Dados biográficos:

  • nascido a 18 de Fevereiro
  • comerciante
  • filho de Maria Pires Bouça Quinteira e de António Quinteira
  • genro de Manuel Pinto Ferreira
  • cunhado de Carlos Pinto Ferreira e Manuel Pinto Ferreira (filho)

Nota do Amar Junqueira a 25 de Julho de 2010: “Com os seus cabelos brancos imaculados, aquele olhar vivo e atento, era um homem de coração ao pé da boca mas de um carácter exemplar. Capaz de um murro na mesa, vibrante, mas também de uma explosão de alegria e um abraço apaziguador. Foi preso no tempo da guerra. Por causa do racionamento do pão. Defendia o povo contra os abusos. Era uma alma popular…”

JoseQuinteira

Arquivo Distrital do Porto

Passaportes – Livro 48

Referência: PT/ADPRT/AC/GCPRT/J-E/032/3576_m0218.tif

 

Notícias completas:

2 DE NOVEMBRO DE 40 Com 66 anos de idade, faleceu em Agarez, Vila Real, a sra. D. Maria Pires Bouça Quinteira, mãe do nosso querido amigo sr. José Quinteira, comerciante na freguesia da Junqueira.

14 DE AGOSTO DE1948 Falecimento Manuel Ferreira Pinto Faleceu, subitamente, na última terça-feira, na freguesia da Junqueira, deste concelho, o nosso velho amigo sr. Manuel Ferreira Pinto, Presidente da Junta e antigo e considerado comerciante.
Era pai dos exmos. Srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira, nosso querido director e subdelegado de Saúde neste concelho, e dr. Manuel Pinto Ferreira, advogado e notário em Louzada, e sogro do sr. José Quinteira, conceituado comerciante naquela freguesia.
O extinto, que pela afabilidade do seu trato conquistou muitas a firmes amizades, foi um trabalhador infatigável que pelo seu esforço se fez e aos seus deixou a lição do que pode uma vontade forte e honestamente guiada.
Dificuldades soube encará-las sem desânimos, e à formação moral e intelectual de seus filhos deu sempre o mais carinhoso interesse da sua vida. Neles podia rever-se com orgulho. E por seu velho pai, que tão bem o soube ser, podiam eles ter também, com justiça, a profunda afeição e respeito que lhe dispensavam.
Serviu vários cargos públicos com diligência e patriotismo; foi para com todos de uma perfeita correcção e lealdade; e de si fica a lição de um homem bom que sempre quis viver dignamente a sua vida.
Renovação sente a morte do seu velho amigo e apresenta à sua exma. Família, e especialmente a seus filhos, a expressão sincera do seu pesar.
O seu funeral foi largamente concorrido, e dele daremos, no próximo número, mais larga referência.

11 DE NOVEMBRO DE 1950 Junqueira, 7 Quem, há cerca de uma vintena de anos, assiste à realização de melhoramentos em cidades, vilas e aldeias de Portugal, não pode deixar de bem-dizer e louvar o Chefe sob cuja égide tanto e tanto se tem feito – Salazar. Da continuidade da Revolução Nacional, da sua acção e realização muito temos a esperar. E, se o que vemos por todo o país – hospitais, assistência social, estradas, portos, serviços hidroeléctricos, ordem e progresso em todos os sectores da economia nacional – nos enobrece e encanta, tudo levado a cabo sob a orientação de quem não conhece desânimos perante os factos mais transcendentes, porque “sabe o que quer e para onde vai”, é necessário que todos enfileiremos a seu lado, firmes e resolutos, para prestígio e apoio de quem tão sabiamente nos guindou à era de renascimento que atravessamos. A toda a parte chegam os benefícios do Governo do Estado Novo. Assim, trabalham activamente os funcionários dos CTT na montagem da rede telefónica desta freguesia, cuja Central fica instalada no estabelecimento do sr. José Quinteira. Nesta freguesia estão a ser montados 16 telefones particulares, ficando, também, ligadas a esta central as freguesias de Touguinhó, Rio Mau, Bagunte, Parada, Ferreiró e Outeiro, perfazendo um total, para já, de 28 telefones. Importante melhoramento para esta região da margem direita do Ave, ao Governo da Nação rendemos o nosso preito de reconhecimento e gratidão por tão alto benefício recebido.

16 DE DEZEMBRO DE 1950 Melhoramentos telefónicos no concelho Foi há dias inaugurada uma nova central telefónica que tem por centro a freguesia de S. Simão da Junqueira e que se encontra instalada no estabelecimento do nosso amigo sr. José Quinteira. A respectiva rede fica a servir além daquela, com 16 instalações, as freguesias de Touguinhó, Parada, com 4 cada uma, e as de Outeiro, Rio Mau, Ferreiró e Bagunte com 2 cada uma num total de 32 instalações, estando para breve o seu alargamento à freguesia de Arcos. Além daquelas instalações, todas particulares, existem ainda dois postos públicos: em Parada e em Rio Mau. Como facilmente se depreenderá, foi um grande melhoramento para aquela populosa zona do nosso concelho, se bem que, em comunicações com a sede, tenha ficado em regime de chamadas inter-urbanas, que têm de ser pagas a razão de 2$00 cada período.

20 DE JANEIRO DE 1951 Junqueira, 17 Telefones – Está em pleno funcionamento a rede telefónica da Junqueira, grande melhoramento para os povos das freguesias da “Faria”, pois em todas elas se encontram instalados telefones públicos e particulares. Apenas temos a lamentar a deficiência dos telefones instalados que, por contínuas avarias, não permitem a sua utilização constante, o que muitas vezes ocasiona prejuízos e transtornos incalculáveis aos seus possuidores. Para a Direcção-Geral dos C. T. T. chamamos a sua atenção, certos de que rapidamente será remediado este estado de coisas. Publicámos a seguir a lista dos telefones da rede da Junqueira e Parada:

1 – Posto Público (em casa do sr. José Quinteira)

2 – Dr. Carlos Pinto Ferreira

3 – Eng. José Ferreira Várzea

4 – Nuno Salgueiro (Quinta do Ral)

5 – D. Olga Pinheiro

6 – João Pacheco T. Rebelo Carvalho

7 – José Gomes Neto (Quinta da Boa-Vista – Casal de Pedro)

8 – Cupertino de Miranda (Ponte D´Ave)

9 – Arnaldo Miranda Guimarães (Ponte D´Ave)

