João Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho

Dados biográficos:

– Proprietário da Quinta do Mosteiro

– Filho de Rosinda de Carvalho

– marido de Ilda Rebelo de Caevalho

– pai de Ilda Pinto dos Santos Rebelo de Carvalho

– Comendador

– irmão de Álvaro Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho

– genro de António Pinto dos Santos

 – faleceu em Janeiro de 1950

Notícias completas:

13 DE DEZEMBRO DE 41 (Junqueira, 1 de Dezembro) Esteve ontem nesta freguesia, onde veio de visita à sua linda Quinta do Mosteiro, o sr. João Pacheco Rebelo de Carvalho.

18 DE ABRIL DE 42 Pelo falecimento de sua mãe, a sra. D. Rosinda de Carvalho, ocorrido há dias na cidade do Porto, encontra-se de luto o nosso amigo sr. João Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho, a quem apresentamos as nossas condolências.

9 DE MAIO DE 42 (Junqueira, 5 de Maio) No passado domingo esteve nesta freguesia, de visita à sua linda Quinta do Mosteiro, o sr. João Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho. – C.

17 DE OUTUBRO DE 42 (Junqueira, 14 de Outubro) Tem estado nesta freguesia o sr. João Pacheco Rebelo de Carvalho, proprietário da linda Quinta do Mosteiro. – C.

2 DE JANEIRO DE 43 (Junqueira, 30 de Dezembro) Assistimos no dia de Natal a um acto que muito nos comoveu: à distribuição de donativos a 60 chefes de família pobres desta freguesia. Foi o sr. Comendador João Pacheco Rebelo de Carvalho, proprietário da Quinta do Mosteiro, que deu esta avultada esmola que consistiu em dinheiro a uns, e em uma peça de vestuário -casacos, calças, xailes e camisas a muitos. À distribuição estavam presentes os exmos. Srs. Juiz de Direito da Póvoa de Varzim e esposa, regedor e professor desta freguesia. Foi a primeira vez que nos foi dado presenciar tão comovente cena e as lágrimas dos contemplados traduziam de uma forma bem nítida não só a satisfação pela esmola recebida, mas também o sincero reconhecimento àquele tão generoso benfeitor. Aqui deixamos consignado o nosso agradecimento pela gentileza do convite para assistirmos a tão bela festa… de lágrimas de gratidão.

31 DE JULHO DE 43 (Junqueira, 21) Encontra-se na Póvoa de Varzim, com a família, a passar a época balnear o sr. João P. Rebelo de Carvalho, proprietário da Quinta do Mosteiro.

22 DE FEVEREIRO DE 47 (Junqueira, 17) – À sua Quinta do Mosteiro veio passar uns dias, com a sua ex.ma família, o sr. Comendador João Pacheco Rebelo de Carvalho. A sua Ex.ª apresentamos os nossos respeitosos cumprimentos.

25 DE OUTUBRO DE 47 (Junqueira, 20) Fez anos, na passada quinta-feira, a sra. D. Ilda Rebelo de Carvalho, e no próximo dia 24 passa o seu aniversário natalício o seu marido, sr. João Rebelo de Carvalho. A ambos apresentamos os nossos sinceros parabéns, com o desejo de que estas datas se repitam por muitos anos.

13 DE MARÇO DE 1948 Edital Carlos Teixeira Afonso, Engenheiro-Chefe da 1ª Circunscrição Industrial, faz saber que: –
(…) António Joaquim da Fonseca requereu licença para instalar uma oficina de tecidos de algodão, seda e mixtos, incluída na 2.ª classe, com os inconvenientes de barulho, trepidação e perigo de incêndio, no lugar da Igreja, freguesia de S. Simão da Junqueira, concelho de Vila do Conde, distrito do Porto, confrontando a norte com estrada camarária, sul e nascente com terrenos de João Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho e poente com António Ferreira da Costa.
(…)
Porto e Secretaria da 1ª Circunscrição Industrial, 9 de Fevereiro de 1948.
Pel´O Engenheiro-Chefe
Augusto Fernandes

23 DE JUNHO DE 1948 Junqueira, 16 Passou o dia de domingo na sua linda Quinta do Mosteiro o sr. João Pacheco Rebelo de Carvalho.

