Pe. Manuel Baptista de Sousa (F)

Dados biográficos:

  • Pároco da Junqueira até 1967

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Notícias completas:

1 DE SETEMBRO DE 1956 Junqueira, 27 Casamentos No passado dia 23 do mês corrente, realizou-se o enlace matrimonial da menina Maria Amélia Nogueira Amorim, filha do sr. Paulino da Costa Amorim e da sra. D. Maria da Silva Nogueira e neta do sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta desta freguesia e da sra. D. Amélia da Silva Ribeiro, com o sr. Paulino Gomes da Costa Amorim, filho do sr. José da Costa Amorim (já falecido) e da sra. D. Maria Gomes da Silva Casanova.O casamento realizou-se no Santuário do Sameiro, em Braga, tendo presidido ao acto solene e celebrado a Missa o reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, Pároco dos nubentes, acolitado pelo reverendo Pároco Manuel Gomes da Costa, Pároco de Gavião. Paraninfaram a cerimónia religiosa o sr. Comendador Francisco de Lima Amorim e sua ex.ma esposa, sra. D. Georgete Amorim. Findo o acto religioso, teve lugar, num Restaurante daquela cidade, o almoço; e, pelas 20 horas, foi oferecido a todos os convidados, em casa do noivo, um primoroso copo de água, durante o qual o nosso reverendo abade, numa brilhante alocução, enalteceu as qualidades dos nubentes, formulando votos pelas suas constantes felicidades. Agradeceu, comovido, o avô da noiva, sr. Horácio Nogueira. Aos noivos, endereçamos os nossos sinceros e prósperos dias no futuro.

20 DE OUTUBRO DE 1956 Junqueira, 15 Aniversário No próximo sábado, dia 20, passa mais um aniversário natalício do reverendo Abade desta terra, Pe. Manuel Baptista de Sousa. Desde já,  os nossos sinceros parabéns e votos de que este dia se repita por muitos anos e sempre no nosso convívio.

27 DE OUTUBRO DE 1956 Crónica da Junqueira O povo da Junqueira aplaude as eméritas figuras dos srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, numa homenagem sincera Nos últimos anos de vida desta terra, duas figuras de raro merecimento avultam no primeiro plano das personagens que, impulsionadas por uma acendrada paixão bairrista e filantrópica, têm dado todo o seu apoio e auxílio para que a Junqueira progrida e se engrandeça: os irmãos, filhos distintos desta terra, sr. Randolfo e José Pinto Ferreira. Bem cedo partiram daqui para solo esperançoso do Brasil em busca de felicidade e fortuna; ali, mercê de porfiados trabalhos e canseiras insanas, a sorte bafejou-os, dando-lhes riqueza e conforto, justo prémio dos seus esforços. Mas, mesmo longe da sua terra, da terra que os viu nascer e tentar os primeiros passos, estes Junqueirenses ilustres não a olvidaram nunca, ligados como estavam a ela por fortes laços de imperecível e inabalável amor ao torrão natal. Não constituiu, portanto, para nós, motivo de admiração a imponência e a sinceridade com que o povo da Junqueira exornou (?) a grandiosa homenagem de domingo passado. Foi uma expressão sincera de reconhecimento profundo que brotou espontânea do peito de cada um, a quem sempre adoptou como norma de conduta os ideais do Bem, da Virtude e do Amor. Ficou, assim, bem grata e sentida no coração de todos nós a consciência do dever cumprido. Pena foi que o sr. José Pinto Ferreira já tenha sido riscado do número dos vivos. Morreu sem que alguém lhe esboçasse um gesto de gratidão; mas, com certeza que se não sentiu ofendido, pois, quem dá como ele dava, de olhos postos em Deus e não nos homens, não quer manifestações nem grandezas. Que a sua alma descanse em paz. Como decorreu a festa de homenagem Às 10, 30 horas da manhã, foi celebrada uma missa em acção de graças, cantada pelo coro litúrgico feminino, retransmitida por alto-falante, na Capela da Senhora das Graças. O pequeno templo estava repleto de pessoas de todas as categorias sociais, apresentando um aspecto imponente e festivo. À esquerda do Altar, colocou-se o homenageado vivo, sr. Randolfo Pinto Ferreira. Foi celebrante o reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, Pároco desta terra; ao Evangelho foi proferido um brilhante sermão pelo reverendo dr. Miguel Baptista Pereira, da vizinha freguesia de Bagunte, que focou as virtudes cristãs e os raros sentimentos religiosos do homenageado presente, implorando à Virgem Mãe protecção para aquele Seu filho. No fim do acto religioso, foi descerrada uma lápide comemorativa desta homenagem, pela menina Maria Emelina das Costa Pinto Ferreira, filha do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, sobrinho do homenageado, que continha a seguinte inscrição:

