Horácio da Silva Nogueira (fal.)

Dados biográficos:

– proprietário

– vereador na Câmara Municipal de Vila do Conde

– pai de Mariana da Silva Nogueira, (Alice Nogueira) e Laurentina da Silva Nogueira

– casado com Amélia da Silva Ribeiro Nogueira

– avô de Maria Alice Nogueira Amorim

– sogro de Paulino da Costa Amorim

– deu madeira para a Santa Casa da Misericórdia

– mencionado numa notícia de agradecimento (20 de Abril de 40) pelas estradas e escolas em bom estado na freguesia

– 1938, 1939, 1940

Notícias completas:

15 DE SETEMBRO DE 1912 Feira Franca – Com bem pesar o dizemos, a feira franca que teve lugar no dia 7 esteve muito pouco concorrida. (…) Publicamos a seguir os prémios concedidos aos expositores de gado (…) Novilhos para trabalho – 1° Prémio – 5.000 réis, Horácio de Souza(?) Nogueira, da Junqueira. (…) in Jornal República

9 DE ABRIL DE 1938 Feira Anual de Bagunte Realizou-se com a extraordinária concorrência a tradicional feira de Bagunte, conhecida pela feira de 25 de Março, e que este ano foi transferida para 27, ficando para o futuro a ser também no domingo seguinte ao dia 25 do mesmo mês, caso este dia seja de semana.(…) Organizou-se a comissão que devia examinar o gado a fim de o premiar, que foi composta sob a presidencia do Exmo. Snr. Dr. António Teixeira da Silveira, tendo como vogais os Exmos. Srs. Horácio da Silva Nogueira e Joaquim António Machado. (…) Bois de engorda – (…) 2º prémio ao Snr. Manuel Lopes Balazeiro, da Junqueira; (…) Porcos, o de maior peso, ao Snr. António da Silva Ferreira, da Junqueira (…); (…) Poldra, ao Snr. Horácio Nogueira, da Junqueira. Geralmente nos anos transactos apareciam alguns frequentadores que, de cacête em punho, tentavam pôr tudo em debandada; mas este ano, a feira de Bagunte ficou a marcar nos anais desta freguesia, não havendo a menor nota discordante, graças à Comissão Promotora que tomou todas as precauções para que assim sucedesse. (…)

18 DE OUTUBRO DE 41 Eleições Para presidirem ao acto eleitoral que se realiza em todas as freguesias do nosso concelho no próximo domingo foram nomeados os srs.: (…) Junqueira – Dr. Carlos Pinto Ferreira, ef. e Horácio da Silva Nogueira, sup. (…) Lista dos candidatos Pelo sr. Presidente da Câmara, foram aprovadas as listas dos candidatos para a eleição das Juntas de freguesia, deste concelho. Com excepção da Junta de freguesia de Parada, para a qual foram apresentadas duas listas, as restantes foram elaboradas e sancionadas pela Comissão Concelhia da União Nacional, e são constituídas pelos seguintes cidadãos: (…) Junqueira – Efectivos: José Baptista da Costa, Manuel Ferreira Amorim e Carlos Gonçalves da Silva Capela. Sub.: Manuel Lopes Ferreira Pinto, José Baptista da Costa Júnior e Manuel Gonçalves Ferreira.

11 DE SETEMBRO DE 43 Falecimentos – Na freguesia da Junqueira, onde residia, faleceu no último domingo, após prolongado e doloroso sofrimento, a sra. D. Idalina Ferreira da Costa, de 65 anos, casada com o nosso prezado amigo sr. António José da Costa Júnior, considerado farmacêutico naquela freguesia.
O seu funeral, que se realizou no dia imediato, foi muito concorrido, nele se incorporando centenas de pessoas de todas as categorias sociais, tanto daquela freguesia como das vizinhas.
A chave do féretro foi entregue ao sr. Horácio da Silva Nogueira, conduzindo lindas coroas e bouquets um elevado número de pessoas.
A toda a família enlutada, e em especial aquele nosso prezado amigo e assinante, apresenta Renovação sentidas condolências.

27 DE JULHO DE 46 Vende-se – Três moradas de casas com quinta, sendo duas térreas e uma alta, sitas no lugar da Senhora da Graça, da freguesia da Junqueira, deste concelho. Informa Horácio Nogueira, na mesma freguesia.

5 DE NOVEMBRO DE 1949 Assembleias Eleitorais Por alvará do sr. Governador Civil do Distrito, foram nomeados para presidir às Assembleias deste concelho na eleição que se realiza no próximo dia 13, os srs.:- (…) Assembleia da Junqueira Efectivo – Dr. Carlos Pinto Ferreira; Suplente – Horácio da Silva Nogueira. (…) As Assembleias deste concelho funcionam nos seguintes edifícios: (…) Junqueira, constituída pelos eleitores das freguesias de Bagunte, Ferreiró, Parada, Outeiro, Rio Mau, Arcos, Touguinhó e Junqueira, na Escola Masculina da Junqueira. (…)

28 DE OUTUBRO DE 1950 Junqueira, 24 Realizou-se no passado dia 15, no edifício da Escola Masculina, a eleição da Junta de Freguesia para servir no quadriénio de 1951 a 1954. O acto eleitoral, que decorreu num ambiente de entusiasmo e expectativa, visto terem sido apresentadas ao sufrágio duas listas, foi presidido pelo sr. Dr. Eduardo Campos Costa, tendo como substituto o sr. Flávio de Freitas Faria, que orientou os trabalhos eleitorais dentro da maior ordem e imparcialidade. Depois de encerrada a votação, procedeu-se à contagem dos votantes, que foi de 177, cabendo à lista A, composta pelos srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira, Horácio da Silva Nogueira e Joaquim Lopes da Silva, como efectivos e Amadeu Ferreira da Costa Faria, José Ferreira Amorim e Joaquim Gonçalves de Sá, como substitutos, 148 votos e à lista B – 29 votos. Assim, no próximo quadriénio, ficam à frente dos destinos da nossa freguesia pessoas de quem muito temos a esperar, certos da vontade de que todos se encontram empenhados em bem servir.

16 DE DEZEMBRO DE 1950 (Do jornal “Renovação”, de 16-12-950) Comarca de Vila do Conde

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(1ª Publicação)

Pela secção da Secretaria Judicial da Comarca de Vila do Conde e por virtude do ordenado nos autos de execução sumária que Horácio da Silva Nogueira, casado, proprietário, da freguesia da Junqueira, move contra Benjamim Luis da Costa e mulher Margarida Cerqueira do Vale, ambos residentes na freguesia de Touguinhó, ambos desta comarca, correm éditos de 20 dias a contar da data da segunda e última publicação deste anúncio, citando quaisquer credores desconhecidos dos executados, para no prazo de dez dias, findo o dos éditos, virem ao referido processo deduzir, querendo, os seus direitos, nos termos dos art.os 864 e 865 do Código do Processo Civil.

Vila do Conde, 27 de Novembro de 1950.

O Juiz de Direito,

António Viana Correia Guedes

O Chefe da 1.ª secção

Da Secretaria Judicial,

Joaquim Domingos da Fonseca e Vasconcelos

20 DE JANEIRO DE 1951 Junqueira, 17 Telefones – Está em pleno funcionamento a rede telefónica da Junqueira, grande melhoramento para os povos das freguesias da “Faria”, pois em todas elas se encontram instalados telefones públicos e particulares. Apenas temos a lamentar a deficiência dos telefones instalados que, por contínuas avarias, não permitem a sua utilização constante, o que muitas vezes ocasiona prejuízos e transtornos incalculáveis aos seus possuidores. Para a Direcção-Geral dos C. T. T. chamamos a sua atenção, certos de que rapidamente será remediado este estado de coisas. Publicámos a seguir a lista dos telefones da rede da Junqueira e Parada:

1 – Posto Público (em casa do sr. José Quinteira)

2 – Dr. Carlos Pinto Ferreira

3 – Eng. José Ferreira Várzea

4 – Nuno Salgueiro (Quinta do Ral)

5 – D. Olga Pinheiro

6 – João Pacheco T. Rebelo Carvalho

7 – José Gomes Neto (Quinta da Boa-Vista – Casal de Pedro)

8 – Cupertino de Miranda (Ponte D´Ave)

9 – Arnaldo Miranda Guimarães (Ponte D´Ave)

10 – Horácio Nogueira

11 – António F. Costa Magalhães

12 – Dr. Eduardo Campos Costa

13 – António José da Costa Junior

14 – Joaquim Lopes da Silva

15 – Adelino Azevedo Cunha e Pereira

16 – José Lopes da Costa

17 – José Ferreira de Lima, de Rio Mau

18 – Júlio Bento Simões (Ponte D´Este)