4 DE SETEMBRO DE 1948 Junqueira, 25 Encontra-se na sua Quinta do Mosteiro o exmo. Sr. Comendador João Rebelo de Carvalho, com sua família.

8 DE JANEIRO DE 1949 Junqueira, 30 Também se encontra na sua Quinta do Mosteiro, com a sua família, o sr. João Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho.

7 DE MAIO DE 1949, Junqueira 1 No Porto, onde habitualmente residia, faleceu há dias o sr. Álvaro Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho, proprietário e senhor da Casa dos Pereiras, de Louzada. O extinto, que contava 57 anos de idade, era irmão do sr. Comendador João Rebelo de Carvalho, proprietário da Quinta do Mosteiro, a quem enviamos as nossas condolências. – C.

23 DE JULHO DE 1949 Junqueira, 11 (Atrasada) Transitou para o 4º ano do Liceu, com honrosa classificação, a menina Maria José dos Santos Rebelo de Carvalho, filha do sr. João P. Rebelo de Carvalho e da sr. D. Ilda Pinto dos Santos Rebelo de Carvalho. Os nossos sinceros parabéns.

22 DE OUTUBRO DE 1949 Carta da Junqueira Abertura solene das aulas Teve o maior brilho, a solene inauguração do presente Ano Lectivo, que teve lugar na espaçosa Sala de Aula da Escola Masculina desta freguesia, no passado dai 7. Linda flores, colocadas por toda a Sala, nas mesas e carteiras da escola, davam um lindo aspecto ao acto que pela primeira vez se ia praticar. Ao lado da mesa do professor via-se a Bandeira Nacional, e nas paredes, em vistosos dísticos, entre outros, liam-se os seguintes pensamentos: — Se tu soubesses o que custa mandar, gostarias mais de obedecer toda a Vida. – A tua Pátria é a mais linda de todas as Pátrias: merece todos os teus sacrifícios. – Nunca ponhas o teu interesse acima do da tua família, porque tu passas e ela fica. – Faz aos outros o que quiseres que te façam a ti. Presidiu à sessão o reverendo pároco desta freguesia, ladeado pelos srs. Carlos da Silva Capela, Domingos Lopes Faria e António da Costa Faria, que constituem a Junta de Freguesia. Em lugares de destaque, sentaram-se os srs. Comendador Rebelo de Carvalho e as sras. D. Ilda Rebelo de Carvalho, D. Sebastiana Gomes, D. Mafalda Gomes Machado, Júlio da Costa Amorim, José Ferreira Boucinha, etc. Numerosos pais de alunos e outras pessoas amigas da Escola completavam a avultada assistência. Em primeiro lugar usou da palavra o professor sr. José Lopes da Costa, que agradeceu a comparência da digna Junta, dos pais das crianças e das distintas Famílias ali presentes, que vinham assim manifestar o seu interesse, a sua dedicação e simpatia pela escola dos filhos do povo da nossa terra. Agradeceu ao reverendo pároco a boa vontade com que sempre coopera nestes actos, fazendo assim viver em proveitosa harmonia, em estreito amplexo, a Igreja e a Escola. Depois de se espraiar, em oportunas considerações, apela para os pais das crianças para que as mandem sempre à Escola e auxiliem os professores na obra educativa em que estão empenhados, frisando a Bondade, o Amor, a Caridade, a boa educação são atributos de Deus que todos devemos praticar para que a Sociedade seja mais perfeita e mais justa. Seguiu-se no uso da palavra a professora sra. D. Maria Júlia de Mesquita, cujo discurso foi muito apreciado. Começou por dizer que apresentava cumprimentos às pessoas que se dignaram prestigiar esta reabertura solene das nossas aulas com a sua honrosa presença, e, ainda mais, às que se dignaram oferecer as suas dádivas para os nossos alunos. A alegria que os interessantes prémios vão proporcionar às criancinhas, serão como que um raio de felicidade a penetrar na alma dos seus benfeitores. Entre a Escola e a Família deve existir um elo firme a ligá-las na mesma sublime aspiração. Minhas queridas meninas, – continuou noutro passo, um novo ano escolar se apresenta à nossa frente. Abrem-se, uma vez mais, as portas da nossa Escola velha, e vós, como andorinhas, alegres e chilreantes, voltais. Sêde bemvindas! Sinto pena que não possais entrar já este ano para uma Escola nova, bonita, radiosa, cheia de luz, onde poderieis sentir bem-estar e doces alegrias. Três coisas vos peço: pontualidade, dedicação pelo estudo e obediência. Por último falou o reverendo pároco, que disse: “Começar um ano lectivo é acender um facho para espancar as trevas que envolvem o cérebro das criancinhas. O professor vai incutir lentamente, nessas almas em embrião, os princípios da moral e da educação cívica, o amor de Deus, da Pátria, da Família e da Sociedade, e simultaneamente espalhando a luz do ABC, que opera maravilhas quando bem orientados e cai em terreno generosamente preparado. Mas para isso é preciso que os pais auxiliem os obreiros da instrução. Agradeceu também a comparência de tão boa gente, que assim deram um nobre exemplo de amor á Instrução”. Nos intervalos foram entoados o Hino Nacional e lindas canções patrióticas. Foram distribuídos prémios aos alunos, gentilmente oferecidos pela sra. D. Sebastiana Gomes, pela Junta de Freguesia e pela Caixa Escolar. A sessão que, como dissemos, foi muito concorrida, deixou a melhor impressão em todos os assistentes. – C.

