Pe. Adélio Ferreira da Silva Loureiro (F)

Pe. AdelioDados biográficos:

  • nasceu a 23 de Março de 1930, em Midões – Barcelos
  • faleceu a 29 de Dezembro de 2010, na Junqueira

Notícias completas:

9 DE SETEMBRO DE 1967 Novo Pároco da Junqueira Toma, amanhã, posse da paróquia da freguesia de S. Simão da Junqueira, deste concelho, o novel Sacerdote Reverendo Adélio Ferreira da Silva Loureiro, que exercia o seu múnus nas freguesias anexas de Azias e Sampriz, do concelho de Ponte da Barca. O Reverendo Pe. Adélio, vem substituir o nosso particular amigo Reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, que ali paroquiou largos anos e foi agora nomeado Prior da vila de Esposende. Felicitamos o novo Abade de S. Simão da Junqueira e esperamos as suas notícias paroquiais.

26 DE OUTUBRO DE 1968 Cento e trinta contos renderam os Cortejos para a obra da Igreja de S. Simão da Junqueira Fundado nos começos do século XI, sob a invocação de S. Simão e S. Judas Tadeu, o Mosteiro da Junqueira, da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, foi uma das mais ricas casas conventuais dos princípios da Monarquia. Levantado na “Villa Freandi”, logo choveram doações de terras, entre elas a que Sugério Rauco, da “Villa Gracim” (S. Martinho de Outeiro) lhe fez em 1084 e que é o mais antigo documento do Mosteiro. Desde a sua fundação até ao século XVI, foi o Mosteiro administrado por 24 Priores vitalícios, servindo a Igreja Conventual, dos começos do século XII de Igreja Paroquial, pois daí começa a Paróquia da Junqueira. A partir de 1566, o Mosteiro entrou na administração dos Priores Comendatários, Clérigos uns, fidalgos outros, que, pelas muitas exigências, quer de “Pousio”, “comedorias” ou “casamentos” a arruinaram. Foi seu último Comandatário, Martin Pinheiro, Abade de Touguinhó. Em 1589, porque as rendas fossem diminutas, apenas lhe foi consentido albergar 2 frades, um Prior encomendado e um companheiro, até que, pela reforma do de Santa Cruz de Coimbra, em 7 de Fevereiro de 1595, foi unido ao de Moreira da Maia. Recobrada a autonomia em 1687, os Frades lançam-se à construção de uma nova Igreja – a actual Paroquial de S. Simão da Junqueira; mas pouco mais de meio século volvido, e porque o Convento de Mafra da mesma Ordem, necessitava de dinheiro, o Cardeal da Cunha vendeu a um particular por 4800$00 o convento e a cerca (1770), deixando apenas a Igreja à Paróquia, tendo os rendimentos passado em 1834 para a Fazenda Nacional. Vendidos os foros, apenas em 1843 existia, na posse da Fazenda Nacional, o celeiro conventual, porque “ninguém dava nada, por ser em lugar remoto da freguesia”. O Convento está hoje na posse da Família Rebelo de Carvalho, da Casa dos Pereiras, de Lousada. Extinto o Convento, apenas a Igreja e o Cruzeiro ficaram a atestar da riqueza da Casa, no século XVII. Duma só nave, em cruz latina, com duas bem lançadas Torres e abóbada de berço, a Igreja Paroquial da Junqueira é, dentro do estilo “Jesuítico”, uma “magnífica silharia de pedra”. Das maiores igrejas do concelho – 42, 85 de comprido – possui oito altares, de boa talha e imagens de excelente factura, entre elas uma do Senhor dos Passos, talvez a mais antiga do Templo. No arco do altar-mor, a imagem de Santo Agostinho recorda a Ordem a que pertenceu. Como todas as Igrejas da época, serviu de cemitério. Sob o soalho, escondem-se diversas sepulturas. Apenas duas se mostram junto ao altar-mor, sendo uma delas a do Comendador Andrada, um dos possuidores da Casa Conventual. Porque a água que anteriormente corria na cerca em canos, se espalhou sob as fundações, a Igreja Paroquial de S. Simão da Junqueira tem a sua abóbada “selada”. Constituindo um perigo para os fiéis e uma perda para a arte a queda do Templo, o anterior pároco da freguesia, Reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, lançou um apelo à freguesia para restaurar o Templo e a freguesia disse que “sim”. E o que disse ao Pe. Baptista de Sousa, afirmou-o agora ao actual Pároco, Reverendo Adélio Ferreira da Silva Loureiro, promovendo dois cortejos de oferendas, que ficarão memoráveis, pois não é fácil encontrar uma aldeia que, depois de ter dado, há pouco mais de seis meses, para as obras a iniciar brevemente, cerca de 200 contos, junte àqueles mais 130. Só o muito querer às coisas de Deus, ao seu pároco e à sua freguesia, puderam dar forças àquela boa e honrada gente da Junqueira para contribuir, assim, para uma obra que está orçada em mil contos e que eles, com a ajuda do Estado, levarão a efeito. Bem hajam! O cortejo de domingo, o segundo levado a efeito na freguesia, englobou os lugares do sul da mesma; o anterior, realizado pelos lugares do norte, rendeu cerca de 50 contos, que com a quantia arrecadada no de domingo, atinge 130 mil escudos. Abriu o cortejo o Grupo de Escutas da Junqueira, que transportava as suas oferendas. Depois, foi um desfilar de crianças, moças e rapazes, envergando trajes da região, muito deles cobertos de notas de mil escudos. Para que o leitor faça uma ideia, basta dizer-lhe que só o lugar da Garrida “vestiu” a neta do nosso Director e mais meia dúzia de crianças, com 17750$00. Esta importância, somada às transportadas pelas moças dos outros lugares, no cortejo, ultrapassou 30 contos. Mas não só o dinheiro figurou no cortejo. Pipas de vinho, carros, tractores e camionettes com excelentes madeiras – uma camionete transportava um eucalipto, limpo de rama e de braços que pesava 8 toneladas – cereais em sacos e a granel constituíram, pelo arranjo dos carros, motivo de interesse. Depois, foram os cestos, os belos e ricos cestos das casas da Junqueira, em que as mais pobres, pela fartura da dádiva, pediram meças às mais ricas… E tudo isto acompanhado com tocatas, a que se juntaram as vozes das moças da Junqueira, em cantigas alusivas à finalidade do cortejo. Nada ali faltou: apontamento curioso o do carro dos ciganos, a carácter, transportando também ofertas para as obras da Igreja. O leilão, realizado a seguir, e que a tarde outonal não deixou se prolongasse, esteve animadíssimo: basta dizer que rendeu cerca de 50 contos. Somando a importância agora arrecadada, aos duzentos contos, números redondos, que nos dizem estar já em cofre, temos para a obra 330 contos. É pouco, muito pouco, para quem tem de gastar mil. Arranjar mais 670 contos, não é brincadeira, dirá o leitor. Como estais enganados. Tivésseis ido à Junqueira, no domingo, tivésseis visto o entusiasmo daquela gente, a união em volta do seu pároco, o querer à sua Igreja, e à causa do Senhor, e não pensareis assim… A Formiga pouco pode, mas com suas companheiras leva para onde quer, objectos que tem dezenas senão centenas de vezes o volume do seu corpo. Também as 1936 formigas da Junqueira levantarão na sua Igreja uma nova abóbada, e nela farão obra que, sem a adulterar, a deixe, séculos fora, à admiração dos homens. Para tanto, basta caminhar unidos em volta do seu Pároco, sacerdote desinteressado e bom. Ele espera de todos os seus paroquianos constância: e os paroquianos, porque o querem e estimam, esperam, quando, daqui a muitos anos, o Senhor o chamar a dormir na sua Paz, continuar a tê-lo entre eles; na vida, ou depois dela, custa muito separar-nos daqueles a quem amamos; e os filhos da Junqueira, sabem amar aqueles que os fazem trilhar, certos, os caminhos que levam ao Senhor.