19 – Joaquim Ribeiro (Rio Mau)

20 – Mário da Costa Macedo – Touguinhó

21 – Américo Angeiras – Touguinhó

1 de Parada – Dr. Manuel F. Campos

2 – Abílio Guimarães, de Ferreiró

3 – Viação Costa e Lino, Lda., de Parada

4 – Manuel Gonçalves, de Bagunte

5 – Manuel Carneiro Gonçalves, de Outeiro

6 – D. Beatriz Nóbrega

7 – António José da Fonseca, de Ferreiró

10 DE MARÇO DE 1951 Queixas Horácio da Silva Nogueira, contra António Cerqueira Amado, ambos da Junqueira, por lhe furtar um pinheiro de uma sua propriedade. (…)

26 DE MAIO DE 1951  Junqueira, 20 Regressou de Pernambuco, à sua casa desta freguesia, o nosso querido amigo sr. José Pinto Ferreira, acompanhado de sua Exma. Esposa D. Olga Aguiar Ferreira e de seu sobrinho Sr. Bento Aguiar. O povo desta terra, a que se associou as autoridades locais, prestaram-lhe uma singela mas sincera e merecida homenagem de simpatia e gratidão, pelos actos de benemerência que têm prodigalizado a esta sua terra natal. Embora vivendo longe, os seus progressos encontram sempre no seu coração um estímulo e uma ajuda para que se faça sempre mais e melhor, realizando, ainda, por usa iniciativa, melhoramentos que não podem deixar de nos sensibilizar. Assim, as obras de restauro da Capela de Nossa Senhora da Graça perduram no coração de todos e ficam, como marco miliário, a consagrar o seu espírito de benemerência espiritual. Por isso o povo os cobriu de flores. Por isso as pessoas gradas da nossa terra acorreram a cumprimentá-los e a agradecer-lhes o quanto têm feito pelo seu progresso moral e espiritual. À recepção assistiram os exmos. Senhores eng. Augusto Machado, muito ilustre Director da 1ª Circunscrição Florestal, Drs. Eduardo C. Costa e Sampaio de Araújo e Esposa, Nuno Salgueiro, Padre Manuel Gomes da Costa, prof. Henrique Carneiro, António Ramos e Esposa, Horácio Nogueira e Esposa, Joaquim Lopes da Costa e Esposa, exma. sras. D. Margarida Aguiar e D. Maria Casanova, António José da Costa Júnior, Joaquim Lopes da Silva, Manuel Leite de Sá, António da Costa Faria e muitas outras pessoas.

26 DE JANEIRO DE 1952 Recenseamento Eleitoral Foram nomeados representantes do sr. Presidente da Câmara nas Comissões Paroquiais deste concelho, os srs: (…) Junqueira – Horácio da Silva Nogueira. (…)

24 DE JANEIRO DE 1953 Delegados Eleitorais Por alvará do sr. Governador Civil do Distrito, foi nomeado para presidir à Comissão de Recenseamento Eleitoral deste Concelho, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, nosso ilustre Director e devotado Nacionalista. (…) – Para os delegados do sr. Presidente da Câmara, junto das Comissões Eleitorais nas freguesias do Concelho, foram nomeados: (…) Junqueira – Horácio da Silva Nogueira. (…)

30 DE MAIO DE 1953 Esteve em festa, no domingo, a freguesia da Junqueira, Por motivo da inauguração do novo edifício das Escolas Femininas, do Lavadouro da Corredoura e dum Fontenário em Vilar de Matos. O passado domingo foi dia de festa para a freguesia da Junqueira, sem dúvida uma das “mais progressivas do Concelho e uma das mais belas”, como foi acentuado por alguns oradores. Inaugurava-se um belo edifício de duas salas, construído ao abrigo do Plano dos Centenários e destinadas à Escola Feminina, no largo principal da freguesia. O contentamento reflectia-se em todos os Junqueirenses, e ainda mais nas criancinhas e suas Professoras, que se viam finalmente livres da antiga Escola, que, pela sua exiguidade, nenhumas condições pedagógicas e higiénicas possuía. E ainda mais: criava-se a Assistência Médico-Social das Escolas Femininas, seguindo as pisadas do sr. Dr. José Aroso nas escolas de Vilar do Pinheiro, com a colaboração das Senhoras Professoras e dos distintos clínicos: srs drs. Carlos Pinto Ferreira, Eduardo Campos Costa, A. Sampaio de Araújo e Alfredo Gomes Peniche. A nota mais simpática da festa, ainda, foi a homenagem sincera, espontânea, do bom povo da Junqueira a um dos seus filhos mais queridos: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, essa figura infatigável de Médico, o amigo dos pobres, o obreiro número um de todas as realizações para o bem da sua freguesia e da sua gente. O cronista já conhecia toda a sua actividade, mas, no domingo, verificou, de visu, quanto o povo da Junqueira quer ao seu Médico e ao seu Presidente da Junta. A comoção embargou-lhe a voz por mais do que uma vez, as lágrimas vieram-lhe aos olhos, comovido e surpreendido pela sinceridade e justiça de tal manifestação.