Junqueira, 15

Conforme “Renovação” publicou, faleceu há pouco, na cidade do Porto, o sr. Comendador João P. F. Rebelo de Carvalho, proprietário da “Quinta do Mosteiro”, desta freguesia.

O saudoso extinto, que tinha apenas 50 anos de idade, apesar de não ser natural desta aldeia, tinha por ela a maior simpatia, tendo determinado ser aqui sepultado.

A sua morte foi muito sentida por toda a freguesia, pois o sr. Rebelo de Carvalho, além de muito popular, era um sincero amigo das classes trabalhadoras. Que ele descanse em paz, e os nossos sentidos pêsames à família.

22 DE OUTUBRO DE 1949 Carta da Junqueira Abertura solene das aulas Teve o maior brilho, a solene inauguração do presente Ano Lectivo, que teve lugar na espaçosa Sala de Aula da Escola Masculina desta freguesia, no passado dai 7. Linda flores, colocadas por toda a Sala, nas mesas e carteiras da escola, davam um lindo aspecto ao acto que pela primeira vez se ia praticar. Ao lado da mesa do professor via-se a Bandeira Nacional, e nas paredes, em vistosos dísticos, entre outros, liam-se os seguintes pensamentos: — Se tu soubesses o que custa mandar, gostarias mais de obedecer toda a Vida. – A tua Pátria é a mais linda de todas as Pátrias: merece todos os teus sacrifícios. – Nunca ponhas o teu interesse acima do da tua família, porque tu passas e ela fica. – Faz aos outros o que quiseres que te façam a ti. Presidiu à sessão o reverendo pároco desta freguesia, ladeado pelos srs. Carlos da Silva Capela, Domingos Lopes Faria e António da Costa Faria, que constituem a Junta de Freguesia. Em lugares de destaque, sentaram-se os srs. Comendador Rebelo de Carvalho e as sras. D. Ilda Rebelo de Carvalho, D. Sebastiana Gomes, D. Mafalda Gomes Machado, Júlio da Costa Amorim, José Ferreira Boucinha, etc. Numerosos pais de alunos e outras pessoas amigas da Escola completavam a avultada assistência. Em primeiro lugar usou da palavra o professor sr. José Lopes da Costa, que agradeceu a comparência da digna Junta, dos pais das crianças e das distintas Famílias ali presentes, que vinham assim manifestar o seu interesse, a sua dedicação e simpatia pela escola dos filhos do povo da nossa terra. Agradeceu ao reverendo pároco a boa vontade com que sempre coopera nestes actos, fazendo assim viver em proveitosa harmonia, em estreito amplexo, a Igreja e a Escola. Depois de se espraiar, em oportunas considerações, apela para os pais das crianças para que as mandem sempre à Escola e auxiliem os professores na obra educativa em que estão empenhados, frisando a Bondade, o Amor, a Caridade, a boa educação são atributos de Deus que todos devemos praticar para que a Sociedade seja mais perfeita e mais justa. Seguiu-se no uso da palavra a professora sra. D. Maria Júlia de Mesquita, cujo discurso foi muito apreciado. Começou por dizer que apresentava cumprimentos às pessoas que se dignaram prestigiar esta reabertura solene das nossas aulas com a sua honrosa presença, e, ainda mais, às que se dignaram oferecer as suas dádivas para os nossos alunos. A alegria que os interessantes prémios vão proporcionar às criancinhas, serão como que um raio de felicidade a penetrar na alma dos seus benfeitores. Entre a Escola e a Família deve existir um elo firme a ligá-las na mesma sublime aspiração. Minhas queridas meninas, – continuou noutro passo, um novo ano escolar se apresenta à nossa frente. Abrem-se, uma vez mais, as portas da nossa Escola velha, e vós, como andorinhas, alegres e chilreantes, voltais. Sêde bemvindas! Sinto pena que não possais entrar já este ano para uma Escola nova, bonita, radiosa, cheia de luz, onde poderieis sentir bem-estar e doces alegrias. Três coisas vos peço: pontualidade, dedicação pelo estudo e obediência. Por último falou o reverendo pároco, que disse: “Começar um ano lectivo é acender um facho para espancar as trevas que envolvem o cérebro das criancinhas. O professor vai incutir lentamente, nessas almas em embrião, os princípios da moral e da educação cívica, o amor de Deus, da Pátria, da Família e da Sociedade, e simultaneamente espalhando a luz do ABC, que opera maravilhas quando bem orientados e cai em terreno generosamente preparado. Mas para isso é preciso que os pais auxiliem os obreiros da instrução. Agradeceu também a comparência de tão boa gente, que assim deram um nobre exemplo de amor á Instrução”. Nos intervalos foram entoados o Hino Nacional e lindas canções patrióticas. Foram distribuídos prémios aos alunos, gentilmente oferecidos pela sra. D. Sebastiana Gomes, pela Junta de Freguesia e pela Caixa Escolar. A sessão que, como dissemos, foi muito concorrida, deixou a melhor impressão em todos os assistentes. – C.
21 DE JANEIRO DE 1950 Junqueira, 15 Conforme “Renovação” publicou, faleceu há pouco, na cidade do Porto, o sr. Comendador João P. F. Rebelo de Carvalho, proprietário da “Quinta do Mosteiro”, desta freguesia. O saudoso extinto, que tinha apenas 50 anos de idade, apesar de não ser natural desta aldeia, tinha por ela a maior simpatia, tendo determinado ser aqui sepultado. A sua morte foi muito sentida por toda a freguesia, pois o sr. Rebelo de Carvalho, além de muito popular, era um sincero amigo das classes trabalhadoras. Que ele descanse em paz, e os nossos sentidos pêsames à família.
 