22 DE FEVEREIRO DE 1969 A Junqueira vai ter o seu Salão Paroquial No passado dia 3 (domingo), o sr. Paulino da Costa Curval e sua esposa, reuniram-se na sua bonita quinta de Vilar de Matos, na Junqueira, com os srs. Drs. Carlos Pinto Ferreira, estimado Director do nosso jornal; reverendo Pároco da Junqueira; membros da Junta de Freguesia; professoras e professores; um sem número de convidados e muito povo daquela freguesia. Presentes, o Grupo de Escutas da Junqueira, constituído por algumas dezenas de moças e moços que vêm prestando ali óptimos serviços. Motivo daquela reunião: – o anúncio, pelo sr. Paulino da Costa Curval e ex.ma esposa, de irem dotar S. Simão da Junqueira com um Salão Paroquial, obra das mais necessárias naquela freguesia, mas no momento só possível pela generosidade de um dos seus mais ilustres filhos, dado todos os seus membros estarem empenhados na obra de restauro da sua bonita e valiosa Igreja, obra que se estima em mais de mil contos. O Reverendo Abade da Junqueira, depois de se referir à presença, ainda há bem pouco tempo, naquela casa, de suas excelências o senhor Bispo Auxiliar de Braga, D. António Ribeiro e do sr. Governador Civil do Distrito e outras proeminentes figuras da vida nacional, a quando da inauguração da Capela da Casa, que o seu proprietário tornou pública, falou sobre o significado do dia – Dia da Caridade – dia escolhido pelos proprietários daquela casa para dizerem alguma coisa ao povo da freguesia. Por isso o povo ali estava e porque esse povo sabia que algo de bom para todos traria o anúncio do sr. Paulino Curval, estava ali em festa, única maneira de exteriorizar o seu agradecimento, muito pequeno, é certo, para aquilo que dentro em breve iam ter. No vasto terreiro, onde se ergue uma preciosa fonte seiscentista, com uma imagem de Nossa Senhora, um Coral constituído por senhoras, moços e moças da Junqueira, fez-se ouvir com muito agrado, a que se seguiram duetos pantominas, danças regionais, tudo muito bem executado, a denunciar a mão do seu ensaiador e o gosto de todos os intervenientes e a vocação extraordinária de alguns para a Arte de Talma. Terminada aquela festa, demonstração do muito que a Junqueira pode fazer – recordamos aqui o seu extraordinário Rancho – o reverendo Abade de Bagunte, a quem afazeres da sua Paróquia não consentiram haver chegado antes, fez uso da palavra para saudar os donos da casa, sempre prontos a servir a Causa de Deus e da Junqueira. Referiu-se àquilo que o simpático casal Curval ia fazer na freguesia, padrão imorredoiro ao serviço da Fé e da Infância, e não só dessas, como de todos os habitantes da freguesia, que iam ter a sua Casa-Convívio, onde pudessem discutir os assuntos da sua Junqueira e por ela trabalharem mais fortalecidos. O sr. Paulino da Costa Curval disse, então, que aquela reunião tivera lugar, para anunciar o seu desejo e de sua esposa em erguer, nas proximidades do velho Cruzeiro que os Cónegos Regrantes haviam levantado há séculos, o Centro Paroquial da Junqueira, num terreno por ele recentemente adquirido. Que o Centro Paroquial da Junqueira “é uma casa que vai servir todos, pequenos e grandes, porque será ponto de reunião da freguesia. Foi sempre meu desejo acudir aos mais necessitados; desejo e dever, porque a Caridade é um dos dons de Deus e ninguém melhor do que eu sabe quanto por Ele tenho sido ajudado. Tenho por dever para com Deus e com os meus concidadãos, ajudar aqueles que precisam”. E mais adiante: “O nosso Centro terá que trazer muitas sequências, o mesmo é dizer, muitas outras obras”. Referindo-se à “Fundação Salazar”, “Obra de Caridade, Obra tão necessária entre nós, portugueses, Obra do Bem”, o sr. Paulino Curval acrescentou: “E por que não, na Junqueira, naturalmente muito mais pequena, algo de similar, a favor das crianças e dos velhos, em principal?”. “Quando o sr. Abade da Junqueira disse que gostaria de fazer aqui um Salão Paroquial para as crianças, tomei sobre mim o encargo de o levar a efeito. E ao agradecer a todos vós e a todas estas crianças a festa aqui levada a efeito e que eu e a minha mulher não merecemos, quero dizer que a obra que se vai realizar, não é minha: é vossa, é da Junqueira.”. Uma salva de palmas coroou as últimas palavras do sr. Curval, que foi depois muito cumprimentado por todos os presentes. _ Num dos intervalos da festa, um grupo de crianças entregou um lindo ramo de flores e outras prendas, ao casal Curval e seus filhos. O nosso representante agradeceu as referências feitas à Imprensa.