Como decorreram as manifestações

Muito antes da hora marcada, o largo em frente da escola já se encontrava repleto de pessoas de todas as condições sociais, aguardando a chegada do sr. Presidente do Município e outras entidades. A legenda “Junqueira saúda Bento Amorim”, falou por todo esse bom povo, não faltando as palmas, as flores, os vivas e os foguetes.Procedida a bênção do novo edifício pelo reverendo Pároco da freguesia, teve lugar a sessão solene num dos salões da nova escola. Presidiu o sr. Bento Amorim, ladeado pelas seguintes entidades: Dr. Carlos Pinto Ferreira; Prof. Manuel Martins Fernandes, Delegado Escolar e em representação da Direcção Escolar; Horácio Nogueira; Joaquim Lopes da Silva; reverendo Pároco, Manuel Leite de Sá; Vereador António Torres e Dr. Gualter Rodrigues. Vimos, entre a numerosa assistência, os senhores engenheiros António Dias Braga, dos edifícios escolares; José Inácio Vasconcelos, da Câmara Municipal; José Várzea e Isolino Azevedo; Drs. Emílio de Magalhães, da Liga Portuguesa de Profilaxia; Sampaio de Araújo e ex.ma esposa; Eduardo Campos Costa e António Ferreira da Costa; D. Ilda Rebelo de Carvalho e filhos; D. Maria Emelina Pinto Ferreira; Professoras D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, D. Maria de Lourdes Sequeira e D. Odette Ferreira da Costa; Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Vereadores António Torres e Joaquim Neves, Prof. Eduardo Moura, José Teixeira da Silva, Flávio Faria, José Quinteira, Ernesto Cardoso, António Faria, Alexandrino Peniche, António Ramos, Artur do Bonfim, e muitas outras pessoas de que nos foi impossível tomar nota. Cantado o Hino Nacional pelas crianças da Escola, iniciou a série dos discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, como Presidente da Junta, que depois de se referir ao significado da festa, saudou nestes termos o senhor Presidente do Município: “- Permitam-me, no entanto, que aproveite a oportunidade de destacar em lugar de relevo, a pessoa do ilustre Presidente da Edilidade Vilacondense, sr. Bento de Sousa Amorim, que, num despretensioso e acrisolado amor à nossa terra, tem procurado, no mais alto sentido da palavra – servir com aquela isenção e vigor todas as manifestações progressivas de ordem moral ou material. A nossa admiração atinge o auge, ao verificarmos que S. Exª, apesar de uma insignificante minoria tentar por vezes demolir aquilo que já podemos considerar um indelével facto na história do concelho de Vila do Conde, o seu dinamismo, os sacrifícios de toda a ordem, e, até, esta faceta singular, a sua benevolência em saber perdoar àqueles que, eivados de vaidades mal contidas, procuram toldar o brilho deste lutador incansável do bem e do progresso de Vila do Conde”. Focando a obra impulsionadora e revigorante do Estado Novo, o ilustre orador, referindo-se às novas escolas, acrescentou: “Por toda a parte onde se sente o impulso criador e renovador de Salazar e do seu Governo, se erguem, airosos e atraentes, edifícios escolares construídos dentro dos modernos conceitos higiénicos e pedagógicos. Velhas casas sombrias, sem luz, sem ar e sem sol criador que vivifica as almas e anima a Natureza, são substituídas por estes amplos e belos edifícios, onde a simplicidade de linhas e elegância de construções se conjugam num todo harmonioso que encanta e seduz”. Dirige saudações ao sr. Delegado Escolar, como representante do Ministério da Educação, ao reverendo Pároco e depois de traçar várias considerações – de que a falta de espaço impede a sua transcrição – sobre o problema magno da saúde da criança, o sr. Dr. Pinto Ferreira, referindo-se à criação da Assistência Médica à criança, diz: “Como médico e sanitarista, dentro dos princípios da Direcção Geral de Saúde, conducentes à redução de mortalidade e morbilidade pela profilaxia e medicina preventiva, acarinhei a ideia com a colaboração valiosa e desinteressada da Ex.ma Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta directora desta escola, de fundação neste dia festivo da inauguração da Obra de Assistência Médico Social das Escolas Femininas desta freguesia. Obra de boa vontade a bem da saúde pública e da educação, como lhe chamou o sr. Dr. José Aroso, criador no nosso país desta modalidade de medicina preventiva, vamos, como a colaboração das professoras e dos distintos clínicos: srs. Drs. Campos Costa, Sampaio de Araújo e Alfredo Peniche e outros amigos das crianças e do seu bem estar, lançar ombros a esta campanha de saúde pública a Bem da Nação”. E o sr. Dr. Pinto Ferreira, escutado sempre com o maior interesse, termina o discurso, dizendo: “-Aproveito a ocasião de nos encontrarmos aqui reunidos, para vos lembrar, neste dia festivo, algumas figuras que pelo seu desinteresse e sacrifício, tornaram possível a construção deste edifício, neste óptimo lugar, e a outros que, apesar de viverem em longes paragens, acarinharam do fundo do coração esta realização, contribuindo com palavras de incitamento e generosa dádiva, dando assim o exemplo edificante para as gerações presentes e vindouras e aos homens de boa vontade a certeza de mais uma vitória para o engrandecimento da nossa querida Junqueira. E, assim, suponde, sem querer ferir melindres ou susceptibilidades, não esquecerei a ajuda e colaboração das pessoas que mais directamente estavam interessadas, terminando por envolver nestas minhas homenagens o bom povo laborioso e honesto desta linda freguesia, sempre pronto a colaborar com a sua presença em todos os actos que dizem respeito ao engrandecimento e progresso desta Terra sem par”. Falou, em seguida, a Directora da Escola Feminina, a sra. Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Saudou as Autoridades presentes, referiu-se à grandeza do melhoramento e descreveu as dificuldades que teve, para poder ensinar na antiga Escola “com 61 crianças dos 7 aos 8 anos, acumuladas em 17 carteiras, num recinto pequeníssimo, mal iluminado, anti-pedagógico, sem sol da vida, o ar, a luz, o espaço. Só a esperança de que em breve teria realização este belo sonho, me deu alento para continuar calmamente a minha missão de Outubro a esta parte. Felizmente que a tempestade passou. Hoje brilha o Sol doirado em nossas almas”… A sra. Professora referiu-se também à obra de Assistência Médica à criança, agradece aos Clínicos que a vão dirigir, e acrescenta: “Ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, dilecto Filho desta linda terra da Junqueira e que como Director ilustre desta obra de protecção à infância, vai ser o mais sacrificado de todos, patenteamos a nossa eterna gratidão. Estou bem certa de que S. Ex.ª, com aquela bondade que é apanágio da sua alma nobre, nem uma só vez deixará de acorrer prontamente ao chamamento das crianças da sua Terra natal, pela qual pugna com tanto interesse e carinho”. Depois de uma pequena da escola ter dirigido uma saudação ao sr. Presidente do Município, falou o sr. Prof. Manuel Martins Fernandes, delegado escolar, que disse: – “Está de parabéns a Junqueira; o ambiente festivo, a elite que aqui se reuniu, mostra com a sua presença que se orgulha pela elevação da sua Terra. Na pessoa do sr. Dr. Pinto Ferreira, eu saúdo esta linda Terra, que a Natureza encheu de flores e de verdura. Junqueira está de parabéns; o tapete, as flores com que recebeste o sr. Bento Amorim deve-se à vossa fidalguia… Fala do esforço e zelo que o sr. Bento Amorim tem posto ao serviço da educação do concelho. Aconselha ainda todas as pessoas a inscreverem-se nos dois cursos de educação que funcionam na freguesia, e terminou: – “A Escola inaugura-se e oxalá que ela realize a sua função. Levo a melhor impressão: a criação da Assistência Médica à criança. É necessário garantir antes a saúde ao corpo da criança e depois fazer dela a beleza moral, a educação da sua alma de forma a valorizá-la para engrandecimento e continuidade da Raça Portuguesa”. Encerrou a sessão o sr. Presidente da Câmara, que disse: – Em Política há um dualismo: uns vivem pela sua terra. É um exemplo de civismo, de verdade, um homem que não olha a sacrifícios”. E acrescentou, depois de breves considerações: – “Como sempre, o Presidente da Câmara continua inteiramente ao dispor das boas iniciativas”. Finda a sessão solene, inauguraram-se as novas instalações sanitárias da Escola Masculina, o lavadouro no lugar da Corredoura e o Fontenário de Vilar de Matos, obras devidas à Junta de Freguesia, a que preside o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Realizou-se também uma visita à capela da Senhora das Graças, que recentemente foi restaurada pelos beneméritos desta freguesia Ex.mos Srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, visita essa que deixou as melhores impressões às entidades oficiais. Finalmente, pela Junta de Freguesia foi oferecido, em casa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às entidades oficiais e convidades, um bem servido “copo de água”. Brindaram pelas prosperidades do sr. Dr. Pinto Ferreira, ex.ma família e pela Junqueira, os srs. Bento Amorim, Delegado Escolar, Dr. Gualter Rodrigues, Prof. Eduardo Moura, João Rebelo de Carvalho e Celso Pontes. Agradecendo, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira a presença de tão ilustres pessoas nesse dia de festa para a Junqueira, disse: -“Habituado a trabalhar em bem dos outros, sinto-me bem em seguir esse caminho; a trabalhar contra os outros não sei fazer nada. O que tenho feito devo-o também a compreensão do povo desta freguesia, que fora uma pequena minoria, está connosco em todas as iniciativas para bem da nossa terra”. E dirigindo-se ao sr. Bento Amorim, acrescentou: “A Junqueira, sr. Presidente, acompanha-lo-á haja o que houver, porque em V. Ex.ª reconhecemos a pessoa que trabalha verdadeiramente por Vila do Conde. Não olhando ao que se diz, porque assim nada se faz, continue a velar por Vila do Conde”. Assim terminou esta simpática festa, que o povo laborioso e bom da Junqueira soube viver e, reconhecido, não esqueceu quem, por ela, tão desinteressadamente, tem trabalhado.

Notas Soltas De manhã, o reverendo Pároco rezou uma missa de Acção de Graças com a assistência das autoridades locais, crianças da escola, etc. – Uma ampliação sonora do Centro Comercial Vilacondense, retransmitiu para o exterior os discursos pronunciados na sessão solene. – Os laboratórios “Bial”, por intermédio do sr. Dr. António Ferreira da Costa, filho desta terra ofereceram grande número de remédios à obra de Assistência Escolar. – O cronista, encarregado desta reportagem, agradece as facilidades dispensadas, facilitando assim a sua missão. F. Soares Gonçalves COM VÁRIAS FOTOS

29 DE AGOSTO DE 1953 O “Macarrão” na Junqueira Este “macarrão” continua a ser o prato do dia… Ainda mal extinto o caso da venda dos Santos da Matriz de Vila do Conde, cabe a vez à Junqueira de ser vítima da espoliação do seu património por parte de comerciantes gananciosos e sem escrúpulos. Depois de terem desaparecido alguns objectos de culto da Igreja Paroquial, era a vez da Capelinha da Senhora das Graças, se alguém se não tivesse imposto, pois vários objectos, como paramentos, mantos dos Santos, etc., já se encontravam dentro de um luxuoso automóvel. Antes de escrevermos estas palavras de veemente protesto pelo abuso e espoliação do património paroquial, consultamos a Lei – “Legislação extra-sinodal Bracarense”, Dr. Martins Gigante, Braga, 1950 – que regula a Comissão Fabriqueira e a alienação de bens imóveis ou móveis. É bem claro o seu artigo 40º: “A licença para a alienação de bens imóveis ou dos móveis que se podem conservar, não será dada senão precedendo o consentimento da corporação fabriqueira em sessão plenária, e provando-se além disso: 1º, que há necessidade urgente da alienação ou evidente utilidade, ou que a piedade cristã o reclama; 2º, que precedeu louvação por escrito de peritos probos; 3º, que nenhum dano provirá da alienação, nem para a corporação nem para as entidades que elas representam; 4º, que a alienação não será efectuada por preço inferior ao dado pelos peritos”, etc. Ora, analisemos friamente os factos. Não consta – e num meio pequeno facilmente toda a gente teria conhecimento – que a comissão fabriqueira tivesse reunido para resolver a venda de tais objectos. E ainda mais. Não nos consta que se tenham nomeado os peritos encarregados de avaliar tais objectos. Conclui-se, enfim, que essa venda e a recente tentativa de venda, é apenas do livre arbítrio da comissão fabriqueira, quando ela, “perante o delegado especial do Prelado ou, na falta deste, perante o Arcipreste, a nova direcção tomará compromisso jurado aos Santos Evangelhos, de conservar, guardar, defender e administrar fiel e cuidadosamente todos os bens, valores e interesses que lhe são confiados”. (Artigo 29º). À comissão fabriqueira há que pedir contas pelo abuso, cumprindo evitar o escândalo. É o que o povoa da Junqueira, sem distinção de classes, cai fazer, pedindo providências perante o ex.mo Prelado, para que os responsáveis sejam chamados à ordem, uma vez que a comissão fabriqueira saiu fora das suas atribuições… Cumpriu-se a Lei? Parece-nos bem que não… o que continua é a servir-se “macarrão”, e está tudo dito…

