eu saúdo esta linda Terra, que a Natureza encheu de flores e de verdura. Junqueira está de parabéns; o tapete, as flores com que recebeste o sr. Bento Amorim deve-se à vossa fidalguia… Fala do esforço e zelo que o sr. Bento Amorim tem posto ao serviço da educação do concelho. Aconselha ainda todas as pessoas a inscreverem-se nos dois cursos de educação que funcionam na freguesia, e terminou: – “A Escola inaugura-se e oxalá que ela realize a sua função. Levo a melhor impressão: a criação da Assistência Médica à criança. É necessário garantir antes a saúde ao corpo da criança e depois fazer dela a beleza moral, a educação da sua alma de forma a valorizá-la para engrandecimento e continuidade da Raça Portuguesa”. Encerrou a sessão o sr. Presidente da Câmara, que disse: – Em Política há um dualismo: uns vivem pela sua terra. É um exemplo de civismo, de verdade, um homem que não olha a sacrifícios”. E acrescentou, depois de breves considerações: – “Como sempre, o Presidente da Câmara continua inteiramente ao dispor das boas iniciativas”. Finda a sessão solene, inauguraram-se as novas instalações sanitárias da Escola Masculina, o lavadouro no lugar da Corredoura e o Fontenário de Vilar de Matos, obras devidas à Junta de Freguesia, a que preside o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Realizou-se também uma visita à capela da Senhora das Graças, que recentemente foi restaurada pelos beneméritos desta freguesia Ex.mos Srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, visita essa que deixou as melhores impressões às entidades oficiais. Finalmente, pela Junta de Freguesia foi oferecido, em casa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às entidades oficiais e convidades, um bem servido “copo de água”. Brindaram pelas prosperidades do sr. Dr. Pinto Ferreira, ex.ma família e pela Junqueira, os srs. Bento Amorim, Delegado Escolar, Dr. Gualter Rodrigues, Prof. Eduardo Moura, João Rebelo de Carvalho e Celso Pontes. Agradecendo, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira a presença de tão ilustres pessoas nesse dia de festa para a Junqueira, disse: -“Habituado a trabalhar em bem dos outros, sinto-me bem em seguir esse caminho; a trabalhar contra os outros não sei fazer nada. O que tenho feito devo-o também a compreensão do povo desta freguesia, que fora uma pequena minoria, está connosco em todas as iniciativas para bem da nossa terra”. E dirigindo-se ao sr. Bento Amorim, acrescentou: “A Junqueira, sr. Presidente, acompanha-lo-á haja o que houver, porque em V. Ex.ª reconhecemos a pessoa que trabalha verdadeiramente por Vila do Conde. Não olhando ao que se diz, porque assim nada se faz, continue a velar por Vila do Conde”. Assim terminou esta simpática festa, que o povo laborioso e bom da Junqueira soube viver e, reconhecido, não esqueceu quem, por ela, tão desinteressadamente, tem trabalhado.

Notas Soltas De manhã, o reverendo Pároco rezou uma missa de Acção de Graças com a assistência das autoridades locais, crianças da escola, etc. – Uma ampliação sonora do Centro Comercial Vilacondense, retransmitiu para o exterior os discursos pronunciados na sessão solene. – Os laboratórios “Bial”, por intermédio do sr. Dr. António Ferreira da Costa, filho desta terra ofereceram grande número de remédios à obra de Assistência Escolar. – O cronista, encarregado desta reportagem, agradece as facilidades dispensadas, facilitando assim a sua missão. F. Soares Gonçalves COM VÁRIAS FOTOS