20 DE JANEIRO DE 1951 Junqueira, 17 Telefones – Está em pleno funcionamento a rede telefónica da Junqueira, grande melhoramento para os povos das freguesias da “Faria”, pois em todas elas se encontram instalados telefones públicos e particulares. Apenas temos a lamentar a deficiência dos telefones instalados que, por contínuas avarias, não permitem a sua utilização constante, o que muitas vezes ocasiona prejuízos e transtornos incalculáveis aos seus possuidores. Para a Direcção-Geral dos C. T. T. chamamos a sua atenção, certos de que rapidamente será remediado este estado de coisas. Publicámos a seguir a lista dos telefones da rede da Junqueira e Parada:

1 – Posto Público (em casa do sr. José Quinteira)

2 – Dr. Carlos Pinto Ferreira

3 – Eng. José Ferreira Várzea

4 – Nuno Salgueiro (Quinta do Ral)

5 – D. Olga Pinheiro

6 – João Pacheco T. Rebelo Carvalho

7 – José Gomes Neto (Quinta da Boa-Vista – Casal de Pedro)

8 – Cupertino de Miranda (Ponte D´Ave)

9 – Arnaldo Miranda Guimarães (Ponte D´Ave)

10 – Horácio Nogueira

11 – António F. Costa Magalhães

12 – Dr. Eduardo Campos Costa

13 – António José da Costa Junior

14 – Joaquim Lopes da Silva

15 – Adelino Azevedo Cunha e Pereira

16 – José Lopes da Costa

17 – José Ferreira de Lima, de Rio Mau

18 – Júlio Bento Simões (Ponte D´Este)

19 – Joaquim Ribeiro (Rio Mau)

20 – Mário da Costa Macedo – Touguinhó

21 – Américo Angeiras – Touguinhó

1 de Parada – Dr. Manuel F. Campos

2 – Abílio Guimarães, de Ferreiró

3 – Viação Costa e Lino, Lda., de Parada

4 – Manuel Gonçalves, de Bagunte

5 – Manuel Carneiro Gonçalves, de Outeiro

6 – D. Beatriz Nóbrega

7 – António José da Fonseca, de Ferreiró

30 DE MAIO DE 1953 Esteve em festa, no domingo, a freguesia da Junqueira, Por motivo da inauguração do novo edifício das Escolas Femininas, do Lavadouro da Corredoura e dum Fontenário em Vilar de Matos. O passado domingo foi dia de festa para a freguesia da Junqueira, sem dúvida uma das “mais progressivas do Concelho e uma das mais belas”, como foi acentuado por alguns oradores. Inaugurava-se um belo edifício de duas salas, construído ao abrigo do Plano dos Centenários e destinadas à Escola Feminina, no largo principal da freguesia. O contentamento reflectia-se em todos os Junqueirenses, e ainda mais nas criancinhas e suas Professoras, que se viam finalmente livres da antiga Escola, que, pela sua exiguidade, nenhumas condições pedagógicas e higiénicas possuía. E ainda mais: criava-se a Assistência Médico-Social das Escolas Femininas, seguindo as pisadas do sr. Dr. José Aroso nas escolas de Vilar do Pinheiro, com a colaboração das Senhoras Professoras e dos distintos clínicos: srs drs. Carlos Pinto Ferreira, Eduardo Campos Costa, A. Sampaio de Araújo e Alfredo Gomes Peniche. A nota mais simpática da festa, ainda, foi a homenagem sincera, espontânea, do bom povo da Junqueira a um dos seus filhos mais queridos: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, essa figura infatigável de Médico, o amigo dos pobres, o obreiro número um de todas as realizações para o bem da sua freguesia e da sua gente. O cronista já conhecia toda a sua actividade, mas, no domingo, verificou, de visu, quanto o povo da Junqueira quer ao seu Médico e ao seu Presidente da Junta. A comoção embargou-lhe a voz por mais do que uma vez, as lágrimas vieram-lhe aos olhos, comovido e surpreendido pela sinceridade e justiça de tal manifestação.