4 DE SETEMBRO DE 1953 O “Macarrão” na Junqueira A propósito do nosso último artigo com o título acima, publicado no último número deste jornal, recebemos a seguinte carta, que gostosamente publicámos, do ex.mo sr. Horácio da Silva Nogueira: – Junqueira, 1 de Setembro de 1953 “Ex.mo sr. Director do Jornal “Renovação” Surpreendido com as graves afirmações que se fazem no último número do jornal, de que V. Ex.ma é muito digno director, à Comissão Fabriqueira desta freguesia, da qual sou membro, responsabilizando-a numa venda e tentativa de venda de objectos pertencentes aos bens paroquiais, venho solicitar de V. Exª a publicação do seguinte esclarecimento que a minha dignidade impõe. Como membro da comissão fabriqueira, nunca fui consultado para a venda desses objectos nem com a minha presença se reuniu a citada comissão. Tanto quanto os restantes membros resolveram é de seu livre arbítrio e a eles há que pedir contas e imputar-lhes as responsabilidades. Afirmo uma vez mais – para que fique bem vincado o seu gesto – que nunca me procuraram nem me convocaram para uma reunião em que se resolvesse tais assuntos.

Agradecendo a publicação, creia-me de V. Ex.ª, M.to Att.o Vem dor e Obg.do, Horácio da Silva Nogueira

– O Diário do Norte, do passado dia 31, comentando o caso da Junqueira, escreveu o seguinte, que para conhecimento dos nossos leitores não resistimos à tentação de, com a devida vénia, transcrever: – O Povo da Junqueira Protesta contra a espoliação do património da sua igreja “Renovação”, o semanário que tão bem serve Vila do Conde, ocupa-se, no seu último número – o de sábado passado – daquilo a que com toda a propriedade chama “a espoliação do seu património por parte de comerciantes gananciosos e sem escrúpulos”. De que se trata? O jornal o diz claramente: “Ainda mal extinto o caso da venda dos Santos da Matriz de Vila do Conde, cabe a vez à Junqueira de ser vítima de espoliação semelhante”. Conta que depois de terem desaparecido alguns objectos do culto da Igreja Paroquial – era a vez da Capelinha da Senhora das Graças “se alguém se não tivesse imposto, pois vários objectos, como paramentos, mantos de Santos, etc., já se encontravam dentro de luxuoso automóvel”. Lê-se – e não se acredita. Mas “Renovação” é preciosa. Objectiva quando afirma. Consultou, antes de escrever as suas veementes palavras de protesto pelo abuso e espoliação do património paroquial, a Lei – Legislação extra-sinodal Bracarense – que regula a comissão fabriqueira e a alienação dos bens imóveis ou móveis. E a lei é bem clara. Estabelece as condições em que essa alienação se pode fazer. Mas esclarece “que nenhum dano provirá da alienação, nem para a corporação nem para as entidades que elas representam”. Não é o caso presente. A comissão fabriqueira, que se saiba, não reuniu para resolver a venda. Menos ainda nomeou os peritos encarregados de avaliar os objectos a vender. Donde se infere que, contra todos os preceitos, essa venda e a recente tentativa de venda, é apenas do livre arbítrio da comissão fabriqueira. O Povo da Junqueira não se conforma com esse abuso. E, para evitar o escândalo, vai pedir providências ao Prelado da Diocese. Que sejam chamados à  ordem os que exorbitaram – é o pedido do Povo da Junqueira, sem distinção de classes. E o Prelado ouvirá esse pedido, – que é um princípio de Justiça a que não se pode fugir. “. N. da R. – Para se evitarem erradas deduções e insinuações tendenciosas, esclarece-se que o citado artigo é da inteira responsabilidade da Redacção.

12 DE SETEMBRO DE 1953 O “Macarrão” na Junqueira Escrevemos este ligeiro apontamento à hora do nosso jornal entrar na máquina, depois de aguardarmos durante a semana, uma explicação, aliás devida, da comissão fabriqueira em face do nosso protesto e da carta de um dos seus membros. Insensíveis à opinião pública, encerraram-se no seu mutismo e entenderam não dar explicações, quando elas eram bem precisas. Talvez para eles fosse melhor assim… Por mais engenhosas que fossem as explicações, estas seriam aceitáveis? Parece-nos bem que não. Havendo uma venda ilegal – como a Lei tão claramente o diz – seria bem difícil uma justificação. Continuaremos a lutar até que as autoridades superiores solucionem o problema e se dê uma explicação aos católicos da Junqueira. Não nos amedrontam telefonemas insultuosos nem ameaças de via pública. Palavras e automóveis luxuosos não nos deslumbram nem nos esmorecem… A nossa pena, que sempre tem lutado pelo Bem e pela Verdade, nada teme e continuará na trincheira. Ao nosso lado, temos bons amigos nesta luta. Depois do Diário do Norte, é a vez do Comércio do Porto do dia 5, numa correspondência de Vila do Conde. Transcrevemos a local para conhecimento dos nossos leitores: “Macarronadas – Parece que numa freguesia deste concelho se repetiu a cena de nova “Macarronada”, com grandes desgostos para os habitantes do lugar, especialmente daqueles que sempre têm contribuído para que a sua freguesia disponha dos elementos necessários ao culto católico. Dizem-nos que há tempos se evitou a leviandade e que apareceram até documentos comprovativos de certos bens de culto. O assunto foi levado ao conhecimento do senhor arcebispo primaz, estando a aguardar-se, não só as providências dessas autoridades eclesiásticas, como, também, os esclarecimentos por parte da comissão fabriqueira, que deverão ser dados ao público. As histórias repetem-se, afinal! Em face disto, que fazer? Aguardar… até que o “macarrão” acabe de ser servido…”.

16 DE JANEIRO DE 1954 Junqueira, 12 Festa Infantil nas Escolas Femininas Num ambiente festivo, de alegria sã e comunicativa, que as crianças das escolas são às suas festas, embora simples mas encantadoras, realizou-se no passado dia 10, na escola feminina desta freguesia, uma festa para distribuição de roupas às suas alunas pobres. À sessão solene presidiu o sr. Prof. Manuel Fernandes, digno Delegado Escolar do Concelho, secretariado pelos srs. Pe. Manuel Gomes, Abade da freguesia, Dr. Pinto Ferreira, Manuel Gonçalves de Sá, Regedor, Horácio Nogueira e Joaquim Lopes da Silva, Vogais da Junta de Freguesia, e pelos distintos clínicos Drs. Sampaio de Araújo e Alfredo G. Peniche e pelas professoras sras, D. Maria Júlia Mesquita Ramos e D. Maria Madalena de Sousa Maia. A sala encontrava-se artisticamente engalanada e entre a assistência viam-se as pessoas de maior representação da freguesia. Aberta a sessão, usou da palavra, em primeiro lugar, o sr. Dr. Pinto Ferreira, que se referiu à Obra de Assistência Médico Social das crianças desta escola feminina, ao seu objectivo no campo da medicina preventiva e à distribuição de agazalhos só tornada possível graças a essa Obra de Assistência, e à colaboração da Professora sra. D. Maria Júlia Mesquita Ramos e ao espírito de bem fazer de algumas distintas famílias desta progressiva e laboriosa terra, agradecendo ao seu Corpo Clínico de Assistência e aos “Laboratórios Bial” a colaboração generosa e desinteressadamente prestada. Falou a seguir o reverendo Pároco, referindo primorosamente a colaboração que deve existir entre a Escola e a Igreja, nos domínios da educação e do ensino. A Professora sra. D. Maria Júlia Mesquita Ramos, muito distinta Directora das Escolas, agradeceu a colaboração e entusiasmo recebidas das pessoas que contribuiu para a realização de tão simpática festa, seguindo-se recitativos e cânticos. Foram, a seguir, distribuídos 5 blusões, pelo Plano de Educação de Adultos; 20 blusas, 30 saias, 22 novelos de lã, 120 lápis, 120 chupas (papel mata-borrão), 120 pães e 2 casaquinhos de lã, pela Obra de Assistência e Benfeitores; e 40 frascos de medicamentos oferecidos pelos “Laboratórios Bial”. Encerrou a sessão o sr. Prof. Manuel Fernandes, que se referiu em termos elogiosos à festa a que acabava de assistir, enaltecendo todos que contribuíram para a sua realização. Finalmente, foi servido às entidades oficiais e convidados, um “Porto de Honra”. – C.