10 – Horácio Nogueira

11 – António F. Costa Magalhães

12 – Dr. Eduardo Campos Costa

13 – António José da Costa Junior

14 – Joaquim Lopes da Silva

15 – Adelino Azevedo Cunha e Pereira

16 – José Lopes da Costa

17 – José Ferreira de Lima, de Rio Mau

18 – Júlio Bento Simões (Ponte D´Este)

19 – Joaquim Ribeiro (Rio Mau)

20 – Mário da Costa Macedo – Touguinhó

21 – Américo Angeiras – Touguinhó

1 de Parada – Dr. Manuel F. Campos

2 – Abílio Guimarães, de Ferreiró

3 – Viação Costa e Lino, Lda., de Parada

4 – Manuel Gonçalves, de Bagunte

5 – Manuel Carneiro Gonçalves, de Outeiro

6 – D. Beatriz Nóbrega

7 – António José da Fonseca, de Ferreiró

18 DE ABRIL DE 1953 Empreza Têxtil da Junqueira, L.da Por escritura de 21 de Novembro de 1947, lavrada a fls. 93 v.º do livro próprio n.º 448 do cartório a cargo do então notário de Vila do Conde bacharel António Maria Pereira Júnior, foi constituída entre António José da Costa Junior, D. Maria dos Anjos Ferreira da Costa, José Quinteira e Dr. Carlos Pinto Ferreira, uma sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada, nos termos seguintes:

1º A sociedade adopta a denominação de Empreza Têxtil da Junqueira, L.da, e fica com a sua sede no lugar da Garrida, freguesia da Junqueira, comarca de Vila do Conde.

2º O seu objecto é a exploração da indústria de manufactura de tecidos de algodão, seda e mistos e seu comércio, podendo de futuro adicionar qualquer outro ramo de indústria ou comércio ou mesmo substituir aquele, com excepção do bancário.

3º A sua duração é por tempo indeterminado e o seu início é do dia 1 do próximo mês de Dezembro.

4º O capital social, já todo realizado, é de 180.000$, representado por quatro quotas, sendo duas de 30.000$ cada uma, dos sócios António José da Costa Junior e D. Maria dos Anjos Ferreira da Costa e duas de 60.000$ cada uma, dos sócios José Quinteira e Dr. Carlos Pinto Ferreira.

5º A cessão de quotas a estranhos fica dependente do consentimento da sociedade, a qual poderá, querendo, amortizar qualquer quota que se pretenda alienar, pagando-a pelo seu valor.

6º Os sócios têm preferência na cessão de quotas a estranhos quando a sociedade não tenha querido fazer a amortização delas.

7º A sociedade será representada, em juízo e fora dele, activa e passivamente, por todos os sócios que ficam sendo gerentes, mas para que fique obrigada será necessário que os respectivos actos sejam assinados pelos sócios António José da Costa Junior, José Quinteira e Dr. Carlos Pinto Ferreira.

8º Os balanços dar-se-ão no dia 31 de Dezembro de cada ano e os lucros líquidos obtidos, depois de retirados 5 por cento para o fundo de reserva legal, serão divididos pelos sócios na proporção das respectivas quotas.

9º As assembleias gerais serão convocadas por meio de cartas registadas, expedidas aos sócios com antecedência de cinco dias, salvo nos casos em que a lei exija outra forma de convocação.

10º Dissolvida a sociedade, proceder-se-ão à liquidação e partilha como se deliberar, salvo se algum sócio quiser ficar com o estabelecimento social, isto é, como todo o activo e passivo da sociedade, caso em que a adjudicação lhe será feita pelo valor em que acordarem. Se todos os sócios pretenderem o estabelecimento, haverá licitação entre eles e será preferido o que mais vantagens oferecer.

11º Nos casos omissos regulação as deliberações da assembleia geral e as disposições legais.

Vila do Conde, 17 de Março de 1953. O Notário, João Filomeno Afonso dos Santos.

Empreza Têxtil da Junqueira, L.da

Por escritura de 7 de Fevereiro de 1953, lavrada na secretaria notarial de Vila do Conde, fl. 79 c.º do livro próprio n.º 484 do cartório a cargo do notário licenciado João Filomeno Afonso dos Santos, foram cedidas pelos sócios António José da Costa Junior e D. Maria dos Anjos Ferreira da Costa, respectivamente aos consócios Dr. Carlos Pinto Ferreira e José Quinteira, as quotas de 30.000$ que cada um deles possuía na sociedade comercial por quotas Empreza Têxtil da Junqueira, L.da, com sede no lugar da Garrida, freguesia da Junqueira, concelho de Vila do Conde.

Vila do Conde, 17 de Março de 1953. O Notário, João Filomeno Afonso dos Santos.

Têxtil da Garrida, Lda.

Por escritura de 7 de Fevereiro de 1953, lavrada na secretaria notarial de Vila do Conde, a fls. 79 v.º do livro próprio n.º 484 do cartório a cargo do notário licenciado João Filomeno Afonso dos Santos, outorgada pelos únicos sócios, José Quinteira e dr. Carlos Pinto Ferreira, da sociedade comercial por quotas Empresa Têxtil da Junqueira, Lda., com sede no lugar da Garrida, da freguesia da Junqueira, do concelho de Vila do Conde, foi modificada a denominação da sociedade, tendo sido adoptada, em vez da anterior, a de Têxtil da Garrida, Lda., e alterado parcialmente o respectivo pacto social, substituindo os artigos 1.0, 4.0 e 7.0, os quais passaram a ter a seguinte redacção:

Artigo 1º A sociedade adopta a denominação de Têxtil da Garrida, Lda., e fica com a sede no lugar da Garrida, da freguesia da Junqueira, do concelho de Vila do Conde.

Artigo 4º O capital social, todo inteiramente realizado em dinheiro, é de 180.000$, representado por duas quotas iguais de 90.000$, uma de cada sócio.

Artigo 7º A gerência da sociedade fica a cargo de ambos os sócios.

Vila do Conde, 17 de Março de 1953. O Notário, João Filomeno Afonso dos Santos.