16 DE JANEIRO DE 1954 Junqueira, 12 Festa Infantil nas Escolas Femininas Num ambiente festivo, de alegria sã e comunicativa, que as crianças das escolas são às suas festas, embora simples mas encantadoras, realizou-se no passado dia 10, na escola feminina desta freguesia, uma festa para distribuição de roupas às suas alunas pobres. À sessão solene presidiu o sr. Prof. Manuel Fernandes, digno Delegado Escolar do Concelho, secretariado pelos srs. Pe. Manuel Gomes, Abade da freguesia, Dr. Pinto Ferreira, Manuel Gonçalves de Sá, Regedor, Horácio Nogueira e Joaquim Lopes da Silva, Vogais da Junta de Freguesia, e pelos distintos clínicos Drs. Sampaio de Araújo e Alfredo G. Peniche e pelas professoras sras, D. Maria Júlia Mesquita Ramos e D. Maria Madalena de Sousa Maia. A sala encontrava-se artisticamente engalanada e entre a assistência viam-se as pessoas de maior representação da freguesia. Aberta a sessão, usou da palavra, em primeiro lugar, o sr. Dr. Pinto Ferreira, que se referiu à Obra de Assistência Médico Social das crianças desta escola feminina, ao seu objectivo no campo da medicina preventiva e à distribuição de agazalhos só tornada possível graças a essa Obra de Assistência, e à colaboração da Professora sra. D. Maria Júlia Mesquita Ramos e ao espírito de bem fazer de algumas distintas famílias desta progressiva e laboriosa terra, agradecendo ao seu Corpo Clínico de Assistência e aos “Laboratórios Bial” a colaboração generosa e desinteressadamente prestada. Falou a seguir o reverendo Pároco, referindo primorosamente a colaboração que deve existir entre a Escola e a Igreja, nos domínios da educação e do ensino. A Professora sra. D. Maria Júlia Mesquita Ramos, muito distinta Directora das Escolas, agradeceu a colaboração e entusiasmo recebidas das pessoas que contribuiu para a realização de tão simpática festa, seguindo-se recitativos e cânticos. Foram, a seguir, distribuídos 5 blusões, pelo Plano de Educação de Adultos; 20 blusas, 30 saias, 22 novelos de lã, 120 lápis, 120 chupas (papel mata-borrão), 120 pães e 2 casaquinhos de lã, pela Obra de Assistência e Benfeitores; e 40 frascos de medicamentos oferecidos pelos “Laboratórios Bial”. Encerrou a sessão o sr. Prof. Manuel Fernandes, que se referiu em termos elogiosos à festa a que acabava de assistir, enaltecendo todos que contribuíram para a sua realização. Finalmente, foi servido às entidades oficiais e convidados, um “Porto de Honra”. – C.