15 DE NOVEMBRO DE 1969 Cortejo de Oferendas para a Igreja de S. Simão da Junqueira Mal sabiam os fradinhos Crúzios do velho Mosteiro da Junqueira, naquele ano de 1687, que apenas oitenta e três anos duraria a Casa, velha de cinco séculos. Havia recobrado a sua autonomia e, em sinal de regozijo, logo trataram de amealhar os fundos necessários para construir uma igreja, visto a da casa estar muito arruinada. Desde a fundação do Mosteiro, nos começos da penúltima década do século XI, a igreja servia os habitantes da Junqueira, que viviam aconchegadinhos aos muros da cerca, procurando protecção na rica Casa conventual. Um monge pastoreava a Igreja e, anualmente, um echacoevos percorria a freguesia, pregando e recolhendo dádivas dos fiéis. Trezentos anos depois da fundação do Mosteiro, a Junqueira já não era um “campo de juncos”. Alargara-se. Logo trataram os habitantes de pedir ao Mosteiro um vigário privativo que lhes foi concedido em 1451. Depois do aparecimento dos priores comendatários, o último dos quais foi D. Martim Pinheiro, Abade de Touguinhó, o Mosteiro entrou a declinar, incorporado umas vezes, reformado outras e por último unido ao de Moreira da Maia, quando nesse ano de 1687, voltou a ser autónomo, assinalou o facto, com a construção, no local da primeira, duma magnífica Igreja. Desconhecemos a data da inauguração do actual Templo da Junqueira. A data, no cruzeiro, tanto pode indicar o início, como o fim da obra. Mas, se atentar no tamanho da Igreja e nos recursos da Casa (5.000 cruzados anuais), aquilo foi coisa para muitos anos. Andava o Convento de Santa Clara de Vila do Conde, interessado na construção do aqueduto. Tinham as freiras conseguido para os que trabalhassem na obra, isenção do serviço militar e é bom não esquecer que nessa altura, estávamos empenhados na Guerra de Sucessão ao Trono de Espanha. A mão de obra no concelho de Vila do Conde, não devia, pelas razões expostas, abundar. Concluído o aqueduto de Vila do Conde, no ano de 1714, só então deviam ter começado as obras da igreja. Para tanto, necessário se tornou mandar construir um Templo que servisse a Comunidade e a freguesia. A data de 1713, na verga da porta voltada a poente da Capelinha de Nossa Senhora da Graça que “era fabricada pela convento”, como escreveu o Cura da Junqueira, João Antunes de Araújo, nas “Memórias Paroquiais” em 2 de Julho de 1758, talvez indique, com um ou dois anos de atraso, o começo da nova igreja. Na Capelinha da Graça, talvez cantasse a sua primeira Missa, um monge de nome Manuel, porque anos volvidos, quando a comunidade o elegeu Prior para o triénio 1750/53, o fradinho adoptou o nome do Orago da Capelinha. D. Manuel de Nossa Senhora da Graça, foi o penúltimo Prior do Mosteiro de S. Simão da Junqueira que havia de liquidar dezassete anos depois. A igreja ficou para a freguesia. Todo o resto, foi vendido por 4.800$00 – da época – ao Morgado da Junqueira, venda que incluiu o direito de padroado. Apresentou o Morgado da Junqueira dois Abades colados. O primeiro ordenado em 1 de Setembro de 1797, foi o padre Manuel Gomes da Silva, natural de S. Simão da Junqueira. O segundo, com o mesmo nome e sobrinho do anterior. Depois passou para a Coroa a apresentação dos sacerdotes, nas igrejas paroquiais. Edificada sobre o terreno mole, a Igreja da Junqueira, cujas paredes laterais suportavam uma abóbada de berço com o cumprimento de 42, 85 m, com as empostas a nascer a 12, 35 m do solo entrou a desconjuntar-se. Toda aquela “magnífica silharia de pedra”, como lhe chamou Monsenhor Augusto Ferreira, por desvio das laterais começou a ameaçar ruína, envolvendo os transepto, abside e arco da Capela-Mor. Impôs-se a Freguesia de S. Simão da Junqueira, a restaurar a sua Igreja. Para tanto foi necessário apear abóbadas, arco do Cruzeiro, numa palavra, toda a cobertura do magnífico Templo. Obra orçada em 1200 contos, a muitos parecia desmedida coisa para os moradores de S. Simão. Mas a verdade é que, eles arranjaram dinheiro para a primeira fase, a pior, e já se abalançaram à última, porque querem a sua Igreja aberta no fim do próximo ano. Essa é a razão dos Cortejos de Oferendas de S. Simão da Junqueira. Muito povo pejando as estradas que levam ao adro. O cortejo desfilou desde a “portada”. À frente os “gigantones”; depois, moças e mais moças transportando à cabeça cestos cheinhos de oferendas enquanto outras, levam nas mãos, cofres onde se guardam notas de conto e outras ainda, cobriram a riqueza do trajo com notas de vinte, cinquenta, cem escudos. Depois, eram os tractores, os camiões, os carros de bois, transportando pipas com vinho, madeiras, cereais. No meio de tudo aquilo, sobre um tractor, um restaurante móvel, logo seguindo por outro com uma adega. O povo teve com que retemperar as forças, durante toda a tarde. Toda aquela gente, vergada ao peso das oferendas, vinha de velhos lugares da Junqueira- Garrida, Lamelas, Boucinha, Cerqueiral, Xantada, Casavedra, Fontão, Sr.ª da Graça, Barreiro, Venda, Casal Coutinho e Sanguinhal, foram os lugares que formaram o Cortejo de Domingo. O de amanhã, será formado pelos restantes lugares da freguesia. Ao depositarem cerca de cem contos, nas mãos do reverendo Abade da Junqueira – padre de minguado corpo mas alma até mais não, que arregaça batina e trabalha de pá e pica na Obra da Casa de Deus, ninguém pode pôr em dúvida que a Igreja da Junqueira estará, para o ano, apta a servir a freguesia. Abençoada terra, que tais filhos tem.

22 DE NOVEMBRO DE 1969 Nortadas S. Simão da Junqueira Da autoria do seu ilustre Director sr. Dr. António Cruz, grande amigo de Vila do Conde, publicou o conceituado jornal “Diário do Norte”, de 17 do corrente o artigo que com a devida vénia transcrevemos: “Quem visitava, nestes últimos tempos, a igreja conventual de São Simão da Junqueira, desde o século dezoito apenas afecta ao culto da paróquia, sempre retirava sob o domínio do receio: templo amplo, bem representativo de uma época, eram visíveis as ameaças de ruína que sobre ele pesavam. Logo no arco da capela mor, como no transepto e na abside. Quando seria levado ao templo o amparo de que ele carecia? E lembramos, muito a propósito, que se deixou nas colunas do DIÁRIO DO NORTE, certo dia – e há anos – breve apontamento ditado por nova e directa observação pessoal dos sinais de ruína da mesma igreja. Agora nos chega uma notícia consoladora: por iniciativa da junta de freguesia, andam os naturais de São Simão da Junqueira empenhados na salvação da sua bela igreja. É obra de vulto, aferida à escala dos recursos de uma paróquia: informação segura, colhida no nosso prezado Renovação, de Vila do Conde, diz que tal obra vem a implicar uma despesa de mil e duzentos contos. O certo, porém, é que a força de vontade e o brio concorreram para que a obra tivesse sido já iniciada e decorra agora com regularidade. O arco-cruzeiro e abóbadas foram já apeados. Toda a cobertura do templo – essa uma abóbada de berço a medir perto de cinquenta metros de comprimento – viria a desmoronar-se, por certo, se não fosse de pronto corrigido o desnível das paredes laterais; e lá corre a obra que essa correcção implica. Salva-se um templo que é testemunho de uma instituição fundada antes do Estado Português e que foi detentora, no seu cartório, de diplomas de fundamental importância para o estudo do Condado Portucalense. Salva-se o que resta de um mosteiro que desempenhou – assim como o de Vairão, o de Moreira da Maia, o de Santo Tirso, o de Paços de Sousa e outros – missão assinalada e frutuosa no mundo do seu tempo, já do ponto de vista económico, já na projecção que é manifesta no campo da vida social e cultural. Por iniciativa particular se promoveu esta obra: por este facto, aqui a deixamos apontada como exemplo. Cortejos de oferendas concorrem para a sua realização: queremos dizer, a este respeito, que tão significativas jornadas de bem-fazer também se podem multiplicar com igual objectivo e noutras localidades, pois que um templo é abrigo para todos os que carecem de meditar e de orar, libertando-se do apego ao materialismo sórdido. Lemos que o reverendo abade de São Simão da Junqueira, vivendo apaixonadamente as tarefas a que obriga a restauração da sua igreja, não se escusa a trabalhar de “pá e pica”, para que a obra decorra em ritmo fora do normal: e também este é outro nobre exemplo, a lembrar-nos que nem tudo se perdeu… Que Deus seja louvado?