30 DE MAIO DE 1953 Esteve em festa, no domingo, a freguesia da Junqueira, Por motivo da inauguração do novo edifício das Escolas Femininas, do Lavadouro da Corredoura e dum Fontenário em Vilar de Matos. O passado domingo foi dia de festa para a freguesia da Junqueira, sem dúvida uma das “mais progressivas do Concelho e uma das mais belas”, como foi acentuado por alguns oradores. Inaugurava-se um belo edifício de duas salas, construído ao abrigo do Plano dos Centenários e destinadas à Escola Feminina, no largo principal da freguesia. O contentamento reflectia-se em todos os Junqueirenses, e ainda mais nas criancinhas e suas Professoras, que se viam finalmente livres da antiga Escola, que, pela sua exiguidade, nenhumas condições pedagógicas e higiénicas possuía. E ainda mais: criava-se a Assistência Médico-Social das Escolas Femininas, seguindo as pisadas do sr. Dr. José Aroso nas escolas de Vilar do Pinheiro, com a colaboração das Senhoras Professoras e dos distintos clínicos: srs drs. Carlos Pinto Ferreira, Eduardo Campos Costa, A. Sampaio de Araújo e Alfredo Gomes Peniche. A nota mais simpática da festa, ainda, foi a homenagem sincera, espontânea, do bom povo da Junqueira a um dos seus filhos mais queridos: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, essa figura infatigável de Médico, o amigo dos pobres, o obreiro número um de todas as realizações para o bem da sua freguesia e da sua gente. O cronista já conhecia toda a sua actividade, mas, no domingo, verificou, de visu, quanto o povo da Junqueira quer ao seu Médico e ao seu Presidente da Junta. A comoção embargou-lhe a voz por mais do que uma vez, as lágrimas vieram-lhe aos olhos, comovido e surpreendido pela sinceridade e justiça de tal manifestação.

Como decorreram as manifestações

Muito antes da hora marcada, o largo em frente da escola já se encontrava repleto de pessoas de todas as condições sociais, aguardando a chegada do sr. Presidente do Município e outras entidades. A legenda “Junqueira saúda Bento Amorim”, falou por todo esse bom povo, não faltando as palmas, as flores, os vivas e os foguetes.Procedida a bênção do novo edifício pelo reverendo Pároco da freguesia, teve lugar a sessão solene num dos salões da nova escola. Presidiu o sr. Bento Amorim, ladeado pelas seguintes entidades: Dr. Carlos Pinto Ferreira; Prof. Manuel Martins Fernandes, Delegado Escolar e em representação da Direcção Escolar; Horácio Nogueira; Joaquim Lopes da Silva; reverendo Pároco, Manuel Leite de Sá; Vereador António Torres e Dr. Gualter Rodrigues. Vimos, entre a numerosa assistência, os senhores engenheiros António Dias Braga, dos edifícios escolares; José Inácio Vasconcelos, da Câmara Municipal; José Várzea e Isolino Azevedo; Drs. Emílio de Magalhães, da Liga Portuguesa de Profilaxia; Sampaio de Araújo e ex.ma esposa; Eduardo Campos Costa e António Ferreira da Costa; D. Ilda Rebelo de Carvalho e filhos; D. Maria Emelina Pinto Ferreira; Professoras D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, D. Maria de Lourdes Sequeira e D. Odette Ferreira da Costa; Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Vereadores António Torres e Joaquim Neves, Prof. Eduardo Moura, José Teixeira da Silva, Flávio Faria, José Quinteira, Ernesto Cardoso, António Faria, Alexandrino Peniche, António Ramos, Artur do Bonfim, e muitas outras pessoas de que nos foi impossível tomar nota. Cantado o Hino Nacional pelas crianças da Escola, iniciou a série dos discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, como Presidente da Junta, que depois de se referir ao significado da festa, saudou nestes termos o senhor Presidente do Município: “- Permitam-me, no entanto, que aproveite a oportunidade de destacar em lugar de relevo, a pessoa do ilustre Presidente da Edilidade Vilacondense, sr. Bento de Sousa Amorim, que, num despretensioso e acrisolado amor à nossa terra, tem procurado, no mais alto sentido da palavra – servir com aquela isenção e vigor todas as manifestações progressivas de ordem moral ou material. A nossa admiração atinge o auge, ao verificarmos que S. Exª, apesar de uma insignificante minoria tentar por vezes demolir aquilo que já podemos considerar um indelével facto na história do concelho de Vila do Conde, o seu dinamismo, os sacrifícios de toda a ordem, e, até, esta faceta singular, a sua benevolência em saber perdoar àqueles que, eivados de vaidades mal contidas, procuram toldar o brilho deste lutador incansável do bem e do progresso de Vila do Conde”. Focando a obra impulsionadora e revigorante do Estado Novo, o ilustre orador, referindo-se às novas escolas, acrescentou: “Por toda a parte onde se sente o impulso criador e renovador de Salazar e do seu Governo, se erguem, airosos e atraentes, edifícios escolares construídos dentro dos modernos conceitos higiénicos e pedagógicos. Velhas casas sombrias, sem luz, sem ar e sem sol criador que vivifica as almas e anima a Natureza, são substituídas por estes amplos e belos edifícios, onde a simplicidade de linhas e elegância de construções se conjugam num todo harmonioso que encanta e seduz”. Dirige saudações ao sr. Delegado Escolar, como representante do Ministério da Educação, ao reverendo Pároco e depois de traçar várias considerações – de que a falta de espaço impede a sua transcrição – sobre o problema magno da saúde da criança, o sr. Dr. Pinto Ferreira, referindo-se à criação da Assistência Médica à criança, diz: “Como médico e sanitarista, dentro dos princípios da Direcção Geral de Saúde, conducentes à redução de mortalidade e morbilidade pela profilaxia e medicina preventiva, acarinhei a ideia com a colaboração valiosa e desinteressada da Ex.ma Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta directora desta escola, de fundação neste dia festivo da inauguração da Obra de Assistência Médico Social das Escolas Femininas desta freguesia. Obra de boa vontade a bem da saúde pública e da educação, como lhe chamou o sr. Dr. José Aroso, criador no nosso país desta modalidade de medicina preventiva, vamos, como a colaboração das professoras e dos distintos clínicos: srs. Drs. Campos Costa, Sampaio de Araújo e Alfredo Peniche e outros amigos das crianças e do seu bem estar, lançar ombros a esta campanha de saúde pública a Bem da Nação”. E o sr. Dr. Pinto Ferreira, escutado sempre com o maior interesse, termina o discurso, dizendo: “-Aproveito a ocasião de nos encontrarmos aqui reunidos, para vos lembrar, neste dia festivo, algumas figuras que pelo seu desinteresse e sacrifício, tornaram possível a construção deste edifício, neste óptimo lugar, e a outros que, apesar de viverem em longes paragens, acarinharam do fundo do coração esta realização, contribuindo com palavras de incitamento e generosa dádiva, dando assim o exemplo edificante para as gerações presentes e vindouras e aos homens de boa vontade a certeza de mais uma vitória para o engrandecimento da nossa querida Junqueira. E, assim, suponde, sem querer ferir melindres ou susceptibilidades, não esquecerei a ajuda e colaboração das pessoas que mais directamente estavam interessadas, terminando por envolver nestas minhas homenagens o bom povo laborioso e honesto desta linda freguesia, sempre pronto a colaborar com a sua presença em todos os actos que dizem respeito ao engrandecimento e progresso desta Terra sem par”. Falou, em seguida, a Directora da Escola Feminina, a sra. Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Saudou as Autoridades presentes, referiu-se à grandeza do melhoramento e descreveu as dificuldades que teve, para poder ensinar na antiga Escola “com 61 crianças dos 7 aos 8 anos, acumuladas em 17 carteiras, num recinto pequeníssimo, mal iluminado, anti-pedagógico, sem sol da vida, o ar, a luz, o espaço. Só a esperança de que em breve teria realização este belo sonho, me deu alento para continuar calmamente a minha missão de Outubro a esta parte. Felizmente que a tempestade passou. Hoje brilha o Sol doirado em nossas almas”… A sra. Professora referiu-se também à obra de Assistência Médica à criança, agradece aos Clínicos que a vão dirigir, e acrescenta: “Ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, dilecto Filho desta linda terra da Junqueira e que como Director ilustre desta obra de protecção à infância, vai ser o mais sacrificado de todos, patenteamos a nossa eterna gratidão. Estou bem certa de que S. Ex.ª, com aquela bondade que é apanágio da sua alma nobre, nem uma só vez deixará de acorrer prontamente ao chamamento das crianças da sua Terra natal, pela qual pugna com tanto interesse e carinho”. Depois de uma pequena da escola ter dirigido uma saudação ao sr. Presidente do Município, falou o sr. Prof. Manuel Martins Fernandes, delegado escolar, que disse: – “Está de parabéns a Junqueira; o ambiente festivo, a elite que aqui se reuniu, mostra com a sua presença que se orgulha pela elevação da sua Terra. Na pessoa do sr. Dr. Pinto Ferreira, eu saúdo esta linda Terra, que a Natureza encheu de flores e de verdura. Junqueira está de parabéns; o tapete, as flores com que recebeste o sr. Bento Amorim deve-se à vossa fidalguia… Fala do esforço e zelo que o sr. Bento Amorim tem posto ao serviço da educação do concelho. Aconselha ainda todas as pessoas a inscreverem-se nos dois cursos de educação que funcionam na freguesia, e terminou: – “A Escola inaugura-se e oxalá que ela realize a sua função. Levo a melhor impressão: a criação da Assistência Médica à criança. É necessário garantir antes a saúde ao corpo da criança e depois fazer dela a beleza moral, a educação da sua alma de forma a valorizá-la para engrandecimento e continuidade da Raça Portuguesa”. Encerrou a sessão o sr. Presidente da Câmara, que disse: – Em Política há um dualismo: uns vivem pela sua terra. É um exemplo de civismo, de verdade, um homem que não olha a sacrifícios”. E acrescentou, depois de breves considerações: – “Como sempre, o Presidente da Câmara continua inteiramente ao dispor das boas iniciativas”. Finda a sessão solene, inauguraram-se as novas instalações sanitárias da Escola Masculina, o lavadouro no lugar da Corredoura e o Fontenário de Vilar de Matos, obras devidas à Junta de Freguesia, a que preside o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Realizou-se também uma visita à capela da Senhora das Graças, que recentemente foi restaurada pelos beneméritos desta freguesia Ex.mos Srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, visita essa que deixou as melhores impressões às entidades oficiais. Finalmente, pela Junta de Freguesia foi oferecido, em casa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às entidades oficiais e convidades, um bem servido “copo de água”. Brindaram pelas prosperidades do sr. Dr. Pinto Ferreira, ex.ma família e pela Junqueira, os srs. Bento Amorim, Delegado Escolar, Dr. Gualter Rodrigues, Prof. Eduardo Moura, João Rebelo de Carvalho e Celso Pontes. Agradecendo, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira a presença de tão ilustres pessoas nesse dia de festa para a Junqueira, disse: -“Habituado a trabalhar em bem dos outros, sinto-me bem em seguir esse caminho; a trabalhar contra os outros não sei fazer nada. O que tenho feito devo-o também a compreensão do povo desta freguesia, que fora uma pequena minoria, está connosco em todas as iniciativas para bem da nossa terra”. E dirigindo-se ao sr. Bento Amorim, acrescentou: “A Junqueira, sr. Presidente, acompanha-lo-á haja o que houver, porque em V. Ex.ª reconhecemos a pessoa que trabalha verdadeiramente por Vila do Conde. Não olhando ao que se diz, porque assim nada se faz, continue a velar por Vila do Conde”. Assim terminou esta simpática festa, que o povo laborioso e bom da Junqueira soube viver e, reconhecido, não esqueceu quem, por ela, tão desinteressadamente, tem trabalhado.