Como decorreram as manifestações

Muito antes da hora marcada, o largo em frente da escola já se encontrava repleto de pessoas de todas as condições sociais, aguardando a chegada do sr. Presidente do Município e outras entidades. A legenda “Junqueira saúda Bento Amorim”, falou por todo esse bom povo, não faltando as palmas, as flores, os vivas e os foguetes.Procedida a bênção do novo edifício pelo reverendo Pároco da freguesia, teve lugar a sessão solene num dos salões da nova escola. Presidiu o sr. Bento Amorim, ladeado pelas seguintes entidades: Dr. Carlos Pinto Ferreira; Prof. Manuel Martins Fernandes, Delegado Escolar e em representação da Direcção Escolar; Horácio Nogueira; Joaquim Lopes da Silva; reverendo Pároco, Manuel Leite de Sá; Vereador António Torres e Dr. Gualter Rodrigues. Vimos, entre a numerosa assistência, os senhores engenheiros António Dias Braga, dos edifícios escolares; José Inácio Vasconcelos, da Câmara Municipal; José Várzea e Isolino Azevedo; Drs. Emílio de Magalhães, da Liga Portuguesa de Profilaxia; Sampaio de Araújo e ex.ma esposa; Eduardo Campos Costa e António Ferreira da Costa; D. Ilda Rebelo de Carvalho e filhos; D. Maria Emelina Pinto Ferreira; Professoras D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, D. Maria de Lourdes Sequeira e D. Odette Ferreira da Costa; Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Vereadores António Torres e Joaquim Neves, Prof. Eduardo Moura, José Teixeira da Silva, Flávio Faria, José Quinteira, Ernesto Cardoso, António Faria, Alexandrino Peniche, António Ramos, Artur do Bonfim, e muitas outras pessoas de que nos foi impossível tomar nota. Cantado o Hino Nacional pelas crianças da Escola, iniciou a série dos discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, como Presidente da Junta, que depois de se referir ao significado da festa, saudou nestes termos o senhor Presidente do Município: “- Permitam-me, no entanto, que aproveite a oportunidade de destacar em lugar de relevo, a pessoa do ilustre Presidente da Edilidade Vilacondense, sr. Bento de Sousa Amorim, que, num despretensioso e acrisolado amor à nossa terra, tem procurado, no mais alto sentido da palavra – servir com aquela isenção e vigor todas as manifestações progressivas de ordem moral ou material. A nossa admiração atinge o auge, ao verificarmos que S. Exª, apesar de uma insignificante minoria tentar por vezes demolir aquilo que já podemos considerar um indelével facto na história do concelho de Vila do Conde, o seu dinamismo, os sacrifícios de toda a ordem, e, até, esta faceta singular, a sua benevolência em saber perdoar àqueles que, eivados de vaidades mal contidas, procuram toldar o brilho deste lutador incansável do bem e do progresso de Vila do Conde”. Focando a obra impulsionadora e revigorante do Estado Novo, o ilustre orador, referindo-se às novas escolas, acrescentou: “Por toda a parte onde se sente o impulso criador e renovador de Salazar e do seu Governo, se erguem, airosos e atraentes, edifícios escolares construídos dentro dos modernos conceitos higiénicos e pedagógicos. Velhas casas sombrias, sem luz, sem ar e sem sol criador que vivifica as almas e anima a Natureza, são substituídas por estes amplos e belos edifícios, onde a simplicidade de linhas e elegância de construções se conjugam num todo harmonioso que encanta e