20 DE MARÇO DE 1954 – COM FOTO O nosso Director, Dr. Carlos Pinto Ferreira é o novo Presidente da Câmara Municipal Vila do Conde tem, desde a passada quarta-feira, no seu Município, um novo Presidente: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, nosso querido Director e figura prestigiosa do nosso Concelho. Em política, “a verdade é humilde e austera”, como afirma a experiência e o talento de um escritor que à causa pública devotou a sua poderosa inteligência, consagrando longo tempo ao estudo e à meditação das suas questões. Só os regimes que escudam a sua força na intransigência inflexível daquela ética moral perduram e transcendem os ambientes fictícios das explosões revolucionárias; e só os homens que se integram nos rígidos princípios da sua lógica e, com eles, se identificam no idealismo dominante da sua actividade, atingem a plenitude de autênticas funções políticas, sem clientelas, mais ansiosas em disputar os favores da sua posição do que, verdadeiramente, empenhadas em serviços desinteressados e amistosos da sua colaboração. E a modéstia rara que reveste de excelentes predicados o carácter e a personalidade do Dr. Carlos Pinto Ferreira, é uma garantia segura de que a sua acção na nossa Edilidade se caracterizará por uma firme conduta de apêgo e de respeito à verdade da sua política administrativa, rejeitando as sonoridades dos aplausos que não deslumbram a dignidade dos seus sentimentos nem a simplicidade da sua vida, sem todavia deixar de imprimir à sua gerência o impulso salutar de nobres empreendimentos que, certamente, germinam no seu pensamento. Não vem, tão pouco, para o cargo em que o colocou uma acertada deliberação, com a insatisfação presunçosa de recrear ambições e de exercitar os méritos para mais ousadas honrarias que não o moveram a aceitar o convite, e só a preocupação de servir a sua terra, como melhor puder e souber, influenciou a sua decisão. Conhecedor das necessidades vilacondenses, animado de ardentes propósitos patrióticos para resolver os seus principais problemas e debelar as suas dificuldades mais exigentes, homem bom, cuja reputação a filantropia do seu magistério profissional granjeou no reconhecimento público, espírito franco e sensível às iniciativas beneméritas que se não condensam em mesquinhas obstinações de animosidades irredutíveis, tais são os atributos pessoais do Dr. Carlos Pinto Ferreira, que confirmam o acerto da sua nomeação para a Presidência da nossa Câmara Municipal e permitem esperar do seu trabalho uma obra de intenso ressurgimento e da sua intervenção conciliadora um esforço sincero de união bairrista e uma cooperação decidida das energias valorizadoras do progresso e da prosperidade de Vila do Conde. Se a missão delicada em que acaba de ser investido, por escolha solene do Governo, lhe confere pesadas responsabilidades no exercício do seu alto cargo e lhe impõe deveres sérios para retribuir a confiança que honrou a preferência do seu nome no cumprimento das esperanças e das aspirações dos vilacondenses, o êxito da tentativa ficará comprometido no exclusivo empenho da sua acção pessoal; é, sobretudo, da compreensão, da boa vontade, do incondicional apoio de todas as instituições e entidades representativas dos nossos interesses colectivos, de quem, mais directamente, dependem as conquistas e os triunfos do futuro de Vila do Conde. “Renovação” permite-se apelar para a coesão e a concórdia da unidade vilacondense – factor indispensável da nossa grandeza – saudando efusivamente o Dr. Carlos Pinto Ferreira com a promessa da sua calorosa colaboração, que não a obriga a abdicar da independência de critérios que, sob a direcção do seu nome, conserva, há longos anos, sem intenções equívocas e malévolas de paixões, mas apenas orientados por esclarecimentos oportunos de sugestões patrióticas. A posse do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira no Governo Civil do Porto No Governo Civil do Porto, o sr. Dr. Braga da Cruz, chefe do distrito, deu, na passada quarta-feira, a posse do cargo de presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Ao acto, que esteve muito concorrido – reflexo do valor e da consideração em que é tido o novo Presidente do Município vilacondense – assistiram as personalidades de primeiro plano, não só de Vila do Conde, como do nosso Concelho, da cidade do Porto, etc. estando presentes, entre muitos outros, os srs. Dr. Arnaldo Pinheiro Torres, presidente da Comissão Distrital da União Nacional; Bento de Amorim, presidente da Comissão Concelhia da U. N. de Vila do Conde; dr. António Cruz, Director do Diário do Norte; dr. José Maia, dr. Luiz Trêpa, eng.º Moreira de Sá, eng.º Augusto Machado, dr. José Ramos, dr. Cabral de Matos, dr. Teixeira da Silveira, dr. Serafim Ramos, eng.º José Rodrigo de Carvalho, Delfim Ferreira, dr. José Ferreira, dr. Henrique Belchior, dr. Fernando Pires de Lima, dr. Alfredo Peniche, arquitecto Germano de Castro, dr. Quelhas Lima, dr. Eduardo Campos Costa, José dos Santos Pereira e Silva, dr. Alberto Maia, dr. A. Sampaio de Araújo, dr. Amadeu Gonçalves de Azevedo, Américo Fernandes da Silva, Jerónimo Vasques, Jacinto António da Costa e toda a vereação do município vilacondense. Depois do sr. Dr. Vitor Lopes Dias, secretário-geral do Governo Civil, ter lido o auto de posse, o sr. Dr. Braga da Cruz usou da palavra, agradecendo ao sr. Dr. Pinto Ferreira a maneira pronta como acedeu ao convite que lhe faz para exercer as funções de primeiro magistrado do concelho. Em seguida traçou, em termos breves mas expressivos, o perfil do empossado, afirmando: “- V. Ex.ª não é para mim um desconhecido, pois já em 1943 tive a oportunidade de tomar contactos frequentes com a sua obra como subdelegado de saúde de Vila do Conde, no decorrer dos quais pude bem avaliar das suas qualidades de inteligência e dedicação”. Continuando, o sr. Dr. Braga da Cruz enalteceu a obra do sr. Bento de Amorim, presidente cessante, cuja presença naquele acto lhe dava um aspecto de “render da guarda”. Depois de focar, em termos eloquentes, a sua acção, e de lhe ter agradecido a sua preciosa colaboração, o chefe do distrito terminou a sua oração frisando que via naquela cerimónia de posse a continuação da obra do sr. Bento de Amorim. Seguidamente, falou o sr. Dr. Arnaldo Pinheiro Torres, presidente da Comissão Distrital da U. N., que dirigindo-se ao sr. Dr. Pinto Ferreira, afirmou: – No desempenho de qualquer cargo surgem sempre dificuldades, mas, estou certo de que Vila do Conde vai beneficiar da sua acção, como continuador da obra do sr. Bento de Amorim. Da União Nacional, sempre ao lado do Governo Civil, pode V. Ex.ª contar, desde já, com todo o seu apoio. Falou depois o sr. Bento de Amorim, que agradeceu ao sr. Dr. Braga da Cruz toda a sua colaboração e felicitou-o pela escolha acertada do sr. Dr. Pinto Ferreira para presidente do município vilacondense. Dirigindo-se ao sr. Dr. Pinto Ferreira, afirmou: – “A família de Vila do Conde está unida. V. Exª pode contar comigo inteiramente, com a minha colaboração leal, em prol de uma terra pela qual gostaria de morrer como escravo”. Finalmente, falou o sr. Dr. Pinto Ferreira. Calmo e reflectindo, medindo bem a responsabilidade das suas afirmações, agradeceu a prova de confiança que lhe fora dada, ao distinguir-se um dos mais humildes vilacondenses com a chamada para tão honroso cargo. Depois de saudar na pessoa do Chefe do Distrito o Governo da Nação, referiu-se ao sr. Bento de Amorim, que considerou o vilacondense número um ao serviço do Concelho e do Estado Novo, reiterando-lhe os propósitos da sua leal colaboração na resolução dos problemas justos que digam respeito a Vila do Conde. E a terminar: “- Farei tudo o que puder para que do concelho a cujos destinos vou ter a honra de presidir, saia tudo o que é necessário para o seu engrandecimento”. Depois de ter assinado o auto de posse, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira foi muito cumprimentado, agradecendo, a todos, a sua presença naquele acto.