Notas Soltas De manhã, o reverendo Pároco rezou uma missa de Acção de Graças com a assistência das autoridades locais, crianças da escola, etc. – Uma ampliação sonora do Centro Comercial Vilacondense, retransmitiu para o exterior os discursos pronunciados na sessão solene. – Os laboratórios “Bial”, por intermédio do sr. Dr. António Ferreira da Costa, filho desta terra ofereceram grande número de remédios à obra de Assistência Escolar. – O cronista, encarregado desta reportagem, agradece as facilidades dispensadas, facilitando assim a sua missão. F. Soares Gonçalves COM VÁRIAS FOTOS

7 DE MAIO DE 1955 Festas de São João Parada dos Ranchos das Aldeias Aumenta o interesse nas freguesias do concelho pela organização da Parada dos Ranchos Populares, que se realizará na Feira de São João, 5ª feira, 23 de Junho. As impressões colhidas por alguns membros da Comissão que nos últimos domingos se deslocaram a algumas freguesias, são as mais animadoras quanto à participação nos festejos do Feriado Municipal da gente moça do nosso concelho. Damos a seguir os nomes de algumas pessoas que em várias aldeias começaram já a trabalhar, estimulando o brio das raparigas e dos rapazes, para que a respectiva representação seja brilhante. Junqueira – srs. Horácio Nogueira, José Quinteira e António Gonçalves Araújo Ramos e a menina Maria Amélia A. Nogueira. (…)

11DE FEVEREIRO DE 1956 Delegados Eleitorais (…) Por Alvará do sr. Presidente da Câmara, foram nomeados seus Delegados nas Comissões Recenseadoras, os seguintes senhores: (…) Junqueira – José Quinteira; (…)

20 DE OUTUBRO DE 1956 Junqueira, 15 Falecimento No passado dia 13, faleceu na sua residência de Vila Marim, concelho de Vila Real, com 87 anos de idade, o sr. António Quinteira, pai do conceituado comerciante desta terra, sr. José Quinteira. À família enlutada, enviamos os nossos sentidos pêsames.