Homenagem desta freguesia

A seus beneméritos filhos

Randolfo Pinto Ferreira

E

José Pinto Ferreira

21/10/1956

Enaltecendo as qualidades morais e cívicas dos homenageados, falaram, ainda, o reverendo Abade da Junqueira, e o sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta, em nome desta e do povo da Junqueira. Em nome do homenageado presente, falou o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, que agradeceu a homenagem dos seus conterrâneos a seus tios, afirmando que tudo o que ele faz não é mais do que aquilo que lhe vai na alma. Ainda no uso da palavra, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira acabou, também, por agradecer aos homenageados, em nome do povo da Junqueira, pedindo que esses mesmos agradecimentos fossem transmitidos à viúva do outro seu tio, sr. José Pinto Ferreira, desejando a todos as maiores felicidades. Em seguida, o reverendo Abade dirigiu-se ao microfone e deu calorosas vivas ao sr. Randolfo Pinto Ferreira, e família, ao sr. Presidente da Câmara e à Junqueira. Finda a homenagem, o sr. Randolfo Pinto Ferreira foi cumprimentado e cordialmente abraçado pelas mais destacadas individualidades desta terra. – C.

9 DE FEVEREIRO DE 1957 Junqueira, 4 Num magnífico salão da “Casa do Mosteiro”, efectuou-se no dia 27 de Janeiro último uma reunião de estudo, em vistas à organização de uma Obra de Assistência Social nesta freguesia. Porque o problema é complexo e os grandes jornais já o noticiaram, limitamo-nos apenas a um resumo substancial. Estiveram presentes as pessoas de maior destaque no nosso meio. Aberta a sessão pelo sr. João Rebelo de Carvalho, falou em seguida o reverendo Pároco desta freguesia, que focou o objectivo da obra e a sua orgânica, que é igual à das Conferências Vicentinas e Centros de Assistência. O sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira louvou e incitou tão bela iniciativa, propondo a todos o exemplo de Fajozes e Mosteiró – as únicas freguesias deste concelho com obras de assistência. É justo que o seu exemplo tão nobre seja seguido por toda a parte. Numa brilhante alocução, o sr. Professor Lopes da Costa apresentou uma súmula de ideias práticas para a concretização do mesmo fim, sem esquecermos as oportunas sugestões dos srs. Nuno Salgueiro e Manuel Leite de Sá. Assumiram, para já, o fatigante encargo da organização, os srs. João Rebelo de Carvalho, pe. Manuel Baptista de Sousa, António Magalhães Júnior e Júlio da Costa Amorim. Que todos compreendam o seu esforço e prestem o seu concurso moral e material a tão digna cruzada de auxílio aos necessitados, são os nossos votos.

7 DE SETEMBRO DE 1957 Junqueira, 3 Casamento No passado dia 26, efectuou-se o enlace matrimonial da menina Adília Ferreira Lopes da Costa, digna professora de Ferreiró e filha do sr. José Lopes da Costa (professor aposentado) e da sra. D. Etelvina Ferreira Lopes da Costa, com o sr. Eduardo da Silva Aguiar, comerciante no Brasil, filho do sr. Manuel Aguiar e da sra. D. Felismina da Silva Félix. A cerimónia religiosa foi realizada pelo digno pároco desta freguesia, Pe. Manuel Baptista de Sousa, na Igreja de Nossa Senhora da Penha, em Guimarães. Paraninfaram o acto um irmão do noivo, sr. António Lopes da Costa e sua esposa, a sra. D. Maria da Conceição Azevedo Lopes da Costa. Finda a cerimónia, foi oferecido, aos convidados, um primoroso almoço num hotel daquela cidade. Em seguida, os noivos – a quem desejamos uma perene felicidade – seguiram em viagem de núpcias por várias terras de Portugal.

5 DE OUTUBRO DE 1957 Junqueira, 26 Casamento – No último dia 19 de Setembro, consorciou-se no Santuário do Sameiro, em Braga, a menina Fernanda Souto Magalhães, estimada filha do importante e conceituado comerciante desta freguesia, proprietário da “Casa Quelhas”, sr. António Ferreira da Costa Magalhães, com o sr. Joaquim Ferreira da Costa, comerciante em Angola. Depois da cerimónia religiosa, foi oferecido aos numerosos convidados um lauto almoço num restaurante daquela cidade, perante o qual usaram da palavra o pároco da freguesia dos noivos, Pe. Manuel Baptista de Sousa, o Pároco de Gavião – Famalicão, Pe. Manuel Gomes da Costa e o professor aposentado sr. José Lopes da Costa, que focaram, em brilhantes improvisos, as excelentes qualidades dos noivos. A estes, que em breve partem para Angola, desejamos muitos prosperidades no futuro.