27 DE MARÇO DE 1954 – COM FOTO!!! A Junqueira em festa para saudar o Dr. Carlos Pinto Ferreira S. Simão da Junqueira, uma das mais aprazíveis e prósperas freguesias do nosso concelho, prestou sentida e carinhosa homenagem ao dr. Carlos Pinto Ferreira, no passado domingo, com um banquete de confraternização, solenizando festivamente a sua posse na Presidência do nosso município. Filho dilecto e ilustre daquela freguesia, o dr. Carlos Pinto Ferreira tem afirmado, desde longa data, na defesa dos interesses da sua terra e no exercício filantrópico da sua profissão, uma acção notável de progresso e de benemerência, cujos benefícios os seus conterrâneos reconhecem, sem excepção, e vêm retribuindo com solenes manifestações de apreço, de respeito e de amizade. “Só não se herda o esforço, que é o que faz o homem verdadeiramente grande” e constitui saliência dominante da existência de cada um, sejam quais forem os signos da fortuna, inclementes na desventura ou indulgentes na prosperidade, que iluminam o reino da Terra de um Ideal comum à vida de todos os homens e é, acima de tudo e de todas as aparências convencionais da sociedade, a conquista do Bem. Volvidos os anos ditosos e descuidados da mocidade do Dr. Carlos Pinto, a sua terra assistiu ao desabrochar do seu carácter, temperado no esforço tenaz e persistente que impôs à sua vontade para atingir essa suprema finalidade da vida e manter intactas, no seu coração, todas as virtudes edificantes que irradiam da sua conduta particular e da sua actividade pública. Com o decorrer do tempo, foram-se assinalando os exemplos do seu trabalho e da sua dignidade, os actos exuberantes da sua bondade, o acolhimento afável e cordial às pretensões da sua Terra e dos seus amigos, a todas as solicitações compensando, com igual solicitude, os favores da sua competência profissional e da sua influência prestigiosa na política local. E a roda das suas amizades foi aumentando, não apenas em número, mas principalmente em dedicações sinceras e espontâneas que se apressaram em testemunhar-lhe, sempre que as circunstâncias o exigiam, a sua gratidão, o seu reconhecimento, a sua calorosa simpatia, e aclamar, sem dissonâncias e sem restrições, a sua presença na vanguarda das iniciativas em prol da laboriosa freguesia da Junqueira. Não só ali, como em outras freguesias circunvizinhas, os efeitos prestimosos da sua acção se têm feito sentir com geral agrado e aplauso unânime, alargando o âmbito da sua interferência ao progresso daquela região concelhia. Em cada porta um amigo e em cada amigo um admirador ferveroso dos magnânimos sentimentos que exomam o seu carácter, todos encontram no dr. Pinto Ferreira, em horas graves, no seu coração e na sua inteligência, um conforto afectuoso para os revezes e as contrariedades da vida, um apaziguador sensato e prudente para compôr discórdias, um conselheiro persuasivo e tolerante para evitar atritos e esclarecer equívocos. Não podem, porém, os homens, nas suas relações públicas, imunizar o seu comportamento, por mais límpidas e puras que sejam as suas intenções, das emulações despeitadas e das invejas intransigentes que provocam ingratidões desabridas e ressentimentos rancorosos na presunção de deturpar o valor dos méritos alheios. Mas a manifestação de domingo, que reuniu à volta do dr. Pinto Ferreira tantos e tão numerosos amigos, prova indiscutivelmente a nobreza da sua figura de homem, de médico e de político.