29 DE NOVEMBRO DE 1969 Ainda os Cortejos da Junqueira Com igual entusiasmo, realizou-se no penúltimo domingo, o último Cortejo, deste ano, para as obras de restauro da magnífica Igreja de S. Simão da Junqueira. Desta vez, coube aos lugares de Vilar de Matos, Real, Casal de Pedro, Barros e Moinhos, trazer as suas ofertas a leiloar junto ao Templo em restauração. O mesmo entusiasmo, o mesmo querer, a mesma devoção de tantos outros cortejos, foram os guias seguros que transformaram o desse domingo em mais uma grandiosa jornada para a Casa de Deus. A mesma alegria, fez subir ao ar trovas alusivas ao acto. E ao som das harmónicas toda aquela gente desfilou, carregada de oferendas, até ao adro, onde os leiloeiros puseram a lanço muitas oferendas, dado que outras, entre elas cereais, serão depois vendidas em ocasião oportuna. Com este cortejo, a Comissão de restauro, presidida pelo digno Pároco da Junqueira, arrecadou cerca de 60 contos, que, somados ao rendimento do cortejo anterior, devem rondar os 150 contos. Junqueira cumprirá, dentro de breves tempos, o que a si mesma prometeu: RESTAURAR A SUA IGREJA, dando assim exemplo a muitas outras freguesias do quanto pode a união dos Homens e a fé no SENHOR.

17 DE OUTUBRO DE 1970 Os Cortejos na Junqueira Casal de Pedro é como o leitor sabe, um lugar da freguesia de S. Simão da Junqueira. Ora Casal de Pedro, esteve no domingo em festa, organizando um Cortejo de Oferendas para as obras de restauro da Igreja da Junqueira, em que toda a freguesia se empenha para que fiquem concluídas no próximo ano. Abria o extenso cortejo grupos de moças, carregando açafates cheiinhos, logo seguidas por moços, transportando galhos onde “nasciam” os mais variados artigos – até notas de banco – e logo a seguir, tractores carregando ofertas. A animar o cortejo, o Rancho da Junqueira. Junto ao adro e na presença do sr. Abade, Sacerdote a quem se deve todo o movimento para a obra da Igreja, logo se tratou de fazer um leilão das oferendas, ao mesmo tempo que se montava um restaurante, onde nada faltou e onde se trabalhou denodadamente, saboreando os petiscos da tradicional cozinha de Casal de Pedro. Curioso, o facto de um dos carros, ter por motivo uma oficina de cesteiro. Actualmente apenas uma família ainda se dedica a essa arte, em que S. Simão da Junqueira marcou. Pois ela lá estava, e mais a sua oficina, tecendo, fazendo uma pequena maravilha. No momento, não nos foi possível estimar o rendimento deste primeiro leilão. Chegou-nos depois a informação de ter rendido cerca de 10.000$00, o que vem provar à saciedade que a boa vontade dos junqueirenses correspondeu à generosidade das gentes de Casal de Pedro, junqueirenses também. Nenhuma dúvida pode restar do esforço de Casal de Pedro para dar à Casa de Deus na sua freguesia, a grandiosidade doutras eras. Com satisfação vemos que a obra, orçada em muito mais de mil contos, caminha para o seu termo, sem outra ajuda que não seja a de todos os junqueirenses. No domingo, foi Casal de Pedro; amanhã outro lugar irá levar a sua oferta e assim será em cada domingo, até chegar ao último lugar da freguesia. Parabéns a Casal de Pedro! Oxalá os outros lugares sigma o exemplo, para que a obra termine depressa, como todos desejamos.

14 DE NOVEMBRO DE 1970 Os Cortejos de S. Simão da Junqueira No passado domingo, mais três lugares de S. Simão da Junqueira, vieram no terreiro da Igreja. Garrida e Fontão, deram as mãos a Casavedra e, os três erguidos nas suas tamanquinhas – o mesmo é dizer nos seus créditos – vieram, estrada foram, cantando a sua Igreja, cantando a sua Terra, depôs nas mãos do seu pároco mais uma oferta para a obra de restauro do Templo da freguesia, em que todos se empenham sem olhar a trabalho nem dinheiro, porque doa a quem doer – nestas como noutras coisas há responsáveis – o Restauro da Igreja de S. Simão da Junqueira está a ser feito à custa da gente da freguesia. A nós, que fomos criados em S. Simão da Junqueira nada admira. De muito pequenos ouvimos dizer que “com a gente da Junqueira, ninguém se meta”. Foi sempre assim e assim continuará a ser. Se a ajudarem, agradece e fica ternamente grata; se não a ajudarem, mete mãos à obra e acaba-a. Admirável gente! Pois no domingo, fomos à Junqueira. Gostamos de ir a S. Simão, matar saudades, conversar com os amigos e visitar o lugar onde dormem três pessoas que nos são queridas. E fomos também ver o Cortejo de Oferendas. De Fontão ao cruzeiro de S. Simão, qualquer coisa acima de um quilómetro – desenrolou-se uma grande serpente, ostentando as cores mais garridas, mais belas. Eram dezenas e dezenas de moças, transportando cestos atafulhadinhos de coisas boas. Precedia-as um cavaleiro, armado e municiado, guardando uma bandeira da freguesia, que não podemos descrever, pois vinha coberta de notas e os galhos em que as notas de cinquenta e cem substituíam os frutos. Imaginai só isto: em dinheiro, VINTE CONTOS DE REIS. Depois, os tractores transportando pipas com vinho, cereais, sei lá. E cestos com galinhas e galos; davam para uma das nossas feiras, e as nossas, são as maiores do norte. Uma das grandes tradições da Junqueira é a culinária. Não admira, porque teve uma grande casa conventual. Pois foi mesmo junto ao convento que as senhoras da Garrida, de Fontão e Casavedra, ergueram um restaurante, cheio de coisas boas. Não eram de fazer crescer água na boca; eram de ficar babado. Na Junqueira, sempre se comeu assim. Por isso os fradinhos eram nédios, rosadinhos. Pudera! O cortejo de domingo deve ter rendido lá para uns quarenta contos que junto às “massas” dos anteriores, dão uma “saca” de 120 notas de conto. Mas amanhã, Barros, o mais populoso lugar da Junqueira, vai fazer a sua aparição no terreiro da Igreja. Nestas coisas de dar, Barros é para temer e com os Ferreiras da Costa, ninguém se meta. Aquilo vai ser uma brincadeira para outros quarenta, ou mais. Para o ano, se Deus Nosso Senhor quiser, a Igreja de S. Simão da Junqueira, rasgará de par em par as suas portas, para receber festivamente ao Senhor Dom Francisco Maria da Silva, Arcebispo, Senhor de Braga e Primás das Espanhas. Será uma Prémio, à Gente da Junqueira. O outro, o Grande Prémio, esse virá da Mão de Deus: o agasalho, na dobra do Seu Divino Manto, aos que de mãos dadas com o Seu representante, laboriosa, mas alegremente, reconstruíram e alindaram a Sua Casa.

30 DE OUTUBRO DE 1971 Cortejos da Junqueira Pouco falta para se concluir o restauro da Igreja de S. Simão da Junqueira. Esse pouco custa ainda muito dinheiro. Como Rio Mau, a Junqueira mostra a todos, até aos cegos – quem não vê pode perfeitamente apalpar – que quando o povo quer, as verbas, por muito grandes que pareçam, não passam de uns míseros tostões. (…) Para esse pouco que falta, vem a freguesia de S. Simão da Junqueira, organizando leilões e cortejos de oferendas. Os leilões em S. Simão atingem verbas interessantes. Vejam só: uma toalha de linho, bonita, sem dúvida, atingiu num dos últimos leilões uma quantia que ultrapassou os SETE MIL ESCUDOS. O que se deu com a toalha, dá-se com o resto. Pois a Junqueira, apesar do ano não ter ido muito de feição para a agricultura, recomeçou os cortejos de oferendas. Cada domingo, cada lugar da freguesia. Ainda é cedo para vos dizer quanto poderão render os cortejos da Junqueira. Uma vez, vai para três anos, meti-me a fazer cálculos e no final tinha errado para menos na módica quantia de CEM CONTOS. Só depois me lembrei do que a minha avó me dizia, quando morávamos na Garrida. Dizia ela: “menino, com a gente da Junqueira ninguém se meta”. Eu meti-me a fazer cálculos sobre a generosidade dos habitantes da terra onde criei… e errei em cem contos. Antes assim! B. M.