7 DE FEVEREIRO DE 1959 Junqueira, 4 Visita Pastoral Na passada 4ª feira, dia 28, engalanou-se esta freguesia para receber, condignamente, Sua ex.ma reverendíssima o sr. Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga, D. Francisco Maria da Silva. Às 15 horas em ponto, conforme estava anunciado, chegou ao Cruzeiro Sua Ex.ma reverendíssima, acompanhado do seu fâmulo e do sr. Arcipreste de Vila do Conde. Uma grande multidão de povo o aguardava, com os corações em festa, que se expandiram em vivas entusiastas ao sr. Bispo, à Igreja Católica e ao sr. Arcebispo Primaz. D. Francisco Maria da Silva, com um sorriso de gratidão e simpatia a aflorar aos lábios, lançou a benção sobre todo o povo e depois ouviu palavras de saudação proferidas por uma gentil menina., que no fim lhe entregou, dentro de uma salva de prata, um envelope com uma avultada esmola para o Seminário. Depois de S. Ex. se ter paramentado, seguiu em procissão para a Igreja Paroquial, cujo percurso estava coberto por um rico tapete. Na Igreja, D. Francisco Maria da Silva proferiu breves palavras ao povo, agradecendo a manifestação de que foi alvo, e traçando, em resumo, o fim da sua visita a esta terra. Seguiu-se depois o Crisma, de que foram padrinhos a sra. D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira e o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, e, no fim, o exame de doutrina às crianças e a visita aos Altares. Findas estas cerimónias, S. ex. tornou a falar ao povo, tendo, novamente, palavras de agradecimento pela maneira carinhosa e festiva como o haviam recebido e revelou as suas impressões colhidas durante esta visita: dirigiu palavras de louvor ao nosso pároco, Pe. Manuel Baptista de Sousa, pelo zêlo com que cuida do seu rebanho e pelo esmero com que apresentou a igreja que lhe confiaram; deu os parabéns às catequistas, que tão bem preparadas tinham as crianças, em catecismo; finalmente, dirigindo-se a todo o povo, disse estar encantado com a gente da Junqueira, que lhe pareceu ser bem cristã. No fim, S. ex. dirigiu-se à Residência Paroquial, onde lhe foi oferecido um fino copo de água. Parabéns ao nosso pároco e a todas as pessoas que contribuiram para o brilho desta festa.

22 DE AGOSTO DE 1959 Junqueira, 17 Escutas Por iniciativa feliz do nosso Rev. Pároco, Pe. Manuel Baptista de Sousa, foi fundado um grupo de escuteiros nesta freguesia. Depois de um período de aturada preparação, fazem a “Promessa” no próximo domingo, dia 23, os primeiros 10 escutas. No sábado, às 22 horas, haverá “Velada de Armas”, com a presença do núcleo de escuteiros da vila vizinha, que acampará junto à Igreja Paroquial, na “Quinta do Mosteiro”. No domingo, às 9 horas, haverá a concentração de todos os escutas que tomam parte na cerimónia da “Promessa”, junto à Capela da Senhora das Graças, seguindo-se um desfile, acompanhado de fanfarra, até à Igreja Paroquial. Aqui, às 10 horas, será celebrada uma Missa dialogada pelos escuteiros, no fim da qual se procederá à cerimónia da “Promessa”, seguida de uma alocução pronunciada por um assistente escutista. Durante o resto do dia de domingo, os escuteiros farão exibição de jogos e de outras competições escutistas.

1 DE OUTUBRO DE 1960 Junqueira, 27 Cortejo de oferendas No passado domingo, dia 25, realizou-se um imponente cortejo de oferendas, cujo produto deve exceder as duas dezenas de contos e se destina a melhoramentos vários na nossa Igreja Paroquial. Às 2 horas da tarde chegou ao Adro da Igreja o povo do lugar de Barros, seguido do de Casal de Pedro; depois, conjuntamente, Lamelas, Real, Boucinha, Barreiro, Sanguinhal, Vilar de Matos, Moinhos e Cerqueiral, a seguir Chantada e Venda e, finalmente, Garrida. Todos os lugares se fizeram representar com muitas e lindas raparigas, com trajos vianeses, levando à cabeça pesados cestos de ricas merendas ou de loiro cereal; ao lado, rapazes de faixa à cinta e galheiro ao ombro; a fechar o cortejo, carros de bois transportavam pipas de vinho ou madeira. Foi um espectáculo fascinante, onde não faltou o colorido festivo dos trajos femininos e a alegria das canções populares, entoadas com entusiasmo pelos rapazes e raparigas, que se dirigiam à Igreja transportando as suas dádivas. Isto veio, sem dúvida alguma, provar quão infundadas e aleivosas são as afirmações dos que dizem que a gente da Junqueira não é capaz de qualquer empreendimento de vulto; a Junqueira não possui apenas a fama do seu nome, como há quem diga; também é capaz de mostrar as suas virtudes, quando se proporciona aso para isso. O nosso prestigioso pároco, Pe. Manuel Baptista de Sousa, soube tornar compreensível a necessidade que a nossa igreja tem de ser arranjada e isto bastou para que todos , briosamente, cada um querendo dar mais que os outros, organizassem este imponente Cortejo que a todos causou espanto, excepto ao povo da Junqueira, que sabia há muito de quanto era capaz!… A Junqueira está, portanto, de parabéns, e o seu pároco também.