seduz”. Dirige saudações ao sr. Delegado Escolar, como representante do Ministério da Educação, ao reverendo Pároco e depois de traçar várias considerações – de que a falta de espaço impede a sua transcrição – sobre o problema magno da saúde da criança, o sr. Dr. Pinto Ferreira, referindo-se à criação da Assistência Médica à criança, diz: “Como médico e sanitarista, dentro dos princípios da Direcção Geral de Saúde, conducentes à redução de mortalidade e morbilidade pela profilaxia e medicina preventiva, acarinhei a ideia com a colaboração valiosa e desinteressada da Ex.ma Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta directora desta escola, de fundação neste dia festivo da inauguração da Obra de Assistência Médico Social das Escolas Femininas desta freguesia. Obra de boa vontade a bem da saúde pública e da educação, como lhe chamou o sr. Dr. José Aroso, criador no nosso país desta modalidade de medicina preventiva, vamos, como a colaboração das professoras e dos distintos clínicos: srs. Drs. Campos Costa, Sampaio de Araújo e Alfredo Peniche e outros amigos das crianças e do seu bem estar, lançar ombros a esta campanha de saúde pública a Bem da Nação”. E o sr. Dr. Pinto Ferreira, escutado sempre com o maior interesse, termina o discurso, dizendo: “-Aproveito a ocasião de nos encontrarmos aqui reunidos, para vos lembrar, neste dia festivo, algumas figuras que pelo seu desinteresse e sacrifício, tornaram possível a construção deste edifício, neste óptimo lugar, e a outros que, apesar de viverem em longes paragens, acarinharam do fundo do coração esta realização, contribuindo com palavras de incitamento e generosa dádiva, dando assim o exemplo edificante para as gerações presentes e vindouras e aos homens de boa vontade a certeza de mais uma vitória para o engrandecimento da nossa querida Junqueira. E, assim, suponde, sem querer ferir melindres ou susceptibilidades, não esquecerei a ajuda e colaboração das pessoas que mais directamente estavam interessadas, terminando por envolver nestas minhas homenagens o bom povo laborioso e honesto desta linda freguesia, sempre pronto a colaborar com a sua presença em todos os actos que dizem respeito ao engrandecimento e progresso desta Terra sem par”. Falou, em seguida, a Directora da Escola Feminina, a sra. Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Saudou as Autoridades presentes, referiu-se à grandeza do melhoramento e descreveu as dificuldades que teve, para poder ensinar na antiga Escola “com 61 crianças dos 7 aos 8 anos, acumuladas em 17 carteiras, num recinto pequeníssimo, mal iluminado, anti-pedagógico, sem sol da vida, o ar, a luz, o espaço. Só a esperança de que em breve teria realização este belo sonho, me deu alento para continuar calmamente a minha missão de Outubro a esta parte. Felizmente que a tempestade passou. Hoje brilha o Sol doirado em nossas almas”… A sra. Professora referiu-se também à obra de Assistência Médica à criança, agradece aos Clínicos que a vão dirigir, e acrescenta: “Ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, dilecto Filho desta linda terra da Junqueira e que como Director ilustre desta obra de protecção à infância, vai ser o mais sacrificado de todos, patenteamos a nossa eterna gratidão. Estou bem certa de que S. Ex.