– O banquete que reuniu aproximadamente 100 convivas, realizou-se, cerca das 21 horas, no elegante palacete do sr. Randolfo Pinto Ferreira, tio do homenageado e um dos mais conceituados membros da colónia portuguesa do Recife (Brasil). Meia hora antes, deu entrada no largo fronteiro, que se encontrava vistosamente engalanado e atapetado caprichosamente, por uma rica passadeira de flores, o dr. Pinto Ferreira, que se fazia acompanhar pelo sr. Bento Amorim, ilustre Presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, sendo entusiasticamente saudados pela enorme multidão que ali os guardava. Após os cumprimentos o jantar, primoriosamente confeccionados, foi imediatamente servido, e decorreu num ambiente da mais franca intimidade e de uma transbordante alegria. Aos brindes, falou em primeiro lugar o sr. Horácio da Silva Nogueira, presidente da Junta de Freguesia da Junqueira, e uma das figuras mais consideradas da Lavoura do nosso concelho. Referiu-se, em termos enternecidos, ao dr. Pinto Ferreira, que conhece desde criança, diz, e cuja amizade muito o desvanece. Na rústica sinceridade das suas palavras entoa, alterada pela comoção, a justiça daquela homenagem e o significado sincero que a reveste. E não é ao Dr. Pinto Ferreira, afirma, a quem deve dirigir os parabéns, mas à sua freguesia, que vê um dos seus filhos mais queridos e estimados investido em tão alto cargo. Bento de Amorim, num brilhante improviso, põe em relevo as qualidades morais do dr. Pinto Ferreira, de quem fez um caloroso elogio. Tem recebido dele, acentua com vigor, lições de lealdade e de amizade que não esquece e assegura-lhe o incondicional apoio da sua confiança e do seu prestígio. Nenhum homem, talvez, diz Bento Amorim, “conhece tão bem como eu, os limites desse generoso concelho de Vila do Conde”, cuja integridade é um encargo sagrado que defenderá sempre com intransigente veemência. E terminou, bebendo pelas prosperidades do dr. Pinto Ferreira no desempenho da sua honrosa missão. Em seguida, o dr. José Ferreira exprime o seu contentamento, como vilacondense, pelo acerto da escolha, designando as dificuldades do cargo, que conhece por experiência própria e confirma as suas esperanças no talento e na capacidade de trabalho do novo Presidente da Câmara para vender os escolhos que surjam a impedir o êxito da sua tarefa. E com a elegência e aprumo da sua figura de insinuante simpatia, o sr. Engenheiro Augusto Machado, Director da Estação Aquícola do Ave e da 1ª Circunscrição Florestal, velho e querido amigo da família Pinto Ferreira, declarou não ser político mas não podia deixar de regozijar-se por ver à frente dos destinos de Vila do Conde, um homem probo, íntegro e justo que saberá honrar a escolha da sua nomeação. Idênticas palavras de simpatia, de amizade e de afectuoso respeito foram pronunciadas pelo srs. Eng.º Várzea, António de Araújo Ramos e Flávio Faria, este na qualidade de Secretário da Junta de Freguesia da Junqueira, que se despediu, com palavras repassadas de saudade, do dr. Pinto Ferreira, que resignara, por imposição das novas funções, ao cargo de ser Presidente. Finalmente, visivelmente emocionado, o dr. Pinto Ferreira levantou-se para falar, sendo recebido por uma vibrante salva de palmas. Agradece a presença daquela assistência selecta que, na sua terra, veio trazer-lhe o estímulo para as canseiras e as fadigas que o esperam, e conservará daquela festa, no seu coração, a recordação grata de um momento inolvidável da sua vida. Não tem um programa de aspirações que antecipadamente defina e oriente a sua acção, mas traz no pensamento a preocupação benévola de reunir as boas vontades que, verdadeiramente, se interessam pelo desenvolvimento e pela prosperidade de Vila do Conde, para que da cooperação amistosa de tantas energias dispersas resulte uma força activa e decidida a instaurar uma obra de franco e fecundo progresso. Não tem preferências especiais, tão pouco acrescenta, que imponham atenções e cuidados mais disvelados pelas necessidades de qualquer das freguesias do nosso concelho; para todas igual protecção e para as dificuldades de cada uma o empenho em resolvê-las satisfatoriamente. E renovando os seus agradecimentos mais profundos por aquela manifestação que muito o sensibilizou e nem mesmo a sua modéstia podia recusar, renova também a sua promessa de trabalhar, sem desfalecimento, por Vila do Conde, pelo seu concelho e pela Nação. As últimas palavras do dr. Pinto Ferreira foram abafadas por uma entusiástica ovação que envolveu na mesma apoteótica saudação os nomes do Presidente da Câmara, de Vila do Conde, do seu concelho e da Pátria. Findo o banquete, a assistência dispersou-se pelos salões do palacete em ameno convívio e sempre rodeados pelas gentilezas da família do dr. Pinto Ferreira e dos organizadores da homenagem, que foram inexcedíveis na fidalguia do seu acolhimento. A simpática festa, que terminou por volta das 3 horas da madrugada, deixou em todos que a ela assistiram uma indelével lembrança.

– Notas várias

Entre a assistência, além dos srs. Bento de Amorim, dr. José Maria de Andrade Ferreira, Engenheiro Augusto Machado, viam-se também Engenheiro Várzea e Esposa, dr. António Sampaio de Araújo e esposa, dr. E. Campos Costa e esposa, António Araújo Ramos e esposa, e muitas outras pessoas de que não nos foi possível colher os nomes. – O sr. Nuno Salgueiro e esposa, impossibilitados de assistir à homenagem, enviaram ao dr. Pinto Ferreira um expressivo telegrama de congratulações. – As crianças das escolas femininas da Junqueira, deram a nota enternecedora da sua presença à chegada do dr. Pinto Ferreira, lançando uma chuva de pétalas de frescas flores. – Animou a festa um esplêndido terceto musical, cujo conjunto foi unanimemente apreciado. – “Renovação” agradece, penhorada, a gentileza do convite e as atenções que ao seu representante foram dispensadas, abraçando afectuosamente o dr. Carlos Pinto Ferreira.

