José Manuel Figueiredo Leite de Sá

Dados biográficos:

– filho de Manuel Domingues Leite de Sá e de Aldina Dias de Figueiredo

– irmão de Ana Maria Figueiredo Leite de Sá

– sobrinho de Constança Leite de Sá

– neto de Manuel José de Figueiredo

Notícias completas:

Primeira Comunhão

20 DE OUTUBRO DE 1956, Junqueira, 15 No dia 13 do corrente mês, na nossa Igreja Paroquial, foi distribuída a Primeira Comunhão, pelo reverendo Abade, ao menino José Manuel Figueiredo Leite de Sá e a sua irmã, a menina Ana Maria, filho do sr. Manuel Domingues Leite de Sá, digno Regedor desta freguesia e da sra. D. Aldina Dias de Figueiredo. Ao acto assistiram, além dos pais, sua tia paterna, D. Constança Leite de Sá e seu avô materno, sr. Manuel José de Figueiredo, ilustre Professor Primário e Presidente da Junta da vizinha freguesia de Rio Mau.

14 DE SETEMBRO DE 1974 Opinião, por José Manuel Figueiredo Leite de Sá Hoje em dia é já um lugar comum apelidar de “fascista” todo aquele que directa ou indirectamente serviu de suporte ao regime deposto, desde o dia 25 de Abril. É usual, também, aplicar o epíteto “reaccionário” a quem actua, ou perfilha, ideias contrárias ao “stablishment”. Todavia, as palavras podem ter as acepções mais inverosímeis consoante o seu enquadramento no contexto em que estão integradas. Será lícito – na actual situação político-social, em que o pluralismo ideológico é não só permitido mas até incrementado – falar-se em reacção? Será reacção, o facto de numa democracia haver um ou vários grupos que não afinem pelo mesmo diapasão ideológico? Ou será, pelo contrário, um sintoma de salutar discussão? O que será, afinal, a Democracia? Todas estas perguntas exigem uma profunda ponderação e, convenhamos que é difícil emitir uma resposta cabal. Comecemos pela última: o que é a Democracia? Parafraseando Zeca Afonso, será, “grosso modo”: “o Povo é quem mais ordena”. Destarte, somos levados a concluir que o conceito de Democracia não pode ser estático, é dinâmico e está subordinado a vários parâmetros: o nível e influência cultural, a distribuição etária e, na generalidade, o “modus vivendi” normal do Povo. Há 500 anos, havia princípios aceites pela sociedade que, hoje, não o podem ser; no Hawai, há princípios considerados democráticos que já o não seriam na Irlanda ou na Tasmânia. A Democracia não é um compartimento estanque mas, pelo contrário, uma realidade condicionada pelo tempo e pelo espaço; é tão maleável que serve de substrato ideológico a várias correntes políticas: Maoista, Marxista, Argeliana, Leninista, Marcusiana, etc. Democracia é a Liberdade instituída pelo Povo e para o Povo. O que será então, a reacção? É toda a acção que vai, directa ou indirectamente colidir com as Liberdades Democráticas. Exemplificando: o anti-comunismo é reacionário? É, na medida em que for uma manifestação que vise ostensivamente agredir uma ideologia comumente aceite numa vasta gama de forças tidas por democráticas. Será reacção, ostentar um credo político que se encontra em situação minoritária na actual panorâmica política? Não, desde que esse grupo conheça e queira cumprir as regras do jogo democrático. Será reaccionário o órgão informativo que publica opiniões do Povo que não se integram nas correntes políticas dominantes? Não, desde que esse órgão não faça passar pelo crivo da censura ideológicas todas as opiniões a ele chegadas. Se o fizer, então será declaradamente reaccionário. O facto de o vento político soprar da direita e eu me encontrar no centro não me outorga automaticamente o apodo de reaccionário; assim como, quando o vento sopra da esquerda e eu me encontro ao centro, não se pode chamar reaccionária à minha posição. Talvez coerente. Àqueles que se vergam para a direita quando o vento dominante os empurra para esse lado e imediatamente viram para a esquerda se o vento muda de rumo, há quem diga que possuem a “virtude” da maleabilidade; eu chamar-lhe-ei, no entanto, falta de verticalidade. Concluindo: será reaccionária a posição desses indivíduos e desses órgãos de informação? Os dados estão lançados. “Faites vous jeux, monsieurs!” S. Simão, 10/9/74

15 DE FEVEREIRO DE 1975 Os Proletários burgueses, por José Manuel Figueiredo Leite de Sá A moda, essa grilheta invisível que escraviza e simultaneamente fascina o indivíduo, manifesta-se nas mais variadas facetas do comportamento humano; todos nós somos mais ou menos influenciáveis a ela. Ao falarmos de moda, referimo-nos usualmente à fazenda, corte e tonalidade mais em voga, numa determinada estação do ano; nesta acepção, temos a moda ditada por Pierre Cardin, Coco Channel, Yves de Saint Laurent, etc. Todavia, a moda a que me vou referir, é a moda das ideologias e dos comportamentos: aquela que vai ditando formas de pensar, vai apregoando roupagens intelectuais, com as mais garridas ou taciturnas cores. Tanto estas como aquelas, podem ter aspectos escravizantes, segundo o grau de receptividade das massas a que elas se destinam. É uma verdade comumente aceite em Psicologia, que o inferior tem tendência para imitar o superior. Num País infra-desenvolvido como o nosso, quer no domínio económico, quer no campo cultura, a maioria das pessoas é demasiado atreita a idolatrias sociais, colocando em pedestais dourados, cidadãos vulgares de Lineu que, pelo simples facto de darem uns pontapés numa bola, de fazerem discursos gongóricos ou por terem uma vida privada muito agitada, são, para muitos, o paradigma da personalidade, o supra-sumo da eloquência. No nosso País, doa a quem doer, o Povo olhou sempre a burguesia com um misto de admiração e de subserviência. Poucos foram os que se recusaram a essa vassalagem atávica, prestada pelo Povo às classes ditas “superiores”. Todavia, após o 25 de Abril, irrompeu por todo o País, qual lava incandescente, vomitada por vulcão até então adormecido, um ódio e uma irreverência selvagem, contra aqueles a quem, anteriormente, faziam vénias e lambiam as botas. Agora, a moda é ser proletário; toda a gente apregoa a sua origem popular, mesmo aqueles que antigamente faziam gala dos seus relacionamentos burgueses, da sua família – “bem”, da sua ascendência “fidalga”! Agora, dizem que são do “campo”!… E o Povo? Esse, que poucos conhecem, continua a “dar o corpo ao manifesto”, continua a verter suor para poder dar de comer aos filhos e até, indirectamente, para pagar aos “advogados” (políticos) que, por toda a parte pululam, arvorando-se em defensores da causa popular! Alguns desses “advogados” do Povo, que parecem ser mais Povo que o próprio Povo, autointitulam-se de proletários, mas frequentam os locais mais sofisticados, atrelam-se a companhias dispendiosas, são noctívagos inveterados porque não têm horas de levantar e, apesar de tudo, consideram-se proletários!… Em suma, está na moda ser proletário, está na moda ser político… mas quando virá a moda de trabalhar a sério?

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