27 DE MARÇO DE 1954 – COM FOTO!!! A Junqueira em festa para saudar o Dr. Carlos Pinto Ferreira S. Simão da Junqueira, uma das mais aprazíveis e prósperas freguesias do nosso concelho, prestou sentida e carinhosa homenagem ao dr. Carlos Pinto Ferreira, no passado domingo, com um banquete de confraternização, solenizando festivamente a sua posse na Presidência do nosso município. Filho dilecto e ilustre daquela freguesia, o dr. Carlos Pinto Ferreira tem afirmado, desde longa data, na defesa dos interesses da sua terra e no exercício filantrópico da sua profissão, uma acção notável de progresso e de benemerência, cujos benefícios os seus conterrâneos reconhecem, sem excepção, e vêm retribuindo com solenes manifestações de apreço, de respeito e de amizade. “Só não se herda o esforço, que é o que faz o homem verdadeiramente grande” e constitui saliência dominante da existência de cada um, sejam quais forem os signos da fortuna, inclementes na desventura ou indulgentes na prosperidade, que iluminam o reino da Terra de um Ideal comum à vida de todos os homens e é, acima de tudo e de todas as aparências convencionais da sociedade, a conquista do Bem. Volvidos os anos ditosos e descuidados da mocidade do Dr. Carlos Pinto, a sua terra assistiu ao desabrochar do seu carácter, temperado no esforço tenaz e persistente que impôs à sua vontade para atingir essa suprema finalidade da vida e manter intactas, no seu coração, todas as virtudes edificantes que irradiam da sua conduta particular e da sua actividade pública. Com o decorrer do tempo, foram-se assinalando os exemplos do seu trabalho e da sua dignidade, os actos exuberantes da sua bondade, o acolhimento afável e cordial às pretensões da sua Terra e dos seus amigos, a todas as solicitações compensando, com igual solicitude, os favores da sua competência profissional e da sua influência prestigiosa na política local. E a roda das suas amizades foi aumentando, não apenas em número, mas principalmente em dedicações sinceras e espontâneas que se apressaram em testemunhar-lhe, sempre que as circunstâncias o exigiam, a sua gratidão, o seu reconhecimento, a sua calorosa simpatia, e aclamar, sem dissonâncias e sem restrições, a sua presença na vanguarda das iniciativas em prol da laboriosa freguesia da Junqueira. Não só ali, como em outras freguesias circunvizinhas, os efeitos prestimosos da sua acção se têm feito sentir com geral agrado e aplauso unânime, alargando o âmbito da sua interferência ao progresso daquela região concelhia. Em cada porta um amigo e em cada amigo um admirador ferveroso dos magnânimos sentimentos que exomam o seu carácter, todos encontram no dr. Pinto Ferreira, em horas graves, no seu coração e na sua inteligência, um conforto afectuoso para os revezes e as contrariedades da vida, um apaziguador sensato e prudente para compôr discórdias, um conselheiro persuasivo e tolerante para evitar atritos e esclarecer equívocos. Não podem, porém, os homens, nas suas relações públicas, imunizar o seu comportamento, por mais límpidas e puras que sejam as suas intenções, das emulações despeitadas e das invejas intransigentes que provocam ingratidões desabridas e ressentimentos rancorosos na presunção de deturpar o valor dos méritos alheios. Mas a manifestação de domingo, que reuniu à volta do dr. Pinto Ferreira tantos e tão numerosos amigos, prova indiscutivelmente a nobreza da sua figura de homem, de médico e de político.

– O banquete que reuniu aproximadamente 100 convivas, realizou-se, cerca das 21 horas, no elegante palacete do sr. Randolfo Pinto Ferreira, tio do homenageado e um dos mais conceituados membros da colónia portuguesa do Recife (Brasil). Meia hora antes, deu entrada no largo fronteiro, que se encontrava vistosamente engalanado e atapetado caprichosamente, por uma rica passadeira de flores, o dr. Pinto Ferreira, que se fazia acompanhar pelo sr. Bento Amorim, ilustre Presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, sendo entusiasticamente saudados pela enorme multidão que ali os guardava. Após os cumprimentos o jantar, primoriosamente confeccionados, foi imediatamente servido, e decorreu num ambiente da mais franca intimidade e de uma transbordante alegria. Aos brindes, falou em primeiro lugar o sr. Horácio da Silva Nogueira, presidente da Junta de Freguesia da Junqueira, e uma das figuras mais consideradas da Lavoura do nosso concelho. Referiu-se, em termos enternecidos, ao dr. Pinto Ferreira, que conhece desde criança, diz, e cuja amizade muito o desvanece. Na rústica sinceridade das suas palavras entoa, alterada pela comoção, a justiça daquela homenagem e o significado sincero que a reveste. E não é ao Dr. Pinto Ferreira, afirma, a quem deve dirigir os parabéns, mas à sua freguesia, que vê um dos seus filhos mais queridos e estimados investido em tão alto cargo. Bento de Amorim, num brilhante improviso, põe em relevo as qualidades morais do dr. Pinto Ferreira, de quem fez um caloroso elogio. Tem recebido dele, acentua com vigor, lições de lealdade e de amizade que não esquece e assegura-lhe o incondicional apoio da sua confiança e do seu prestígio. Nenhum homem, talvez, diz Bento Amorim, “conhece tão bem como eu, os limites desse generoso concelho de Vila do Conde”, cuja integridade é um encargo sagrado que defenderá sempre com intransigente veemência. E terminou, bebendo pelas prosperidades do dr. Pinto Ferreira no desempenho da sua honrosa missão. Em seguida, o dr. José Ferreira exprime o seu contentamento, como vilacondense, pelo acerto da escolha, designando as dificuldades do cargo, que conhece por experiência própria e confirma as suas esperanças no talento e na capacidade de trabalho do novo Presidente da Câmara para vender os escolhos que surjam a impedir o êxito da sua tarefa. E com a elegência e aprumo da sua figura de insinuante simpatia, o sr. Engenheiro Augusto Machado, Director da Estação Aquícola do Ave e da 1ª Circunscrição Florestal, velho e querido amigo da família Pinto Ferreira, declarou não ser político mas não podia deixar de regozijar-se por ver à frente dos destinos de Vila do Conde, um homem probo, íntegro e justo que saberá honrar a escolha da sua nomeação. Idênticas palavras de simpatia, de amizade e de afectuoso respeito foram pronunciadas pelo srs. Eng.º Várzea, António de Araújo Ramos e Flávio Faria, este na qualidade de Secretário da Junta de Freguesia da Junqueira, que se despediu, com palavras repassadas de saudade, do dr. Pinto Ferreira, que resignara, por imposição das novas funções, ao cargo de ser Presidente. Finalmente, visivelmente emocionado, o dr. Pinto Ferreira levantou-se para falar, sendo recebido por uma vibrante salva de palmas. Agradece a presença daquela assistência selecta que, na sua terra, veio trazer-lhe o estímulo para as canseiras e as fadigas que o esperam, e conservará daquela festa, no seu coração, a recordação grata de um momento inolvidável da sua vida. Não tem um programa de aspirações que antecipadamente defina e oriente a sua acção, mas traz no pensamento a preocupação benévola de reunir as boas vontades que, verdadeiramente, se interessam pelo desenvolvimento e pela prosperidade de Vila do Conde, para que da cooperação amistosa de tantas energias dispersas resulte uma força activa e decidida a instaurar uma obra de franco e fecundo progresso. Não tem preferências especiais, tão pouco acrescenta, que imponham atenções e cuidados mais disvelados pelas necessidades de qualquer das freguesias do nosso concelho; para todas igual protecção e para as dificuldades de cada uma o empenho em resolvê-las satisfatoriamente. E renovando os seus agradecimentos mais profundos por aquela manifestação que muito o sensibilizou e nem mesmo a sua modéstia podia recusar, renova também a sua promessa de trabalhar, sem desfalecimento, por Vila do Conde, pelo seu concelho e pela Nação. As últimas palavras do dr. Pinto Ferreira foram abafadas por uma entusiástica ovação que envolveu na mesma apoteótica saudação os nomes do Presidente da Câmara, de Vila do Conde, do seu concelho e da Pátria. Findo o banquete, a assistência dispersou-se pelos salões do palacete em ameno convívio e sempre rodeados pelas gentilezas da família do dr. Pinto Ferreira e dos organizadores da homenagem, que foram inexcedíveis na fidalguia do seu acolhimento. A simpática festa, que terminou por volta das 3 horas da madrugada, deixou em todos que a ela assistiram uma indelével lembrança.