ª, com aquela bondade que é apanágio da sua alma nobre, nem uma só vez deixará de acorrer prontamente ao chamamento das crianças da sua Terra natal, pela qual pugna com tanto interesse e carinho”. Depois de uma pequena da escola ter dirigido uma saudação ao sr. Presidente do Município, falou o sr. Prof. Manuel Martins Fernandes, delegado escolar, que disse: – “Está de parabéns a Junqueira; o ambiente festivo, a elite que aqui se reuniu, mostra com a sua presença que se orgulha pela elevação da sua Terra. Na pessoa do sr. Dr. Pinto Ferreira, eu saúdo esta linda Terra, que a Natureza encheu de flores e de verdura. Junqueira está de parabéns; o tapete, as flores com que recebeste o sr. Bento Amorim deve-se à vossa fidalguia… Fala do esforço e zelo que o sr. Bento Amorim tem posto ao serviço da educação do concelho. Aconselha ainda todas as pessoas a inscreverem-se nos dois cursos de educação que funcionam na freguesia, e terminou: – “A Escola inaugura-se e oxalá que ela realize a sua função. Levo a melhor impressão: a criação da Assistência Médica à criança. É necessário garantir antes a saúde ao corpo da criança e depois fazer dela a beleza moral, a educação da sua alma de forma a valorizá-la para engrandecimento e continuidade da Raça Portuguesa”. Encerrou a sessão o sr. Presidente da Câmara, que disse: – Em Política há um dualismo: uns vivem pela sua terra. É um exemplo de civismo, de verdade, um homem que não olha a sacrifícios”. E acrescentou, depois de breves considerações: – “Como sempre, o Presidente da Câmara continua inteiramente ao dispor das boas iniciativas”. Finda a sessão solene, inauguraram-se as novas instalações sanitárias da Escola Masculina, o lavadouro no lugar da Corredoura e o Fontenário de Vilar de Matos, obras devidas à Junta de Freguesia, a que preside o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Realizou-se também uma visita à capela da Senhora das Graças, que recentemente foi restaurada pelos beneméritos desta freguesia Ex.mos Srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, visita essa que deixou as melhores impressões às entidades oficiais. Finalmente, pela Junta de Freguesia foi oferecido, em casa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às entidades oficiais e convidades, um bem servido “copo de água”. Brindaram pelas prosperidades do sr. Dr. Pinto Ferreira, ex.ma família e pela Junqueira, os srs. Bento Amorim, Delegado Escolar, Dr. Gualter Rodrigues, Prof. Eduardo Moura, João Rebelo de Carvalho e Celso Pontes. Agradecendo, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira a presença de tão ilustres pessoas nesse dia de festa para a Junqueira, disse: -“Habituado a trabalhar em bem dos outros, sinto-me bem em seguir esse caminho; a trabalhar contra os outros não sei fazer nada. O que tenho feito devo-o também a compreensão do povo desta freguesia, que fora uma pequena minoria, está connosco em todas as iniciativas para bem da nossa terra”. E dirigindo-se ao sr. Bento Amorim, acrescentou: “A Junqueira, sr. Presidente, acompanha-lo-á haja o que houver, porque em V. Ex.ª reconhecemos a pessoa que trabalha verdadeiramente por Vila do Conde. Não olhando ao que se diz, porque assim nada se faz, continue a velar por Vila do Conde”. Assim terminou esta simpática festa, que o povo laborioso e bom da Junqueira soube viver e, reconhecido, não esqueceu quem, por ela, tão desinteressadamente, tem trabalhado.