15 DE JANEIRO DE 1955 Na Junqueira Festa na Escola Feminina No passado dia 2, realizou-se na Escola Feminina desta freguesia uma encantadora festa de caridade, dirigida e organizada pela distinta Professora sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Teve como finalidade a distribuição de agasalhos às crianças mais pobres. Contribuíram para a festa uma importante verba oferecida pela Assistência Médico-Social e a generosidade e boa compreensão das sras. D. Mafalda Gomes Machado, Cândida Ferreira da Costa Várzea, Alice da Silva Nogueira, Amélia Ribeiro Nogueira, Beatriz Rainha, Matilde Ferreira Várzea, Fernanda de Freitas Faria, Ana Pinto Ferreira Quinteira, Maria Pinto Ferreira, Lizete da Costa Ferreira Magalhães, Constância Leite de Sá, Felismina Félix Aguiar, Maria da Assunção Caldas de Mesquita, Maria Eugénia da Costa Fernandes, Guilhermina Ferreira Campos, Emelina Campos Costa e o menino José César Cardoso Pinto Ferreira. Também foram oferecidos pelo Laboratório Bial, por intermédio do nosso conterrâneo, sr. Dr. António Ferreira da Costa, uma grande quantidade de remédios que serão distribuídos às crianças, conforme as necessidades físicas e por indicação médica dos clínicos que prestam auxílio nesta Obra de Assistência. O montante de agasalhos fornecidos às crianças foi de 1.277$00, afora os medicamentos. Ao acto compareceram as pessoas mais gradas e representativas da freguesia, bem como um grande número de espectadores, que assistiu, comovido e encantado, a esta festa. À Mesa, presidiu o dr. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Presidente do nosso Município; era ladeado, à direita, pelos srs. Pe. Manuel Gomes Fernandes, Pároco da Junqueira, Manuel Gonçalves de Sá, Regedor; Dr. António Ferreira da Costa e António Augusto G. Amorim; à esquerda, sentaram-se os srs. Horácio da Silva Nogueira, Presidente da Junta; e Eng. José Várzea. A abrir a sessão, usou da palavra o sr. Dr. Pinto Ferreira que, num brilhante improviso, focou o significado e o alto valor da obra realizada pela Assistência Médico-Social, lembrando quanto se tem feito nesta terra, por intermédio daquele organismo. Acabou por dar a boa nova da fundação de uma Cantina Escolar, com o fim de serem distribuídas sopas, diariamente, às crianças pobres, sub-alimentadas. Para isso, dirigiu palavras de apelo e compreensão aos habitantes da freguesia, para darem a sua cooperação e auxílio a esta importante Obra de Beneficiência e Caridade. As suas palavras foram veementemente aplaudidas por toda a assistência, que mostrou a sua plena adesão àquela ideia. Falou, em seguida, a professora da Escola Feminina, sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Começou por pronunciar sentidas palavras de agradecimento a todas as pessoas que contribuíram, de algum modo, para que esta festa se realizasse, destacando, em primeiro lugar a acção do sr. Dr. José Aroso, poderoso impulsionador da Obra de Assistência Escola, e da qual se deve a sua instituição nesta terra, expressando, em seguida, o seu pesar por não poder estar presente. Em segundo lugar, dirigiu as suas palavras, também de gratidão, ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, pelo muito que tem feito pelas crianças das escolas e, de uma maneira geral, por toda a freguesia. “Através da sua acção – afirmou – verifica-se o veemente desejo de dar solução aos problemas mais urgentes da sua terra, que ele quereria ver próspera e feliz. Para tudo que tenda a beneficiar os seus conterrâneos, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira está pronto a dar o melhor do seu coração e do seu esforço“. Focou, em seguida, o quanto se deve ao sr. Dr. António Ferreira da Costa, por intermédio de quem tem sido oferecida grande quantidade de medicamentos, pelo Laboratório “Bial”, que têm garantido uma boa assistência higiénica às crianças. Agradeceu, também, aos distintos clínicos que, de bom grado, se prontificaram a colaborar nesta Obra de Assistência Escolar, srs drs. Sampaio de Araújo, Eduardo Campos Costa e Alfredo Peniche. Finalmente, dirigiu palavras de louvor às senhoras que contribuíram tão generosamente com as suas dávidas. Depois destas palavras, as crianças entoaram diversas canções e recitaram várias poesias, alusivas à quadra festiva do Natal. Por fim, procedeu-se à distribuição das roupas e agasalhos a 52 crianças que, comovidamente, as iam recebendo das mãos do sr. Dr. Pinto Ferreira. Parabéns a todos quantos contribuíram para esta festa de Beneficiência e Caridade e, em especial, à sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta professora da Escola Feminina, que é digna dos melhores elogios, pela maneira brilhante como soube organizá-la. – C.