– Notas várias

Entre a assistência, além dos srs. Bento de Amorim, dr. José Maria de Andrade Ferreira, Engenheiro Augusto Machado, viam-se também Engenheiro Várzea e Esposa, dr. António Sampaio de Araújo e esposa, dr. E. Campos Costa e esposa, António Araújo Ramos e esposa, e muitas outras pessoas de que não nos foi possível colher os nomes. – O sr. Nuno Salgueiro e esposa, impossibilitados de assistir à homenagem, enviaram ao dr. Pinto Ferreira um expressivo telegrama de congratulações. – As crianças das escolas femininas da Junqueira, deram a nota enternecedora da sua presença à chegada do dr. Pinto Ferreira, lançando uma chuva de pétalas de frescas flores. – Animou a festa um esplêndido terceto musical, cujo conjunto foi unanimemente apreciado. – “Renovação” agradece, penhorada, a gentileza do convite e as atenções que ao seu representante foram dispensadas, abraçando afectuosamente o dr. Carlos Pinto Ferreira.

23 DE OUTUBRO DE 1954 As novas Juntas de Freguesia 17 de Outubro marca as eleições, nos termos da Constituição e do Código Administrativo, feitas pelos chefes de família, dos Vogais das Juntas de Freguesia. Essa eleição é da maior importância, porque as freguesias, representadas pelas respectivas Juntas, constituem o agregado de famílias que nela habitam, e a família é o elemento primário e fundamental do próprio Estado. Fiel à sua missão de promover, na ordem política, a realização dos objectivos da Revolução Nacional, e de radicar cada vez mais na consciência pública os princípios do Estado Novo, que há mais de um quarto de século operaram o renascimento da pátria portuguesa, a União Nacional pôs o maior cuidado e escrúpulo na escolha dos nomes que propôs a sufrágio dos eleitores. Muitos dos eleitos trazem já a experiência de exercícios anteriores, em que, a par dos seus colegas, demonstraram dedicação e competência e garantem a continuidade das boas realizações em cursos; muitos outros, escolhidos pela primeira vez, trarão a evidente vantagem de uma natural e estimuladora renovação. As missão que às Juntas de Freguesia compete, como primeiro elemento da hierarquia administrativa, em estreito contacto com a Família, que é a instituição basilar da vida tradicional da Nação, reveste-se de significado especial, que os homens bons das freguesias, agora eleitos, vão representar dignamente. Nas 30 freguesias que formam o Concelho de Vila do Conde, ficaram assim constituídas as respectivas juntas, para os anos de 1955/ 1958: – (…) Junqueira – Horácio da Silva Nogueira, Joaquim Lopes da Silva e Amadeu Ferreira da Costa Faria. (…)

15 DE JANEIRO DE 1955 Na Junqueira Festa na Escola Feminina No passado dia 2, realizou-se na Escola Feminina desta freguesia uma encantadora festa de caridade, dirigida e organizada pela distinta Professora sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Teve como finalidade a distribuição de agasalhos às crianças mais pobres. Contribuíram para a festa uma importante verba oferecida pela Assistência Médico-Social e a generosidade e boa compreensão das sras. D. Mafalda Gomes Machado, Cândida Ferreira da Costa Várzea, Alice da Silva Nogueira, Amélia Ribeiro Nogueira, Beatriz Rainha, Matilde Ferreira Várzea, Fernanda de Freitas Faria, Ana Pinto Ferreira Quinteira, Maria Pinto Ferreira, Lizete da Costa Ferreira Magalhães, Constância Leite de Sá, Felismina Félix Aguiar, Maria da Assunção Caldas de Mesquita, Maria Eugénia da Costa Fernandes, Guilhermina Ferreira Campos, Emelina Campos Costa e o menino José César Cardoso Pinto Ferreira. Também foram oferecidos pelo Laboratório Bial, por intermédio do nosso conterrâneo, sr. Dr. António Ferreira da Costa, uma grande quantidade de remédios que serão distribuídos às crianças, conforme as necessidades físicas e por indicação médica dos clínicos que prestam auxílio nesta Obra de Assistência. O montante de agasalhos fornecidos às crianças foi de 1.277$00, afora os medicamentos. Ao acto compareceram as pessoas mais gradas e representativas da freguesia, bem como um grande número de espectadores, que assistiu, comovido e encantado, a esta festa. À Mesa, presidiu o dr. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Presidente do nosso Município; era ladeado, à direita, pelos srs. Pe. Manuel Gomes Fernandes, Pároco da Junqueira, Manuel Gonçalves de Sá, Regedor; Dr. António Ferreira da Costa e António Augusto G. Amorim; à esquerda, sentaram-se os srs. Horácio da Silva Nogueira, Presidente da Junta; e Eng. José Várzea. A abrir a sessão, usou da palavra o sr. Dr. Pinto Ferreira que, num brilhante improviso, focou o significado e o alto valor da obra realizada pela Assistência Médico-Social, lembrando quanto se tem feito nesta terra, por intermédio daquele organismo. Acabou por dar a boa nova da fundação de uma Cantina Escolar, com o fim de serem distribuídas sopas, diariamente, às crianças pobres, sub-alimentadas. Para isso, dirigiu palavras de apelo e compreensão aos habitantes da freguesia, para darem a sua cooperação e auxílio a esta importante Obra de Beneficiência e Caridade. As suas palavras foram veementemente aplaudidas por toda a assistência, que mostrou a sua plena adesão àquela ideia. Falou, em seguida, a professora da Escola Feminina, sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Começou por pronunciar sentidas palavras de agradecimento a todas as pessoas que contribuíram, de algum modo, para que esta festa se realizasse, destacando, em primeiro lugar a acção do sr. Dr. José Aroso, poderoso impulsionador da Obra de Assistência Escola, e da qual se deve a sua instituição nesta terra, expressando, em seguida, o seu pesar por não poder estar presente. Em segundo lugar, dirigiu as suas palavras, também de gratidão, ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, pelo muito que tem feito pelas crianças das escolas e, de uma maneira geral, por toda a freguesia. “Através da sua acção – afirmou – verifica-se o veemente desejo de dar solução aos problemas mais urgentes da sua terra, que ele quereria ver próspera e feliz. Para tudo que tenda a beneficiar os seus conterrâneos, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira está pronto a dar o melhor do seu coração e do seu esforço“. Focou, em seguida, o quanto se deve ao sr. Dr. António Ferreira da Costa, por intermédio de quem tem sido oferecida grande quantidade de medicamentos, pelo Laboratório “Bial”, que têm garantido uma boa assistência higiénica às crianças. Agradeceu, também, aos distintos clínicos que, de bom grado, se prontificaram a colaborar nesta Obra de Assistência Escolar, srs drs. Sampaio de Araújo, Eduardo Campos Costa e Alfredo Peniche. Finalmente, dirigiu palavras de louvor às senhoras que contribuíram tão generosamente com as suas dávidas. Depois destas palavras, as crianças entoaram diversas canções e recitaram várias poesias, alusivas à quadra festiva do Natal. Por fim, procedeu-se à distribuição das roupas e agasalhos a 52 crianças que, comovidamente, as iam recebendo das mãos do sr. Dr. Pinto Ferreira. Parabéns a todos quantos contribuíram para esta festa de Beneficiência e Caridade e, em especial, à sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta professora da Escola Feminina, que é digna dos melhores elogios, pela maneira brilhante como soube organizá-la. – C.