Notas Soltas De manhã, o reverendo Pároco rezou uma missa de Acção de Graças com a assistência das autoridades locais, crianças da escola, etc. – Uma ampliação sonora do Centro Comercial Vilacondense, retransmitiu para o exterior os discursos pronunciados na sessão solene. – Os laboratórios “Bial”, por intermédio do sr. Dr. António Ferreira da Costa, filho desta terra ofereceram grande número de remédios à obra de Assistência Escolar. – O cronista, encarregado desta reportagem, agradece as facilidades dispensadas, facilitando assim a sua missão. F. Soares Gonçalves COM VÁRIAS FOTOS 

9 DE FEVEREIRO DE 1957 Junqueira, 4 Num magnífico salão da “Casa do Mosteiro”, efectuou-se no dia 27 de Janeiro último uma reunião de estudo, em vistas à organização de uma Obra de Assistência Social nesta freguesia. Porque o problema é complexo e os grandes jornais já o noticiaram, limitamo-nos apenas a um resumo substancial. Estiveram presentes as pessoas de maior destaque no nosso meio. Aberta a sessão pelo sr. João Rebelo de Carvalho, falou em seguida o reverendo Pároco desta freguesia, que focou o objectivo da obra e a sua orgânica, que é igual à das Conferências Vicentinas e Centros de Assistência. O sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira louvou e incitou tão bela iniciativa, propondo a todos o exemplo de Fajozes e Mosteiró – as únicas freguesias deste concelho com obras de assistência. É justo que o seu exemplo tão nobre seja seguido por toda a parte. Numa brilhante alocução, o sr. Professor Lopes da Costa apresentou uma súmula de ideias práticas para a concretização do mesmo fim, sem esquecermos as oportunas sugestões dos srs. Nuno Salgueiro e Manuel Leite de Sá. Assumiram, para já, o fatigante encargo da organização, os srs. João Rebelo de Carvalho, pe. Manuel Baptista de Sousa, António Magalhães Júnior e Júlio da Costa Amorim. Que todos compreendam o seu esforço e prestem o seu concurso moral e material a tão digna cruzada de auxílio aos necessitados, são os nossos votos.

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