1 DE FEVEREIRO DE 1958 Delegados Eleitorais Por alvará do sr. Presidente da Câmara, foram nomeados seus Delegados nas Comissões de Recenseamento Eleitoral deste concelho, os exmos srs: (…) Junqueira – José Quinteira; (…)

31 DE JANEIRO DE 1959 Delegados eleitorais Pelo sr. Governador Civil do distrito, foi nomeado para seu representante na Presidência da Comissão do Recenseamento Eleitoral deste concelho o sr. Bento de Sousa Amorim. Para delegados do sr. Presidente da Câmara nas comissões paroquiais, foram nomeados os srs.: (…) Junqueira – José Quinteira. (…)

31 DE OUTUBRO DE 1959 Pelos Bombeiros (…) A Comissão angariadora de fundos para a aquisição da nova “SIRENE”, foi, no passado dia 4 do corrente, de abalada à próspera freguesia da Junqueira. Todos os seus habitantes, gente boa, sã e compreensiva, contribuíram com a mais viva satisfação para a compra da nova “SIRENE”. Concorreram com os seus óbulos, as pessoas seguintes: Com 100$00 – Nuno Villares Salgueiro e José Fernandes Campos. Com 50$00 – Dr. Carlos Pinto Ferreira, Júlio da Costa Amorim, António Magalhães, António Carvalho de Azevedo, D. Inez Pimenta de Fonseca, José Lopes da Costa, Adelino Augusto Cunha e Pereira e D. Ilda Rebelo de Carvalho. Com 30$00 – José Quinteira e Júlio Lopes da Silva Félix. Com 20$00 – Amadeu Faria, Amândio Machado, José Bento Correia, José Ferreira Boucinha, Carlos Gonçalves da Silva Capela, Arnaldo Pinto Braga, D. Amélia Ferreira da Costa, Ernesto Cardoso de Oliveira e um anónimo. Com 10$00 – Alberto Antunes, Júlio Augusto Miranda, João Gomes Araújo, D. Maria Pinto de Lima, Armando da Costa Neves, Joaquim Gonçalves Baptista, Avelino Alves e Armindo da Silva Lopes. Com 5$00 – Alexandrino Cunha, Cândido Alves Remelhe, Joaquim Agra, Adelino Cândido Baptista da Costa, Abel Lopes Moreira, Francisco Lopes da Silva, Galiza de S. Simão e Manuel Baptista da Costa Júnior. Com 2$50 – Tomaz Ferreira Baptista, Carlos Fructuoso da Silva e Adelino Lopes de Almeida. Com 1$50 – Bernardino da Silva. Com 1$00 – Luiz Lopes da Costa, Manuel Fernandes e Marcelino Gomes de Araújo. Com $50 – Cândido Batista da Costa. Num total de 922$50. E assim, Junqueira, os seus habitantes, acabavam de escrever mais uma página de amor e caridade. A todos, o nosso “muito obrigado”! (…)

16 DE JANEIRO DE 1960 Delegados Eleitorais O sr. Presidente da Câmara nomeou seus delegados para presidirem às Comissões do Recenseamento Eleitoral nas 30 freguesias de que se compõem o concelho, os seguintes srs.: (…) Junqueira – José Quinteira. (…)

21 DE JANEIRO DE 1961 Delegados Eleitorais Para delegado do sr. Governador Civil do Distrito na Comissão Concelhia do Recenseamento Eleitoral, foi nomeado o sr. Bento de Sousa Amorim; e para Delegados do sr. Presidente da Câmara nas Comissões Paroquiais, os srs.: (…) Junqueira – José Quinteira; (…)

27 DE JANEIRO DE 1962 Delegados das Comissões Recenseadoras Por alvará do sr. Presidente da Câmara, foram nomeados para presidirem às Comissões Eleitorais deste concelho, os srs.: (…) Junqueira – José Quinteira (…)

12 DE JANEIRO DE 1963 Delegados eleitorais Por alvará do sr. Presidente da Câmara, foram nomeados seus Delegados nas Comissões Recenseadoras deste concelho, os seguintes ex.mos srs.: (…) Junqueira – José Quinteira. (…)

18 DE JANEIRO DE 1964 Delegados Eleitorais Por alvará do sr. Presidente da Câmara Municipal, foram nomeados Delegados da autoridade administrativa nas Comissões do Recenseamento Eleitoral do concelho, os srs.: (…) Junqueira – José Quinteira (…)

10 DE OUTUBRO DE 1964 Pelos Bombeiros Depois da publicação, no Semanário “Renovação” das freguesias que se indicam, foram-nos entregues mais os seguintes donativos: Junqueira Com 500$00 – Nuno Vilares Salgueiro; Com 100$00 – D. Almerinda Amorim de Carvalho; Com 50$00 – José Fernandes Campos, Horácio da Silva Nogueira e José Quinteira; Com 30$00 – Lino Lopes Curval; Com 20$00 – José Ferreira Carvalho, João Gomes de Araújo, Paulino da Costa Amorim e D. Maria Martins; Com 15$00 – Adelino Gomes da Costa; Com 10$00 – António de Sousa Leituga, José Lopes Faria, António Ferreira da Costa, Joaquim Barros, D. Cândida Carvalho de Azevedo e D. Maria Pinto de Lima. Com 5$00 – António Fernandes, José Moreira de Sousa, Manuel Fernandes, D. Umbelina Rosa da Cruz, José Fernandes Faria, António Sousa da Silva, Alfredo Joaquim da Fonseca, João Gomes da Costa e Avelino de Sousa Faria. De diversos, com importâncias inferiores a 5$00 – 16$00.