4 DE DEZEMBRO DE 1971 Os Cortejos da Junqueira Que sirvam de exemplo a todos, os Cortejos de S. Simão da Junqueira, a favor do restauro da sua valiosa igreja paroquial. 250 CONTOS DE REIS, em três domingos, representam uma soma astronómica para uma freguesia com pouco mais de 1500 habitantes e que já deu, para o mesmo efeito nos últimos três anos, mais de mil contos. O restauro do templo da Junqueira, que se vem processando sem quebra de estilo, quando concluído, será sem dúvida um dos mais belos padrões da Igreja na nossa Arquidiocese, e marca indelével do povo de uma freguesia. Que ponham aqui os olhos os que não acreditam nas possibilidades de terras cujas populações são dez vez maiores que a de S. Simão da Junqueira. Que ponham os olhos no Amor às coisas de Deus e da sua terra, patenteando pela boa gente de S. Simão. A bons entendedores…

4 DE MARÇO DE 1972 Igreja da Junqueira Pouco falta para a conclusão das obras de restauro da igreja de São Simão. E esse pouco que falta, comparado com as verbas já dispendidas, nada representa para a gente da Junqueira pois ela sabe o que quer e o que faz. Vem aí a Páscoa. A obra vai levar outro empurrão e dos grandes, para que a Casa de Deus na freguesia se mostre como os Cónegos a implantaram no reinado de D. Pedro II e à custa dos seus rendimentos. Os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, há muito desapareceram de S. Simão; do seu tempo, apenas nos falam a igreja e o mosteiro, dizem alguns, esquecendo que também lhes fala o espírito dos monges, por que esse ficou inteirinho na Junqueira. É por isso que os descendentes daqueles que assistiram à inauguração do belo templo, o mandaram restaurar e restituir à primitiva traça, à custa dos seus dinheiros. Que muitos ponham aqui os olhos.

29 DE ABRIL DE 1972 A Igreja de S. Simão da Junqueira Como o Leitor sabe, a igreja de S. Simão da Junqueira anda em restauro. Os naturais da freguesia uniram os seus esforços, e a obra de restauro, qualquer coisa como DOIS MIL CONTOS, continua a processar-se. A gente da Junqueira, grande, airosa e histórica terra que à Guerra da Reconquista deve o seu Mosteiro, ainda não deixou os seus créditos por mãos alheias. Não pede nada. Gosta de dar. E poucas como ela sabem resguardar o seu rico património, quer ele seja monumental, histórico ou etnográficos. Porque essa gente é assim, a igreja paroquial está a ser restaurada. Podem alguns, ao encarar certas peças desse restauro, não as achar bem, no templo. Mas a verdade é que quem as mandou lá por, sabia o que fazia. Sabia mais: que essas peças seriam colocadas na Igreja pelos Cónegos de Santo Agostinho, se não tivessem sido compelidos a abandonar a Casa. De resto, quando o 1.º Morgado de S. Simão tomou conta do Mosteiro, muitas coisas estavam por acabar na Igreja, como o demonstra o testamento de sua neta, feito 32 anos depois da morte do 2.º Morgado, no qual deixa a quantia de CEM MIL RÉIS e outros legados “para acabarem o altar da Senhora da Soledade”. Erguida no chão onde no ano de 1073 Dona Grixiveira Froiaz implantava a primeira igreja de S. Simão, que durante muitos anos D. Paio Guterres da Cunha protegeria, a ponto de pedir aos seus descendentes que dessem ao mosteiro toda a terra que por Carta de Couto lhe dera D. Afonso Henriques, em paga dos serviços nas guerras contra a mourama; defendida por esse extraordinário homem que no mundo se chamou D. Martin Pinheiro e foi Abade de Touguinhó, último D. Prior Comandatário de S. Simão, fundador da Capela de Nossa Senhora da Graça (1) e sonhara construir o actua templo da Junqueira; feita no reinado de D. Pedro II, à custa dos Cónegos e beneficiada pela Abade Joaquim da Costa Faria, que me ensinou a Doutrina na sua casa da Garrida, a Igreja de S. Simão ainda não está completamente restaurada. Falta pouco, mas esse pouco que falta custa algum dinheiro. A talha dos altares, pelo menos de alguns, tem de ser beneficiada. Um deles, o de S. S. Sacramento, precisa de restauro completo. O restauro de um Altar como o do Templo da Junqueira, é caro. Mas é necessário. E o que é necessário, nunca é caro. Custa dinheiro, mas só isso. Amanhã, domingo, um grupo de Senhoras da freguesia vai tentar arranjar a verba necessária ao restauro do altar, montando no larguito fronteiro à Igreja um restaurante, apoio a uma pequena festa. O produto dessa festa será integralmente para a obra em que todos os junqueirenses se empenham devotadamente. S. Simão da Junqueira tem altas tradições na culinária; ou não tivesse ela tido um mosteiro e tantas fidalgas E a gente da Junqueira, se por um lado herdou mãos para a cozinha, por outro, herdou a fidalguia dos seus maiores. São estas as duas forças, e em especial a última, que não consentem deixar acabar tudo que alguém começa para honra da freguesia. O Altar do S. S. Sacramento da Igreja de S. Simão, não tem de ser restaurado. VAI SER RESTAURADO. Assim o querem os naturais dessa bela Aldeia, fidalga e airosa, que lutam, unidos ao seu Pároco, para que a igreja do multi-secular mosteiro da Junqueira se mostre, dentro de breves dias, como a sonhou D. Martin Pinheiro, Dom Prior de S. Simão, Abade de Touguinhó, Comendador dos mosteiros do Carvoeiro e da Várzea e Governador Apostólico do Bispado da Guarda, que chorou lágrimas de sangue para que o mosteiro de S. Simão e a sua Igreja não desaparecessem, como era vontade de alguém que, sendo seu parente, também foi Cardeal e Rei de Portugal. No dia 30, têm a palavra os Junqueirenses. Oito dias depois, tê-la-emos nós, para dizer aos leitores que a jornada que as Senhoras de S. Simão levaram a efeito, rendeu…… Duma coisa podem os Leitores estar certos: que as verbas arrecadadas serão superiores às necessárias para o restauro do Altar do S. S. Sacramento. Admirável gente! (1)   Dentro de semanas, publicaremos um opúsculo contendo a História da Igreja e Mosteiro de S. Simão.