12 DE FEVEREIRO DE 1955 Na Junqueira Inauguração da Cantina Escolar Com grande brilho e com manifesta alegria de toda a sua população, foi inaugurada, no passado dia 27 de Janeiro, a nova Cantina Escolar da Junqueira, com a distribuição da primeira refeição às crianças das Escolas daquela freguesia. A esta inauguração assistiram as sras. D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, D. Emelina Campos Costa Sampaio de Araújo; as digníssimas Professoras das Escolas; a menina Maria Emelina da Costa Pinto Ferreira e os srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira e Sampaio de Araújo. Foi indescritível a alegria das criancinhas contempladas: nos seus lábios de inocentes desenhava-se um sorriso de satisfação, de aprazimento e de gratidão; é que para elas aquele era um grande dia: habituadas às inclemências e doas rigores debilitantes de insuficiência alimentar, viam, finalmente, solucionado o problema da sua alimentação. Nas outras crianças, não beneficiadas, notava-se a mesma euforia, compartilhando da alegrai das suas companheiras. As pessoas que assistiram à festa gozavam os primeiros efeitos de uma obra de que haviam sido os principais instigadores. De facto, quando sentimos ter sido úteis à humanidade, experimentamos a alegria mais espiritual, mais íntima e mais duradoira. Dispendiou esta primeira refeição a sra. D. Mafalda Gomes Machado, digna esposa do sr. Eng. Augusto Machado, ilustre Director da 1ª Circunscrição Florestal, que tem sido a grande animadora desta obra de beneficência. À bondade e nobreza da sua alma, se devem um firme apoio e uma valiosa ajuda moral e material, ora incitando à continuação e desenvolvimento, ora oferecendo os talheres e mobiliário necessários ao funcionamento da Cantina. É com pessoas assim que uma obra pode ir avante, porque não falta o entusiasmo, o incentivo do desenvolvimento e, o que vale mais que tudo, o amor e a abnegação. Bem hajam, por isso!

12 DE MARÇO DE 1955 D. Sebastiana Maria Mayr Gomes À hora do nosso jornal entrar na máquina, chega-nos a notícia de ter falecido na Junqueira, na “Quinta das Rosas”, de que era proprietária, a Ex.ma sra. D. Sebastiana Maria Mayr Gomes, mãe da ex.ma sra. D. Mafalda Gomes Machado, e sogra do ex.mo sr. Dr. Augusto Machado, ilustre Director da Estação Aquícola do Rio Ave. No próximo número daremos relato detalhado do seu funeral, endereçando, desde já, a toda a família enlutada, as nossas sentidas condolências.

19 DE MARÇO DE 1955 Falecimentos D. Sebastiana Mayr Gomes No passado dia 7 do corrente, faleceu na sua residência, na “Quinta das Rosas”, da freguesia da Junqueira, a sra. D. Sebastiana Mayr Gomes. A extinta, que era de nacionalidade suiça, era mãe da sra. D. Mafalda Gomes Machado e dos srs. Ricardo Gomes e Carlos Gomes, ausentes no Rio de Janeiro; sogra do sr. Engenheiro Augusto Ferreira Machado, director da Estação Aquícola do Rio Ave e Chefe da 1ª Circunscrição Florestal; e irmã da sra. D. Ângela Lopes Martins. A saudosa extinta, que contava 85 anos de idade, pelas suas elevadas e íntegras qualidades de bondade, caridade e honorabilidade, soube impôr-se à consideração de quantos a conheciam. A morte da desventurada senhora foi, por conseguinte, muito sentida, não só pelas pessoas da sua família, mas também pelas das suas relações. O funeral realizou-se no dia imediato, pelas 10 horas, da sua residência para jazigo de família no Cemitério Paroquial de Touguinhó. A chave da urna foi conduzida pelo sr. Dr. Vasco Nogueira que, a meio do percurso, a entregou ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, digno presidente da Câmara Municipal. No préstito fúnebre tomaram parte numerosas pessoas, vindas das mais diversas partes do país, prova da extensão das suas relações e do quanto era estimada e querida por quantos a conheciam. De entre as diversas individualidades que assistiram ao funeral, destacamos os srs.:  Srs. Celestino Maio, Armando da Costa Lima, Carlos Areias, Taveira Costa, Alcino de Magalhães, Jaime de Magalhães, Ângelo César (filho), José Maria de Andrade Ferreira, Eduardo V. Nogueira, António José de Sousa Pereira, António Ferreira da Costa, Sampaio de Araújo e Eduardo Campos Costa; Engenheiros: Jaime de Oliveira, José Várzea, João Costa, António Rebelo de Oliveira, António Gravato, Ernâni Silva, António Luiz Sampaio e Albano Brito de Almeida; funcionários da Estação Aquícola do Rio Ave e da 1ª Circunscrição Florestal (Porto), Artur Cupertino de Miranda (filho), Alberto Félix, Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Aires Gomes Ferreira, Horácio Nogueira, Carlos Pinto, José Carvalho, Gaspar Domingues Luiz, Lino Curval, António Magalhães, Maximiano Angeiras, Adário Angeiras, Carlos Barreto, António Mesquita, António Soeiro, Manuel Angeiras, Pe. Manuel Pires, etc., etc., e ainda inúmeras senhoras. Como representantes da Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, de Lisboa, vieram expressamente para assistir ao funeral, os srs. Engenheiros Sousa Monteiro, Alfredo Rego Barata e Manuel Bazílio Vieira Ribeiro. À família enlutada, enviamos os nossos sentidos pêsames. – Em sufrágio da alma da veneranda senhora, foi entregue na nossa redacção a quantia de 100$00, com que a família quis contemplar os pobrezinhos envergonhados, protegidos pelo nosso jornal. Em nome deles, o nosso sincero agradecimento.