12 DE FEVEREIRO DE 1955 Nomes dos Membros das Comissões dos Amigos dos Bombeiros nas freguesias (…) Junqueira – Horácio da Silva Nogueira e Dr. Carlos Pinto Ferreira. (…)

7 DE MAIO DE 1955 Festas de São João Parada dos Ranchos das Aldeias Aumenta o interesse nas freguesias do concelho pela organização da Parada dos Ranchos Populares, que se realizará na Feira de São João, 5ª feira, 23 de Junho. As impressões colhidas por alguns membros da Comissão que nos últimos domingos se deslocaram a algumas freguesias, são as mais animadoras quanto à participação nos festejos do Feriado Municipal da gente moça do nosso concelho. Damos a seguir os nomes de algumas pessoas que em várias aldeias começaram já a trabalhar, estimulando o brio das raparigas e dos rapazes, para que a respectiva representação seja brilhante. Junqueira – srs. Horácio Nogueira, José Quinteira e António Gonçalves Araújo Ramos e a menina Maria Amélia A. Nogueira. (…)

4 DE JUNHO DE 1955 Na freguesia da Junqueira Inauguração de uma Biblioteca Escolar No passado dia 22 de Maio, realizou-se na freguesia da Junqueira, deste concelho, perante uma grande assistência, a inauguração de uma Biblioteca, na Escola Feminina daquela freguesia. Presidiu à Sessão o sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta de Freguesia, ladeado pela ex.ma sra. D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, esposa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Presidente da nossa Câmara, e pela sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, Directora da Biblioteca Escolar e da Escola Feminina. Além das individualidades acima citadas, compareceu, também, grande número de pessoas daquela localidade.Falou a activa Directora da Biblioteca, sra. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos que, em palavras simples e claras, soube fazer compreender ao bom povo daquela freguesia o alto valor o significado que constitui tal instituição. Referiu-se, em primeiro lugar, às enormes vantagens que a leitura de um bom livro oferece ao homem, como valioso meio de cultura. “É através das páginas dos livros – disse – que o homem adquire conceitos que lhe valorizam a vida. Não lhe bastam as suas faculdades inatas para interpretar e compreender os mistérios que o rodeiam; estes foram desvendados, a pouco e pouco, pela acção laboriosa de Homens que passaram a vida inteira entregues ao estudo e à meditação. É, portanto, na leitura desses livros, que o homem deve ocupar as suas horas de ociosidade”. Em seguida, aconselhou sobre a maneira como se deve ler um livro, mostrando que nada vale ler sem compreender. Finalmente, explicou como funcionará a Biblioteca Escolar, que é destinada, não só às crianças das Escolas, mas também a toda a população daquela freguesia. É a Junqueira a segunda freguesia do nosso concelho a possuir uma Biblioteca e, por conseguinte, é preciso que o povo se saiba aproveitar deste importante melhoramento, para que se incentive e se alastre pelas populações rurais o desejo de cultura que alarga os horizontes do homem, fazendo o sair do seu plano de inferioridade, a que o mundo restrito das suas relações e conhecimentos, o tem relegado.

1 DE SETEMBRO DE 1956 Junqueira, 27 Casamentos No passado dia 23 do mês corrente, realizou-se p enlace matrimonial da menina Maria Amélia Nogueira Amorim, filha do sr. Paulino da Costa Amorim e da sra. D. Maria da Silva Nogueira e neta do sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta desta freguesia e da sra. D. Amélia da Silva Ribeiro, com o sr. Paulino Gomes da Costa Amorim, filho do sr. José da Costa Amorim (já falecido) e da sra. D. Maria Gomes da Silva Casanova.O casamento realizou-se no Santuário do Sameiro, em Braga, tendo presidido ao acto solene e celebrado a Missa o reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, Pároco dos nubentes, acolitado pelo reverendo Pároco Manuel Gomes da Costa, Pároco de Gavião. Paraninfaram a cerimónia religiosa o sr. Comendador Francisco de Lima Amorim e sua ex.ma esposa, sra. D. Georgete Amorim. Findo o acto religioso, teve lugar, num Restaurante daquela cidade, o almoço; e, pelas 20 horas, foi oferecido a todos os convidados, em casa do noivo, um primoroso copo de água, durante o qual o nosso reverendo abade, numa brilhante alocução, enalteceu as qualidades dos nubentes, formulando votos pelas suas constantes felicidades. Agradeceu, comovido, o avô da noiva, sr. Horácio Nogueira. Aos noivos, endereçamos os nossos sinceros e prósperos dias no futuro.

27 DE OUTUBRO DE 1956 Crónica da Junqueira O povo da Junqueira aplaude as eméritas figuras dos srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, numa homenagem sincera Nos últimos anos de vida desta terra, duas figuras de raro merecimento avultam no primeiro plano das personagens que, impulsionadas por uma acendrada paixão bairrista e filantrópica, têm dado todo o seu apoio e auxílio para que a Junqueira progrida e se engrandeça: os irmãos, filhos distintos desta terra, sr. Randolfo e José Pinto Ferreira. Bem cedo partiram daqui para solo esperançoso do Brasil em busca de felicidade e fortuna; ali, mercê de porfiados trabalhos e canseiras insanas, a sorte bafejou-os, dando-lhes riqueza e conforto, justo prémio dos seus esforços. Mas, mesmo longe da sua terra, da terra que os viu nascer e tentar os primeiros passos, estes Junqueirenses ilustres não a olvidaram nunca, ligados como estavam a ela por fortes laços de imperecível e inabalável amor ao torrão natal. Não constituiu, portanto, para nós, motivo de admiração a imponência e a sinceridade com que o povo da Junqueira exornou (?) a grandiosa homenagem de domingo passado. Foi uma expressão sincera de reconhecimento profundo que brotou espontânea do peito de cada um, a quem sempre adoptou como norma de conduta os ideais do Bem, da Virtude e do Amor. Ficou, assim, bem grata e sentida no coração de todos nós a consciência do dever cumprido. Pena foi que o sr. José Pinto Ferreira já tenha sido riscado do número dos vivos. Morreu sem que alguém lhe esboçasse um gesto de gratidão; mas, com certeza que se não sentiu ofendido, pois, quem dá como ele dava, de olhos postos em Deus e não nos homens, não quer manifestações nem grandezas. Que a sua alma descanse em paz. Como decorreu a festa de homenagem Às 10, 30 horas da manhã, foi celebrada uma missa em acção de graças, cantada pelo coro litúrgico feminino, retransmitida por alto-falante, na Capela da Senhora das Graças. O pequeno templo estava repleto de pessoas de todas as categorias sociais, apresentando um aspecto imponente e festivo. À esquerda do Altar, colocou-se o homenageado vivo, sr. Randolfo Pinto Ferreira. Foi celebrante o reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, Pároco desta terra; ao Evangelho foi proferido um brilhante sermão pelo reverendo dr. Miguel Baptista Pereira, da vizinha freguesia de Bagunte, que focou as virtudes cristãs e os raros sentimentos religiosos do homenageado presente, implorando à Virgem Mãe protecção para aquele Seu filho. No fim do acto religioso, foi descerrada uma lápide comemorativa desta homenagem, pela menina Maria Emelina das Costa Pinto Ferreira, filha do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, sobrinho do homenageado, que continha a seguinte inscrição:

Homenagem desta freguesia

A seus beneméritos filhos

Randolfo Pinto Ferreira

E

José Pinto Ferreira

21/10/1956

Enaltecendo as qualidades morais e cívicas dos homenageados, falaram, ainda, o reverendo Abade da Junqueira, e o sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta, em nome desta e do povo da Junqueira. Em nome do homenageado presente, falou o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, que agradeceu a homenagem dos seus conterrâneos a seus tios, afirmando que tudo o que ele faz não é mais do que aquilo que lhe vai na alma. Ainda no uso da palavra, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira acabou, também, por agradecer aos homenageados, em nome do povo da Junqueira, pedindo que esses mesmos agradecimentos fossem transmitidos à viúva do outro seu tio, sr. José Pinto Ferreira, desejando a todos as maiores felicidades. Em seguida, o reverendo Abade dirigiu-se ao microfone e deu calorosas vivas ao sr. Randolfo Pinto Ferreira, e família, ao sr. Presidente da Câmara e à Junqueira. Finda a homenagem, o sr. Randolfo Pinto Ferreira foi cumprimentado e cordialmente abraçado pelas mais destacadas individualidades desta terra. – C.

13 DE JULHO DE 1957 Corrida de Galgos na Junqueira Constituiu um acontecimento inédito, presenciado por milhares de pessoas deste concelho e limítrofes, a corrida de galgos realizada no passado domingo, na freguesia da Junqueira, para a qual se inscreveram 18 desses animais, não só deste concelho, como de Famalicão e da vizinha vila. O público presenciou por vezes com incontido entusiasmo tanto as cinco corridas eliminatórias, como a “final”, o que contribuiu para que alguns animais mais tímidos e menso habituados a semelhante ambiente, não dessem o melhor do seu rendimento. O Júri, constituído pelos srs. Drs. António Teixeira da Silveira, Octávio de Carvalho, Carlos Pinto Ferreira e Horácio Nogueira, Ramiro da Costa Araújo e António Ramos, atribuiu as seguintes classificações:

1º – Uma Taça, ao galgo “Valente”, pertencente ao sr. Manuel da Silva Neves.