6 DE MAIO DE 1972 Bodas de Ouro Matrimoniais No pretérito dia 22, celebraram as suas “Bodas de Ouro” os nossos conterrâneos sr. José Ferreira de Carvalho e sua Exma. Esposa D. Guilhermina Gomes Angeiras, da Junqueira. Na monumental igreja de S. Simão da Junqueira, primorosamente ornamentada, participaram, com seus numerosos amigos, numa missa de “Acção de Graças” celebrada pelo reverendo Pároco, pelos benefícios recebidos durante estes 50 anos de vida matrimonial. Um grupo de jovens solenizou tão piedoso acto; este ao órgão o conhecido artista Sérgio Augusto. Finda a cerimónia religiosa os numerosos convivas dirigiram-se para o confortável restaurante “Mar-à-Vista”, nesta vila, onde o simpático casal brindou os amigos com um requintado almoço, no fim do qual foram destacadas as raras qualidades do sr. Carvalho e esposa. Do grande número de amigos seja-nos lícito destacar a presença dos senhores Doutor Carlos Pinto Ferreira e exma. Esposa, Doutor José Moreira Maia e ex.ma esposa, Doutor Manuel José Reis Sá e ex.ma esposa, senhor Américo Angeiras e ex.ma esposa, senhor António Gonçalves Rebelo e ex.ma esposa, senhora D. Maria Madalena Lopes de Carvalho, senhor António Gonçalves de Araújo Ramos e Doutor Eduardo Campos Costa.

11 DE NOVEMBRO DE 1972 Mais um Cortejo na Junqueira Na ânsia de concluir o restauro da sua igreja, e à semelhança do que outros lugares da freguesia já fizeram, realizou-se, no domingo último, o cortejo de oferendas que interessou Lamelas, Senhora da Graça e Cerqueiral. Para animar a Festa, o nosso amigo Dr. Gomes, veio até à Junqueira, e com ele, Santa Marta de Portuzelo, através do seu Rancho Folclórico. E se atentarmos que Santa Marta viu nascer no seu lindo castelo mourisco, a Sebastião Pereira da Cunha, que tão bem soube cantar as belezas do seu Minho nas “Bodas Vermelhas”, acabamos por concordar com o festival que Santa Marta trouxe à Junqueira Sebastião da Cunha, veio, pela voz do Rancho da sua terra, prestar homenagem ao seu primeiro ascendente conhecido, D. Paio Guterres da Cunha, companheiro de D. Afonso Henriques e primeiro donatário e protector do mosteiro de S. Simão. A obra da Junqueira, tem sido de todos os junqueirenses. Não interessa se moram lá, ou em distante terra. Interessa, sim, que sempre têm estado presentes. E é quanto basta, ao pároco. O Reverendo pároco da Junqueira, tem uma alma igual à de D. Martin Pinheiro. É também um lutador, mas só usa a palavra D. Martin também a usava, mas muitas das vezes fazia-a acompanhar dum estadulho. A verdade é que foi um grande homem, a quem a Junqueira só pagará os inestimáveis serviços que lhe prestou, dando à avenida que vai da igreja para a capela de Nossa Senhora da Graça, o nome do ilustre D. Prior Comandatário da Junqueira. Foi ele quem mandou construir ambas. O Reverendo Pároco tem toda a Junqueira a seu lado. Está a realizar-se completamente. E com ele, os seus paroquianos. Oxalá o mesmo espírito os anime para outras obras (entre elas a do salão paroquial) prolongamento da igreja de S. Simão.

25 DE NOVEMBRO DE 1972 Em S. Simão da Junqueira Os lugares da Garrida, Fontão e Casavedra, também vieram dar o seu contributo para as obras de restauro do bonito e valioso templo de S. Simão da Junqueira. E fizeram-no de maneira substancial, mostrando que nesta luta em que no capítulo de “cada um dar sempre mais que os outros”, não ficaram atrás de ninguém. Pelo menos, até ver. E se vier alguém que dê mais, que venha. Todos os outros lugares lhe agradecerão, porque a obra é de todos, para todos. O cortejo da Garrida, Fontão e Casavedra, rendeu qualquer coisa como 67.660$20. Descontando 9.587$20 de despesas, temos um lucro líquido de 58.073$00. Todos temos de concordar que é bonito. O Rancho Infantil do Monte (Rendilheiras de Vila do Conde), colaborou na festa. Os cortejos de S. Simão são sempre festa, e do melhor. Uma recente provação porque passei, não deixou que fosse a S. Simão da Junqueira, terra boa entre todas as terras, porque nela me criei. Mas nem um só momento estive longe da gente da Garrida, onde vivi os melhores anos da minha vida. E lembrando esse abençoado lugar, voltei a vê-los todos e a tudo. Lá estava o bom do Abade da Garrida e a Micotas, que me erguia nos braços para eu chegar aos frutos da cerejeira brava, logo à entrada da residência. A Custódia, que me trouxe ao colo. A sra. Felicidade, de Trás-as-Bouças que me ensinou a Doutrina. Estes e muitos outros. Por isso eu estive presente. Estarei sempre presente, na boa Terra de S. Simão da Junqueira. B. M.

23 DE DEZEMBRO DE 1972 O último Cortejo da Junqueira Faz amanhã duas semanas que teve lugar mais um cortejo na Junqueira a favor das obras da igreja paroquial. Foi o último. Coube ao lugar de Barros a sua realização. E como “os últimos serão os primeiros”, os habitantes de Barros, também o foram. Levaram para as obras da sua igreja, nada mais nada menos que CENTO E VINTE CONTOS. Quem atentar nas somas dispendidas pelos junqueirenses no restauro do valioso templo da sua terra, por certo julgará que S. Simão da Junqueira é alguma vila, e das grandes, para se dar ao prazer de fazer à sua custa, um restauro que implica mais de DOIS MIL CONTOS. A verdade é a Junqueira ser a freguesias com cerca de 1.500 habitantes, em grande parte operários e trabalhadores rurais. O que impulsionou toda aquela gente rica, menos rica, e pobre, a dar do seu dinheiro para o restauro da igreja, tem raízes muito fundas. Podemos ir procurá-las, em primeiro, na sua religiosidade; em segundo, no indefectível amor que tem às coisas da sua terra, e em terceiro, no exemplo dado pelo seu pároco, que enobreceu a batina, manchando-a com o pó que a pá e a pica que manejou esforçadamente fizeram levantar, para que mais rápido se restaurasse a Casa do Senhor. São estas as raízes, as mais fortes e as mais belas, que os homens podem encontrar para iguais cometimentos. E o povo da Junqueira não buscou, nem fez por isso, outras para as realizações dos seus grandes, bonitos e ricos cortejos; para as suas festas de variedades; para as peças que fez representar no modesto barracão que corre a par com um dos muros da velha cerca de dentro do extinto cenóbio de S. Simão, e tudo sem receio de ficar pobre. E outras razões não quiseram as Senhoras da freguesia, para montarem um restaurante que foi um valioso apoio de toda a obra. E nunca cuidaram de se perguntar se a cozinha lhes iria sujar os vestidos, estragar as unhas, ou encardir as mãos. As carteiras não ficaram menos cheias, como os vestidos não ficaram menos limpos, e as mãos não perderam a beleza, nem as unhas o encanto. Aos primeiros acudirá o Senhor, como já o fez às mãos das Senhoras, pondo, por cima, as Suas, Divinas. Naturalmente que os junqueirenses, ainda têm muito que realizar na freguesia. E a primeira obra que se vão lançar, para o ano, vai ser a do SALÃO PAROQUIAL, porque sem ele, a bonita igreja de S. Simão, ficará incompleta. Os salões paroquiais, são prolongamentos da Igreja. E nós, que tanto e tão bem conhecemos a gente da Junqueira, não admitimos que passe pela cabeça de quem quer que seja, que a igreja de S. Simão possa ficar sem o seu.