29 DE OUTUBRO DE 1955 Junqueira, 25Casamento – No último dia 17, consorciou-se nesta freguesia a menina Alice Lopes Ferreira Campos, com o conceituado motorista Domingos da Costa Lopes. Como prova irrefagável da simpatia que usufruiam no nosso meio, tivemos ocasião de ver desfilar um cortejo de cerca de vinte automóveis, que acompanharam os noivos até à Igreja Paroquial, onde se realizou o acto solene do matrimónio, assistido pelo reverendo pároco da freguesia e destacando-se, entre os assistentes, os srs. Drs. Pinto Ferreira, E. Campos Costa e António Sampaio de Araújo. Ao fim da tarde a noiva, num gesto de simpatia e devoção filial e cristã, veio depor o seu elegante ramo de noivado aos pés de N. Sra. De Fátima e consagrar-lhe a sua vida nova. Ao novo casal desejamos as maiores felicidades. – C.

4 DE AGOSTO DE 1962 Da Junqueira Falecimento Às primeiras horas da madrugada do passado dia 29, faleceu a sra. D. Guilhermina Ferreira Campos, de 88 anos de idade, deixando a família mergulhada na mais profunda consternação. A saudosa extinta era casada com o sr. José Baptista da Costa, já falecido; mãe das sras. D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira e Emelina Campos Costa de Araújo e do sr. Dr. Eduardo Campos Costa; sogra dos srs. Drs. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Presidente da Câmara Municipal deste concelho, e António Sampaio de Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do concelho vizinho; e avó da sra. D. Maria Emelina da Costa Pinto Ferreira Amorim, ausente no Brasil e casada com o sr. João Gomes da Costa Amorim, da menina Maria Eduarda Costa de Araújo e dos srs. Orlando da Costa Pinto Ferreira, casado com a sra. D. Maria da Conceição Pontes Pinto Ferreira, Fernando José da Costa Pinto Ferreira, Eduardo da Costa Pinto Ferreira e Sérgio da Costa Araújo. Era uma senhora muito estimada por quantos a conheciam, porquanto era possuidora das mais nobres e excelsas virtudes. O amor ao semelhante foi um sentimento que constantemente se revelava em actos de caridade. Na verdade, os mais desventurados, os mais desprotegidos da fortuna, sempre encontraram no coração bondoso da sra. D. Guilhermina o alívio das suas dores; nunca negou uma esmola a quem alguma vez lha pediu; a sua casa, amparo de muitas famílias, todos acolhia com a mais extrema compaixão pelo infortúnio, todos acarinhava num amplexo de amor. Os seus profundos sentimentos religiosos manifestaram-se durante a sua vida numa frequência assídua dos sacramentos e em dádivas pródigas para a conservação e melhoramentos da Igreja Paroquial. O funeral da saudosa extinta, que a todos deixou profunda mágoa, realizou-se no dia seguinte, pelas 10 horas, da sua residência, no lugar da Garrida, para jazigo de família no Cemitério Paroquial. No préstito fúnebre incorporaram-se centenas de pessoas de todas as classes sociais, desde os mais humildes a quem protegeu, até às mais altas individualidades com quem contactou. Este extenso cortejo que a acompanhou até à sua última morada foi a prova eloquente da estima que grangeara no coração de quantos a conheciam. A urna foi conduzida num luxuoso carro fúnebre, atrás do qual seguiam pessoas de família e uma extensa fila de automóveis. A chave da urna foi conduzida pelo neto da falecida, sr. Orlando da Costa Pinto Ferreira. À família enlutada, os nossos mais sentidos pêsames. – C.

One thought on “António Sampaio de Araújo (F)

  1. foram feitos comentários, acerca de algumas pessoas com sobrenome Sampaio, desejaria conhecer a origem dos Sampaio, etc

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