28 DE MAIO DE 1966 A população da Junqueira Homenageou um dos seus mais ilustres filhos – o Dr. Médico distinto, Director do nosso jornal e, até há pouco, Presidente da Edilidade Vilacondense No passado domingo, a nossa progressiva freguesia de S. Simão da Junqueira prestou homenagem a um dos seus filhos mais ilustres, o Dr. Carlos Pinto Ferreira, estimado Director deste semanário, que durante doze anos foi Presidente da nossa Edilidade. Querido das gentes da sua terra, querido de todos os vilacondenses, o dr. Pinto Ferreira viu, no domingo, à sua volta, todos os seus amigos, todos os seus conterrâneos, que ali foram afirmar, com as suas presenças, o respeito e a amizade que ele lhes merece. O Dr. Pinto Ferreira foi alvo de mais uma homenagem. O cidadão prestante, o médico ilustre, o homem bom, teve a rodeá-lo, no mesmo braço, todos os seus amigos junqueirenses. Afirmação de apreço, que a nós, que neste jornal trabalhamos, enche de orgulho. Pelas 11, 30 h. da manhã e na antiga Capelinha da Senhora da Graça, foi rezada Missa de Acção de Graças, sendo celebrante o Reverendo Padre Huberto Van Loo, da Congregação dos Padres Monfortinos, a que assistiram muitas pessoas, que enchiam por completo o pequeno Templo. Após a missa, teve lugar um almoço de homenagem, em Salão gentilmente cedido pelos activos junqueirenses A. Ferreira, e Irmão, vistosamente decorado com festões e lençoes de lavradeira. Presidiu o homenageado, que dava a esquerda aos srs. Bento Amorim, Presidente da Comissão Concelhia da U. N.; Dr. José da Silva Ramos, Presidente da nossa Câmara; D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira; Nuno Villares Salgueiro; D. Maria Júlia Ramos; José Fernandes Campos, Regedor; D. Rita Pinto Ferreira e Abílio F. Costa; e a direita à sra. D. Alice da Silva Ramos; Pe. Manuel Baptista de Sousa; D. Olga Pinheiro Salgueiro; António da Costa Faria, Presidente da Junta; D. Maria de Azevedo Gomes Amorim e António Ferreira de Araújo. Junto à Mesa de Honra, tomaram lugar a família do homenageado, convidados, entre os quais muitas senhoras, e, indistintamente, cerca de 200 pessoas. Ao champanhe, iniciou a série de discursos o sr. Presidente da Câmara, Dr. José da Silva Ramos, que começou por dizer que “das homenagens prestadas ao Dr. Pinto Ferreira, esta é a que mais deve dizer ao seu coração, por ser prestada por gente que o conhece de perto e sabe das suas qualidades de homem bom e amigo. Mais do que ninguém, eles podem dar a esta homenagem o cunho de uma perfeita manifestação de amizade”. Mais adiante, disse: “E eu, sinto-me francamente bem dentro desta casa, desta animação, porque também me sinto preso por uma simpatia à Junqueira, de que tantas vezes tenho recebido provas de amizade, que não posso, de maneira alguma, considerar-me um estranho nesta terra. aqui passei uns anos das minhas férias, aqui vim casar, aqui criei um grupo de amigos, tantos e tão bons que me sinto junqueirense de coração e como tal estou aqui a prestar-lhe esta homenagem de amizade, de reconhecimento e de admiração”. E, a terminar, afirmou: “Faço-o com a melhor da minha sinceridade e creia que é com ela que lhe desejo a melhor saúde, que consome generosamente em defesa dos outros, e aquelas prosperidades pessoais de que é bem digno”. Seguiu-se no uso da palavra, o Pároco da Junqueira, Pe. Baptista de Sousa, que em nome dos seus paroquianos, disse da razão daquela festa. Depois de agradecer a comparência dos junqueirenses aquela manifestação, recordou outra que o Concelho havia prestado ao Dr. Pinto Ferreira. “Foi por gratidão para com V. Ex.ª, que o Concelho lhe prestou homenagem em Vila do Conde, conforme é do conhecimento geral. A essa homenagem não poderíamos estar todos. Sem partidarismos e sem malquerença alguma, nós preferimos, então, fazer-lhe uma homenagem, de todos os junqueirenses, na terra da Junqueira. Aqui estamos, portanto, a prestar-lhe essa homenagem”. E, a terminar: “Segundo disseram os jornais, a quando da grandiosa manifestação em Vila do Conde, V. Exª só fez bem, só espalhou o bem. Interpretando os votos de todos os vilacondenses, eu bebo à saúde de V. Exª, para que continue, na sua nobre profissão, a espalhar esse bem”. Falou, a seguir, o sr. Dr. António Augusto Gomes Amorim que começou por historiar o que foi a acção do sr. Dr. Pinto Ferreira dentro da nossa Câmara, dos seus anseios e sacrifícios, dizendo, a certa altura: “Não admira, pois, que Vila do Conde lhe tivesse prestado uma homenagem retumbante, quando deixou, por imposição da Lei, o cargo de Presidente da Câmara. Mas não é V. Exª apenas o homem público que sacrifica a sua vida em prol do agregado social que dirige e representa. Como médico, é também o clínico incansável que acorre a toda a parte, onde há uma dor que é preciso minorar, onde há um condenado à morte a quem é preciso levar uma palavra de esperança. Como homem, em face da sociedade, é V. Exª o amigo dedicado, sempre pronto a servir o próximo. é para nós, portanto, sr. Dr. Pinto Ferreira, uma grande honra senti-lo no número dos junqueirenses. V. Exª ilustra a sua terra e são os homens que engrandecem uma terra e não a terra que engrandece os homens. Termino as minhas palavras, formulando o veemente desejo de que Deus lhe conceda ainda muitos anos de vida e saúde para que possa gozar no seio da sua família o descanso que nunca teve durante estes 12 anos de trabalho esgotante da sua terra”. Seguiu-se, no uso da palavra, o sr. Bento Amorim, que disse: “A minha provecta idade, que é séria, só fala a verdade e V. Ex.as sabem que é assim. Por isso quero dizer que sendo convidado para assistir à vossa festa, convite que me desvaneceu, vim com todo o prazer, para mais uma vez convier com os senhores da Junqueira, fidalgos e gente séria, que quiseram homenagear em festa íntima o seu médico e ilustre conterrâneo, Dr. Carlos Pinto Ferreira, que por ter deixado a presidência da nossa Câmara Municipal foi ainda, há bem pouco, homenageado com toda a dignidade pelo nosso concelho. É feliz o Dr. Carlos Pinto Ferreira. É Feliz por ver que lhe são gratos os seus conterrâneos. E essa gratidão, porque não dizer, toca-me, comove-me. Mas são gratos, porquê? Porque V. Ex.as são justos e o Dr. Pinto Ferreira merece. Ouvi dizer ainda há pouco que o Dr. Pinto Ferreira serviu a Nação durante doze anos. Não. Serve-a há mais de trinta! E quero aqui dizer, e com honra o digo, que sempre o encontrei a servir com todo o entusiasmo e a maior lealdade. E a lealdade dos homens, minhas Senhoras e meus Senhores, é rara. Eu, naturalmente, também aqui estou pela muita amizade que me liga ao homenageado, amizade de todos conhecida. E também o que mais exalta e se salienta nesta amizade, é uma lealdade profunda e quase sem limites. Pode haver grandes e duradouras amizades, mas lealdade sincera que dura trinta e sete anos, é muito, muitíssimo rara. Por isso, calculem o quanto me é grato estar entre V. Ex.as e pelo motivo por que estamos reunidos. Associando-me, pois, de todo o coração a esta íntima homenagem, eu brindo, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, pela sua saúde e de sua Ex.ma Esposa, e que Deus lhe dê, com muitas prosperidades e alegrias, muitos e bons anos de vida, para bem de todos nós”. Em nome da Comissão Organizadora daquela festa de homenagem, falou, depois, o sr. Nuno Salgueiro, que proferiu as seguintes palavras: “A Comissão organizadora desta, como se vê, tão sincera e sentida homenagem ao sr. Dr. Pinto Ferreira e, paralelamente também, à Sra. D. Felismina, para nós todos a Sra. D. Mina, que sempre, com exemplar dedicação e eficiência, o acompanha, quis dar-me a honra de aqui a representar. Peço licença para tratar o querido casal homenageado com esta familiaridade. Encontramo-nos numa autêntica festa de família, e é assim que entre todos os seus simpáticos conterrâneos eles são conhecidos e assim que, certamente, querem continuar a ser carinhosamente tratados. Mas abrimos, com muito gosto de todos, quatro excepções e quisemos ter aqui connosco o Ex.mo Sr. Dr. José da Silva Ramos, distinto sucessor do sr. Dr. Pinto Ferreira na presidência da Câmara de Vila do Conde e grande amigo desta freguesia, conde até, veio casar, e o Ex.mo Bento de Sousa Amorim, dedicado amigo de todo o concelho, que, se todos procuram nas horas de aflição e sempre encontram de braços protectoramente abertos, também queremos junto de nós nas horas de alegria e gratidão. Pedimos para que Suas Ex.as se fizessem acompanhar por suas Ex.mas Esposas e, assim, temos a honra da presença da Senhora do Sr. Dr. Silva Ramos, tendo sido privados da honra da assistência da Senhora do Sr. Bento Amorim, infelizmente por motivos de saúde. Ao sr. Dr. Pinto Ferreira, e a sua Ex.ma Esposa, queremos deixar aqui bem marcado o nosso agradecimento por terem permitido que se realizasse esta manifestação de admiração e reconhecimento. A Comissão organizadora quer, ainda, agradecer ao Povo da Junqueira, a maneira como, por todas as formas, colaborou e correspondeu às suas propostas. A razão e justiça desta festa de homenagem, é bem compreendida e sentida por todos quantos estão aqui reunidos. Resta-me, por isso, pedir ao nosso querido homenageado que aceite esta lembrança, que estes seus amigos, e ainda alguns, impossibilitados de aqui estar presentes, lhe querem oferecer para guardar como recordação da amizade, gratidão e admiração de todos”. Uma bela moçoila, em traje de festa, ofereceu, então, ao Dr. Pinto Ferreira, um artístico tabuleiro em prata, com um valioso serviço de porcelana; e as meninas Maria Gabriela e Maria Carla, netas do homenageado, ofertaram às Ex.mas Sras. D. Alice da Silva Ramos e D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, dois lindos ramos de flores. Visivelmente emocionado, levantou-se, então, o homenageado, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira que disse o seguinte: “ As palavras imerecidas que me dirigistes, são o reflexo do sentir do vosso coração magnânimo, sempre dado à realização de obras que marquem a sua passagem pela Terra. Para mim, esta festa, será mais ainda uma festa de confraternização, de unidade, que mostre, que todos juntos, de mãos dadas, sem olhar a retaliações e malquerenças, caminhando em frente, podemos contribuir para o engrandecimento da nossa Terra – de Vila do Conde. E foi assim, com a ajuda de todos, que eu pude, durante 12 anos, superando intempéries, mas com os olhos no futuro, estar à frente dos seus destinos. Na imensidade do tempo, isto é uma gota de água, que corre lentamente, mas que deixa bem marcado, ao alto, o que planeamos e tão avaramente quisemos realizar, para bem da comunidade. Alguma coisa se fez. Porém, muito também ficou por fazer. Espero que um dia os nossos legítimos anseios sejam uma realidade, a mostrar aos nossos descendentes o quanto vale uma vontade firme e persistente de bem querer. Quiseram dar-nos a honra da sua presença, pessoas muito ilustres da nossa Terra – os ex.mos srs. Bento Amorim e Dr. José Ramos, que comandam os destinos de Vila do Conde e sobejamente conhecidos de todos nós pelas suas altas qualidades de inteligência, de trabalho e amor à Terra que os viu nascer. Outras, que embora não sendo de cá, estão radicadas a esta Terra tão antiga e tão cheia de tradições, a quem devo muita amizade. A todos desejo testemunhar a minha gratidão e sinceros agradecimentos. Para a Comissão organizadora desta festa, para todos os meus amigos e conterrâneos, aqui presentes ou que de qualquer forma para ela contribuíram, sem distinção a todos agradeço com um abraço, que deixará em cada um – um muito obrigado – muito sentido e muito do coração”. ———————————————–Notas – A Comissão Organizadora da Festa de Homenagem ao sr. Dr. C. Pinto Ferreira era constituída pelos srs.: Pe. Manuel Baptista de Sousa, pároco da freguesia: Nuno Vilares Salgueiro, Dr. António A. Gomes de Amorim, Dr. Eduardo Campos Costa, José Fernandes Campos, Ernesto Cardoso de Oliveira, António Araújo Ramos, António da Costa Faria, Abílio Ferreira da Costa, António Ferreira de Araújo, José Quinteira, Bento Correia, Manuel Lopes Curval e António Alves. Renovação agradece a gentileza do convite e todas as atenções dispensadas ao seu enviado especial.