24 DE NOVEMBRO DE 1973 Os Cortejos na Junqueira O tempo tem estado propício à organização dos cortejos de oferendas para a igreja paroquial de S. Simão da Junqueira, sem dúvida um dos mais bonitos templos da arquidiocese, se bem que menos bonito que o movimento da boa gente da Junqueira, com o seu reverendo pároco à frente, para conservar a jóia que os cónegos regrantes de Santo Agostinho ergueram na freguesia, vai para 300 anos. Até ao momento, os cortejos dos lugares de Garrida, Lamelas e Casal do Pedro, renderam qualquer coisa como 110 contos. E ainda faltam outros lugares que por certo não ficarão (ninguém quer ficar) aquém dos primeiros. Numa época de egoísmos, do salve-se quem puder, é grato verificar que a gente de S. Simão da Junqueira não volta as costas a Deus nem às coisas da sua terra. E para uma obra vultosa. E toda à custa da freguesia. Abençoada terra que tais filhos tem.

24 DE AGOSTO DE 1974 S. Simão da Junqueira Encerramento do Curso de Extensão Agrária Com a presidência do Reverendo Pe. Adélio, pároco da Junqueira, e ainda com a presença honrosa dos membros da Junta, da Casa do Povo e do Regedor da freguesia, teve lugar o encerramento do Curso de Extensão Agrária. Estavam também presentes todas as alunas do Curso e os seus pais. Como elementos directivos do Curso, estavam D. Maria Celeste Barroso e D. Maria Bernadette Chaves. O Encerramento constou da Exposição dos trabalhos das alunas confeccionados ao longo de dez meses de aprendizagem, e constavam de muitos e variados artigos domésticos, executados com toda a perfeição pelas alunas sob a orientação das suas professoras. O acontecimento, que teve lugar no passado dia 10, teve ainda como número importante um recheado Copo d´Água oferecido a todos os presentes, e que foi apresentado e servido pelas professoras e alunas. Durante o Copo d´Água, usou da palavra a aluna Alcina Ferreira Lopes da Costa que em nome das 30 alunas do Curso, agradeceu ao sr. Abade, às Senhoras Professoras e aos pais toda a ajuda, todos os trabalhos e sacrifícios que fizeram para que o Curso se realizasse e tivesse o resultado maravilhoso que estava aos olhos de todos. E sublinhou depois: “Nesta hora, cada uma de nós sente-se mais rica e mais mulher por ter possibilidades de triunfar na vida e no mundo em que vivemos. E a Junqueira é também hoje uma terra melhor e mais rica porque muitas das suas raparigas são muito mais felizes e preparadas para resolver os seus problemas pessoais e familiares. Sem este curso, nós nunca poderíamos ser aquilo que o mundo quer de uma mulher civilizada, nem poderíamos atingir o ideal que ambicionamos”. E continuou: “Foi graças ao interesse e amor que o sr. Abade tem pela Juventude da nossa freguesia, que o levou a fazer todas as diligências para que o Curso fosse possível. Só o sr. Abade foi capaz de se interessar por nós a valer, de trabalhar e vencer todas as dificuldades para termos aqui o Curso”. Referindo-se às professoras do Curso, a Alcina declarou: “Durante estes dez meses, elas foram para todas nós, além de mestres consumadas, umas verdadeiras amigas. Toda a riqueza profissional que elas têm, a comunicaram a cada uma de nós. O espírito de bens que lhes enche os corações, enche os corações, enche também todas as jovens do Curso. Daqui para a frente seremos melhores por elas serem tão boas e tão amigas. E como sinal da nossa gratidão para sempre e do amor que lhes dedicamos, queremos dizer-lhes que em cada aluna do Curso têm uma amiga e na sua casa têm uma casa”. Falou depois o sr. Abade dizendo que nada havia a agradecer-lhe por ter a consciência de que tanto ele como outra pessoa têm o dever e sentem alegria de contribuir para o bem da juventude. O Reverendo Pe. António Fernandes, que também estava presente e conhecia o andamento do Curso, enalteceu o valor da obra realizada. Falou depois a D. Maria Celeste, uma das professoras do Curso, que pôs em destaque o valor dos trabalhos expostos, o esforço e sacrifício das alunas e fez um apelo veemente aos seus pais ali presentes para ajudar, compreender, dialogar com as suas filhas a fim de elas se sentirem felizes e puderem continuar a exercitarem-se nos trabalhos que com generosidade e sacrifício aprenderam. Aberta na tarde do dia 10, a Exposição esteve aberta durante o dia 11, que era Domingo. Muitíssimas pessoas da Junqueira e de freguesias vizinhas visitaram a Exposição. E na opinião das Senhoras Professoras foi esta a que teve maior número de visitantes. Iniciativas como esta deviam ser tomadas em todos os meios, sobretudo rurais e fabris, pois os Cursos de Extensão Agrária são o que há de mais válido material e moralmente para a promoção da jovem portuguesa.

26 DE AGOSTO DE 1977 O Salão Paroquial da Junqueira S. Simão da Junqueira está em vésperas de mais uma e grande realização: a construção do seu salão paroquial. E como a obra de restauro da igreja, também esta será à custa da freguesia. No terreno doado há anos por Paulino da Costa Curval, a que António Ferreira da Costa Magalhães Júnior acrescentaria parte de um que no lugar possui, alcançando-se assim a área desejada, começaram as obras de implantação do imóvel que custará 3 500 contos, não estando incluídos nesta estimativa o trabalho dos paroquianos. Para obviar aos encargos que a obra acarreta começaram os cortejos de oferendas na freguesia, esperando-se que quando terminados tenham proporcionado uma recolha na ordem dos 300 contos que, juntamente com os 800 já arrecadados, farão as obras avançar em bom ritmo. O primeiro cortejo esteve a cargo do lugar de Casal do Pedro. E se os dos outros ugares o igualarem, os 300 contos serão ultrapassados. As casas de António Ferreira da Costa Magalhães Júnior, de Manuel Marinhas, Adelino Neta e dos Padres Monfortinos apresentaram tractores rebocando atrelados cheiinhos de coisas boas. O de Manuel Marinhas transportava diversos artigos da terra, aves, um pipo de vinho e um touro, ainda criança, mas a que os entendidos atribuíam o valor de 8 contos. Na empilhadeira erguida ao seu limite, o leiloeiro que iria por pregão de tudo aquilo e também de cestos valiosos, alguns deles de fazer inveja. E depois haviam os arbustos que rapazes e raparigas transportavam e que à moda de frutos levavam chouriços, preciosas garrafas de bom e velho vinho e muitas notas de cem. E tudo aquilo desfilou por entre cânticos alusivos ao trabalho em que S. Simão da Junqueira se vai empenhar, e também o seu abade. Ao padre da freguesia Nós vimos agradecer, Porque ele tanto trabalha Para o salão se fazer. Na cerca do mosteiro da Junqueira onde funcionava um restaurante montado e fornecido quer em viandas (sic ?) quer em trabalho, pelo António Magalhães e o Manuel Marinhas e esposas e familiares, encontramos o reverendo abade da Junqueira. “– Olhe! Tudo isto se deve a esta boa gente. O Marinhas quase despejou a sua casa e o Magalhães também. Este ainda fez mais: deu o terreno necessário para a obra que temos em vista e mais 55 contos. Da obra, o mais importante para mim será o jardim-escola que terá como complemento um parque infantil – o primeiro pela assistência e educação que proporcionará às crianças, o segundo pelo apoio que virá dar às mães da freguesia, na sua quase totalidade trabalhadoras do campo e operárias”. O salão paroquial da Junqueira, para além dos salões de festa e do convívio terá um self-service, biblioteca, jardim-escola, parque infantil e gabinetes para serviços de secretaria. Possuirá uma cozinha completamente montada e um salão para jantares de casamento, baptizados e outras festas. A utilização deste salão bem como da cozinha, pelos paroquianos, será gratuita. Junqueira lançou-se a mais um empreendimento vultuoso. E que ninguém duvide da sua concretização. Num dos intervalos do leilão, o Rancho de Touguinhó, de que é principal responsável o nosso amigo João Machado, exibiu-se com muito agrado e arrancou da numerosa assistência muitos aplausos.