2º – Um cinzeiro, ao galgo “Preto”, pertencente ao sr. Jaime da Silva Moreira.

3º – Um guarda-jóias, à galga “Faísca”, pertencente ao sr. Carlos Moreira da Silva.

4º – Um paliteiro, ao galgo “Raio”, pertencente ao sr. António Dias Teixeira.

5º – Um paliteiro, à galga “Andorinha”, pertencente ao sr. Afonso da Silva Oliveira, da vizinha vila.

Os quatro primeiros prémios foram para a freguesia de Mosteiró, deste concelho, ganhos, por coincidência, por descendentes de um galgo pertencente ao sr. Horácio Nogueira, da Junqueira. Está de parabéns o grupo de entusiastas que, levados apenas por um espírito de puro desportivismo, viu coroado de êxito os seus esforços.

21 DE SETEMBRO DE 1957 Junqueira, 16 Bodas de Ouro – Celebraram as suas bodas de ouro matrimoniais, no passado dia 14 do corrente, o sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta desta freguesia, e sua esposa, a sra. D. Amélia da Silva Ribeiro. Os filhos e netos, numa pequenina festa familiar, testemunharam aos seus progenitores, sentimentos de gratidão, envolvendo-os num afectuoso amplexo de ternura e de amor filial. Outra coisa não merecia, com efeito, quem sempre colocou o interesse dos filhos acima do comodismo pessoal. Os nossos parabéns e desejos sinceros de que, daqui a 25 anos, comemorem as suas Bodas de Diamante. – C.

12 DE DEZEMBRO DE 1959 Junqueira, 2 Casamento No passado dia 28 de Novembro, contraíram matrimónio na Igreja Paroquial desta freguesia, a menina Maria Alice Nogueira Amorim, filha do sr. Paulino da Costa Amorim e da sra. D. Mariana da Silva Nogueira e neta do sr. Horácio da Silva Nogueira e da sra. D. Amélia da Silva Ribeiro, e o sr. Júlio Balazeiro Amorim, filho do sr. Júlio da Costa Amorim e da sra. D. Maria Balazeiro Amorim. O acto religioso, que foi celebrado pelo pároco desta freguesia, teve início às 11 horas. No fim, o celebrante fez a costumada alocução, lembrando aos noivos os seus novos deveres de marido e esposa e indicando-lhes o caminho a seguir para encontrarem a felicidade no matrimónio. Findas as cerimónias religiosas, os convidados dirigiram-se para a Quinta do Cerqueiral, propriedade do avô da noiva, onde foi servido um lauto banquete. Aos brindes falaram os srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira e Pe. Manuel Gomes da Costa, ex-pároco desta freguesia, que enalteceram as qualidades dos noivos e de suas famílias, augurando-lhes um futuro risonho e feliz. Em seguida, o sr. Horácio da Silva Nogueira, avô da noiva, agradeceu a todos os convidados a sua presença e dirigiu os últimos conselhos. Pelas 18 horas, os convidados acompanharam os nubentes à sua nova residência, no lugar de Chantada, onde lhes foi servido um finíssimo copo de água. Aos noivos, os nossos desejos de que constituam um lar, onde reine sempre a paz e a alegria. – C.

9 DE ABRIL DE 1960 Feira Anual de Bagunte Conforme dissemos no último número, publicámos a seguir a lista dos vencedores do Concurso Pecuário levado a efeito por ocasião da Grande Feira Anual efectuada nesta freguesia no dia 27 do mês findo: – (…) Junta de Bois de trabalho (raça barrosã) – (…) 2º prémio – José Ferreira de Carvalho. (…) Junta de bois de trabalho de outras raças – 1º prémio – José Ferreira de Carvalho (…) Junta de touros de outras raças – 1º e 2º prémios – Casa de Real – Junqueira. (…) Novilha (raça turina) – 1º prémio – Horácio da Silva Nogueira (Quinta do Cerqueiral), Junqueira (…) Touro reprodutor – raça turina – 1º prémio – (Taça Dr. Domingos de Azevedo) (…) e Nuno Vilares Salgueiro – Quinta do Ral -Junqueira. Este concorrente ganhou também o segundo prémio. Porco de maior peso – 1º prémio – D. Olga Elisa de Carvalho Pinheiro – Quinta da Espinheira – Junqueira (…)

27 DE JANEIRO DE 1962 Junqueira, 23 Foi, há tempos, submetido a uma operação cirúrgica aos órgãos visuais, o sr. Horácio da Silva Nogueira, estimado proprietário desta freguesia, a quem desejamos, em breve, recupere totalmente a vista, a qual, em parte, tinha perdido.

10 DE OUTUBRO DE 1964 Pelos Bombeiros Depois da publicação, no Semanário “Renovação” das freguesias que se indicam, foram-nos entregues mais os seguintes donativos: Junqueira Com 500$00 – Nuno Vilares Salgueiro; Com 100$00 – D. Almerinda Amorim de Carvalho; Com 50$00 – José Fernandes Campos, Horácio da Silva Nogueira e José Quinteira; Com 30$00 – Lino Lopes Curval; Com 20$00 – José Ferreira Carvalho, João Gomes de Araújo, Paulino da Costa Amorim e D. Maria Martins; Com 15$00 – Adelino Gomes da Costa; Com 10$00 – António de Sousa Leituga, José Lopes Faria, António Ferreira da Costa, Joaquim Barros, D. Cândida Carvalho de Azevedo e D. Maria Pinto de Lima. Com 5$00 – António Fernandes, José Moreira de Sousa, Manuel Fernandes, D. Umbelina Rosa da Cruz, José Fernandes Faria, António Sousa da Silva, Alfredo Joaquim da Fonseca, João Gomes da Costa e Avelino de Sousa Faria. De diversos, com importâncias inferiores a 5$00 – 16$00.

1 DE JUNHO DE 1968 Falecimentos Horácio da Silva Nogueira Na passada quinta-feira e na sua residência no lugar do Cerqueiral, em S. Simão da Junqueira, faleceu com a idade de 84 anos o sr. Horácio da Silva Nogueira, abastado proprietário naquela freguesia, e nosso prezado assinante. O saudoso extinto, era casado com a sra. D. Amélia da Silva Ribeiro e pai das sras. D. Laurentina, Alice e Mariana da Silva Ribeiro; sogro dos srs. Joaquim Martins Ferreira Azevedo, Alfredo Moreira Maia, e Paulino da Costa Amorim. Deixa ainda numerosos netos. O seu funeral, que constituiu uma das maiores manifestações de pesar naquela freguesia, teve lugar no dia seguinte, da residência para a Capela de Nossa Senhora da Graça, onde teve missa de Corpo Presente com ofício e daí para o cemitério paroquial, onde o corpo ficou inhumado em jazigo de família. Com a morte do sr. Horácio Nogueira, Vila do Conde perde um dos mais prestantes homens do seu concelho. Embora natural de Beiriz, o extinto, radicado por casamento em S. Simão da Junqueira, muito cedo, pelos seus dotes de trabalho, pela sua honestidade e ampla visão, foi chamado a intervir nas coisas da freguesia; e não só nesta: a sede também o escolheu para servir na Edilidade. Foi ainda um dedicado amigo do nosso jornal. Proprietário de uma grande casa de lavoura, serviu a agricultura do nosso concelho; e como se isso não bastasse, ainda encontrou tempo para servir os destinos da Junqueira e de Vila do Conde. A sua palavra honrada, as qualidades de trabalho, a amizade que a todos dispensava e os serviços que a Vila do Conde prestou, ficarão na memória de todos aqueles que tiveram o prazer e a honra de ser amigos de tão prestante cidadão. Foi Vereador da Câmara Municipal desta vila; 1° secretário do Grémio da Lavoura, cerca de 20 anos; Presidente da Junta de Freguesia de S. Simão da Junqueira, cargos que ocupou entre muitos outros, no momento impossíveis de enumerar. Não admira, pois, a quantidade e qualidade de pessoas que foram no dia do seu funeral, prestar junto aos seus restos, a última homenagem. Renovação apresenta a toda a família enlutada o seu cartão de sentidos pêsames.

NOTA: ESTE PERFIL PRECISA DE SER REVISTO.

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