17 DE SETEMBRO DE 1966 Falecimentos D. Maria Pinto de Lima Ferreira Na sua casa da Senhora da Graça, em S. Simão da Junqueira, deste concelho, faleceu, no passado dia 11, a sra. D. Maria Pinto de Lima Ferreira, de 86 anos, proprietária, viúva do saudoso Junqueirense Manuel Lopes Ferreira. A extinta, que pelos seus dotes de carácter, conquistara gerais simpatias de toda a gente daquela freguesia, era Mãe extremosa das sras. D. Ana Pinto Ferreira Quinteira, D. Deolinda Pinto Ferreira de Oliveira e dos srs. Dr. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Director deste semanário, e dr. Manuel Pinto Ferreira, ; sogra das sras. D. Felismina de Campos Costa Pinto Ferreira e D. Corina Moreira Pinto Ferreira e dos srs. Ernesto Cardoso de Oliveira e José Quinteira; avó da sra. D. Maria Emelina Campos Ferreira Amorim (ausente no Brasil), do sr. Eng. Orlando Campos Pinto Ferreira, Drs. Fernando José e Eduardo José Pinto Ferreira; e dos estudantes universitários Manuel Bento, José Luiz, Rui Moreira Pinto Ferreira e José César Pinto Ferreira de Oliveira. O seu funeral, que teve lugar no dia seguinte, constituiu uma grandiosa manifestação de pesar, nele se incorporando centenas de pessoas de todas as condições sociais quer desta vila, quer dos concelhos limítrofes, e ainda da cidade do Porto. De casa para o cemitério, efectuaram-se dois turnos, sendo a chave da urna entregue a seu neto, sr. Eng. Orlando Pinto Ferreira. Renovação apresenta a toda a família enlutada, muito especialmente ao seu estimado Director, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, as suas mais sentidas condolências.