9 DE SETEMBRO DE 1977 Junqueira Resumo histórico A história desta freguesia ainda intimamente ligada ao mosteiro ali fundado pelos monges Agostinhos e cuja igreja, bela e majestosa, é, desde há mais de um século, a paroquial. É pois a maior freguesia do concelho, pelo menos em população. Notas Freguesia de 2ª ordem, a 6 km de Vila do Conde. Orago, São Simão. Pertencente à diocese de Braga. População, 1828 habitantes (1). Tem automóveis de aluguer, rede telefónica e camionetas de carreira para Barcelos, Porto, Póvoa, Vila do Conde e Famalicão. Compreende as populações de Barreiro, Barros, Boucinha, Carvalhal, Casal Coutinho, Casal de Pedro, Casavedra, Cerqueiral, Chantada, Espinheira, Fundão, Garrida, Lamelas, Moinhos, Mosteiro, Ral, Real, Sanguinhal, Venda e Vilar de Matos. Correio de Vila do Conde e Telefone de V. N: Famalicão. A sua Igreja, ultimamente restaurada, é digna de uma visita. O lugar da Espinheira é um dos mais poéticos deste concelho. Tem várias e modernas indústrias de serração, limas e outras. A Quinta do Mosteiro (propriedade particular) que fazia parte do antigo convento dos Agostinhos, tem recantos admiráveis para uma vida contemplativa. Pároco – Adélio Ferreira da Silva Loureiro, a quem a Junqueira muito deve pela obra religiosa e social que ali soube desenvolver. Regedor – José Alexandrino da Silva Faria. Junta – Presidente, Fernando da Silva Fernandes; Secretário, Eduardo Pereira da Silva; Tesoureiro, David Américo Ferreira Alves.

21 DE ABRIL DE 1978 Junqueira A Fábrica da Igreja da Junqueira (Comissão de Obras Pró Centro Paroquial), dirigiu há pouco ao sr. Presidente da nossa edilidade, um ofício de cujo texto extraímos o seguinte: “Como é do conhecimento de V. Ex.ª decidimos construir um prédio para funcionamento de um Centro Paroquial, procurando dotar esta freguesia de um edifício e de uma Instituição que permita encarar, com a regularidade desejada, hipóteses de realizações culturais e artísticas, até agora de difícil concretização, tentando, ainda, resolver alguns problemas de ordem social que afligem o nosso Povo. O empreendimento tem a aceitação geral, traduzida inequivocamente no apoio que nos tem sido proporcionado. De facto iniciamos em Fevereiro p. p.º a angariação de fundos, tendo recolhido, até agora, dos nossos conterrâneos, mais de 1300 contos! Não é razoável pedir-se mais aos dois mil e tal habitantes desta terra, modestos na sua maioria, todavia bairristas e empreendedores. Julgamos, com orgulho, tratar-se deste caso raro, não se conhecimento parecido na nossa Região. Convém aqui dizer que o animador da Obra é o nosso Pároco, como aconteceu com as obras de conservação, inevitáveis, da Igreja Paroquial, hoje considerada de utilidade pública (cerca de 3000 contos, sem ajudas alheias). Trata-se, sem dúvida, de pessoa excepcionalmente dotada para estas coisas, vivendo inteiramente para o seu Povo, garantia segura do bom êxito da iniciativa. Pela nossa parte – Comissão de Obras – nada mais resta do que aproveitar a oportunidade de construir uma Obra duradoira, de que aproveitarão, sobretudo, os nossos filhos e seus vindouros. É que a utilização futura do empreendimento, repartindo-se entre o Social e o Cultural (podendo, até, abarcar o campo desportivo ) resolverá problemas que afligem o nosso Povo, mais que carecido de estruturas desta natureza”.
N. da R. – Oxalá que a pretensão dos Junqueirenses seja realizada, como se espera…

5 DE MAIO DE 1978 S. Simão da Junqueira No nosso último número demos extractos de um ofício que a Fábrica da Igreja da Junqueira (Comissão de Obras Pró Centro Paroquial) dirigiu ao Senhor Presidente da nossa Câmara Municipal. Era um ofício límpido de como se concebe, idealiza, planeia e executa uma obra de interesse colectivo, de como para ele se obtém o apoio real da Freguesia, e de como, só depois disto feito e obtido, se deve dirigir aos Poderes Públicos. Não para o sobrecarregar, não para lhe atirar para cima dos ombros com preocupações que a outros pertence, não para fazer demagogia ou ondas, mas tão somente para esclarecer, projectamos fazer este trabalho, temos a meta à vista, precisamos agora de uma ajuda para ir até ao fim. É assim que se deve trabalhar. Isto é trabalho. Em Nota da Redacção dissemos que “Oxalá que a pretensão dos Junqueirenses seja realizada, como se espera…” – a que acrescentamos agora – E será, pois o pedido está em boas mãos. Mas o que queremos, neste momento, realçar, é o seguinte: bem sabemos do Pároco que a Junqueira tem, e dele, aqui, neste momento não falamos pela muita admiração, pela muita consideração e pela muita amizade que a sua pessoa, o seu trabalho e o seu apostolado nos merecem. Mas uma freguesia de pouco mais de dois mil habitantes que consegue em pouco mais de um mês juntar mil e trezentos contos (e sabe Deus com que sacrifícios) é, quer se queira quer não, quer se goste ou não goste, quer se inveje ou aplauda, uma Terra de gente que sabe muito bem o que pretende e o que deseja ver realizado, de um Povo unido e decidido que nada o faz vacilar e tudo vence. O Povo da Junqueira é um símbolo de vida e de acção, uma bandeira branca de Paz ou Verde-Rubra da Esperança a drapejar ao vento da Solidariedade, da União, da Fé, do novo Portugal que está no nosso coração e na nossa vontade, vontade firme de todos aqueles que sabem que é no trabalho criador, no trabalho que faz calos e suor, ou tira horas ao sono, que se há-de reconstruir esta Pátria que desejamos gloriosa – como o foi nos tempos de Glória, justa, fraterna, europeia, toda virada para o progresso e para o futuro, para a honra e proveito dos seus Filhos – como há-de ser. Porque assim somos e assim ___________ e olhando para o exemplo, para a Estrela de Belém da Junqueira, não podemos deixar de estar com os junqueirenses a quem saudamos pelo seu rasgado, são e progressivo bairrismo e por serem dignos de ser filhos de tão bela como generosa Terra de S. Simão da Junqueira.

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