21 DE JANEIRO DE 1967 Delegados eleitorais Por alvará do sr. Presidente da Câmara, foram nomeados seus Delegados para presidirem às Comissões do Recenseamento Eleitoral nas 30 freguesias de que se compõe o concelho, os seguintes ex.mos srs.: (…) Junqueira – José Quinteira. (…)

21 DE OUTUBRO DE 1967 As eleições nas Juntas de Freguesia (…) Relação dos Presidentes Efectivos e Substitutos das Assembleias Eleitorais das Freguesias deste concelho: (…) Junqueira – Ernesto Cardoso de Oliveira e José Quinteira. (…)

20 DE DEZEMBRO DE 1969 D. Rita Pinto Ferreira No passado dia 12 e na sua residência em S. Simão da Junqueira, faleceu com a idade de 74 anos, a sr. D. Rita Pinto Ferreira, solteira e natural daquela freguesia. A saudosa extinta, pessoa muito estimada pelos seus dotes de carácter e benemerência, era tia do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, estimado Director deste semanário, casado com a sra. D. Guilhermina Campos Pinto Ferreira: Dr. Manuel Pinto Ferreira, casado com a sr. D. Corina de Sousa Moreira Pinto Ferreira; D. Deolinda Pinto Ferreira, casada com o sr. Ernesto Cardoso; D. Ana Pinto Ferreira, casada com o sr. José Quinteira. O funeral, que constituiu uma grande manifestação de pesar, teve lugar no dia seguinte. Após missa de corpo presente, o corpo da extinta ficou depositado em jazigo de família. A toda a família enlutada e em especial ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, as nossas condolências.

23 DE DEZEMBRO DE 1972 Falecimento Dr. Manuel Pinto Ferreira Na penúltima terça-feira, foi a enterrar no cemitério paroquial da Junqueira, terra da sua naturalidade, o sr. Dr. Manuel Pinto Ferreira que na sua residência à rua de Luis Woodhouse, na cidade do Porto, falecera no dia anterior. O saudoso extinto, que pelos seus dotes de carácter e bondade conquistara inúmeras simpatias, era casado com a sr. D. Corina de Sousa Moreira Pinto Ferreira; pai da sra. D. Maria Manuela de Sousa Pinto Ferreira e dos srs. Dr. Manuel Bento de Sousa Pinto Ferreira, José Luís de Sousa Pinto Ferreira e Rui de Sousa Pinto Ferreira; irmão das sras. D. Deolinda Pinto Ferreira de Oliveira, D. Ana Pinto Ferreira Quinteira e do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, nosso estimado director; cunhado das sras. D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, Carmem de Sousa Moreira de Castro e Maria Humberta Carmona Gonçalves Moreira, e dos srs. Professor Doutor Artur Anselmo de Castro, Dr. Carlos Domingues Moreira, Ernesto Cardoso de Oliveira e José Quinteira. O funeral saiu da igreja das Antas, após missa de corpo presente, para S. Simão da Junqueira, e ali, depois dos responsos na capela de Nossa Senhora da Graça, foi a urna transladada com grande acompanhamento de pessoas de todas as categorias sociais, desta vila, Porto, Vila Verde, Terras do Bouro e Famalicão, para jazigo de família. – O sr. Dr. Manuel Pinto Ferreira, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, vindo abrir banca nesta vila, na rua do Lidador. Pouco tempo depois, foi nomeado notário em Terras do Bouro, tendo-lhe sido conferida a posse em Vila Verde, no mesmo distrito. Anos depois, foi nomeado notário em Vila Nova de Famalicão, de onde transitou para o 6º Cartório Notarial do Porto. Foi, com o sr. Dr. Pinto Coelho, redactor do novo Código do Notariado. A doença que o vinha importunando, tinha-o afastado há alguns meses das suas funções. A destacada posição que alcançara, em nada o modificou. Foi durante a sua vida – morreu com sessenta e sete anos incompletos – extremamente bondoso e simples, qualidades que aliava ao mais fino trato. Por isso a sua morte foi muito sentida nesta vila, onde contava, por amigos, todos os vilacondenses. À família enlutada, envia Renovação sentidos pêsames.

15 DE FEVEREIRO DE 1975 Aniversários (…) No dia 18, (…) José Quinteira, da Junqueira; (…)

13 DE FEVEREIRO DE 1976 Aniversários (…) No dia 18, (…) José Quinteira, da Junqueira; (…)

18 DE FEVEREIRO DE 1977 Aniversários Hoje, (…) José Quinteira, da Junqueira; (…)

17 DE FEVEREIRO DE 1978 Aniversários (…) Amanhã, (…) José Quinteira, da Junqueira, (…)

16 DE FEVEREIRO DE 1979 Fazem anos: (…) No dia 18, (…) José Quinteira, da Junqueira; (…)

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