2 DE ABRIL DE 1963 Pelos Bombeiros (…) Comissões pró-Ambulância Como consequência das diligências feitas em cada freguesia, já podemos neste número publicar a constituição das seguintes Comissões eleitorais: (…) Junqueira – António da Costa Faria, Pe. Manuel Baptista de Sousa e José Fernandes Campos. (…)

13 DE ABRIL DE 1963 Encontro da Juventude Católica em São Simão da Junqueira Nos dias 20 e 21 do mês corrente, Lisboa terá a honra de ser o palco do “Grande Encontro da Juventude” portuguesa. Nem todos os jovens se poderão encontrar aí fisicamente, e, por isso, a juventude católica desta região, impossibilitada de se deslocar a Lisboa, reunir-se-á num “encontro” fac-simile junto à Igreja da Junqueira, a fim de que, em uníssono com seus irmão reunidos na Capital da Nação, grite, livre, forte e conscientemente, que o seu Lema presente e do futuro será este: “Escolher Deus”. É sublime esta resolução juvenil, porque é optar pela melhor parte do dilema: ou Deus ou nada, a verdade ou a mentira, a luz ou as trevas, a vida ou a morte. Enquanto Jesus Cristo afirmava que “quem não é por mim é contra mim”, Pedro, o chefe dos apóstolos, professava solenemente que “só Deus tem palavras de vida eterna”. Escolher Deus é cultivar a sementeira da vida divina operada na nossa alma no dia do Baptismo, é viver a vida de Cristo em plenitude, é mudar o rumo da nossa vida, é abrir os caminhos fechados da eternidade, é luminar o mundo tornando-o melhor. O programa será o seguinte: Às 17 horas do dia 21 haverá Missa Campal, dialogada e solenizada com cânticos adequados e uma breve e apropriada alocução proferida pelo celebrante. Será distribuída a Sagrada Comunhão a todos os jovens que venham preparados, nunca esquecendo a concretização deste ideal: “que não haja domingo sem missa, nem missa sem comunhão”. Confiando no vivo entusiasmo, na boa escola e doação cristã da juventude desta região inteira, aguardamos com ansiedade o quadro maravilhoso e deslumbrante desse dia, para estímulo e incitamento de muitos, ou para vergonha e confusão de alguns. Baptista de Sousa

18 DE MAIO DE 1963 Na Junqueira Encontro da Juventude O Encontro da Juventude realizado nesta freguesia no dia 21 de Abril findo, foi, sem exagero algum, um êxito e uma surpresa. Sempre a juventude foi tão generosa no sacrifício, tão decidida no heroísmo, tão ardente e calorosa no amor de Deus e do próximo e tão fiel aos altos e nobres ideais, que já não é de admirar ela “crescer em beleza e sublimar-se em Bondade”, sendo sempre a vencedora das grandes e ásperas batalhas da vida espiritual e moral. A tarde desse dia jamais esquecerá a todos nós, que n Missa Campal vespertina, junto à nossa Igreja Paroquial, vimos reunidos mais de dois mil jovens de várias freguesias vizinhas, a gritar vibrante e calorosamente que Deus será sempre o Senhor da sua vida. Dizer, em poucas linhas, o que foi essa demonstração de fé e de empolgante entusiasmo, é tarefa pouco difícil pois factos desta elevação melhor se vivem do que se descrevem. Parabéns a toda essa juventude. Todavia, queremos frisar que o Encontro começou dentro de nós e deve prosseguir na prática exterior da nossa vida cristã, traduzido em boas obras, a fim de que estas sejam Luz resplandecente a aprovar o verdadeiro e único caminho da salvação de todos os homens. Se escolher Deus foi o vosso lema, a força que vos reuniu, que a vida com Deus seja também o resultado prático de tão inolvidável reunião. Que este acto do Encontro seja um princípio de vida nova e nunca um infeliz termo duma jornada. B. S.

15 DE FEVEREIRO DE 1964 Pelos Bombeiros Continuamos a publicar os nomes das pessoas que contribuíram, com os seus donativos, para a compra da nova ambulância: Freguesia da Junqueira Com 250$00: Dr. Eduardo Campos da Costa Com 200$00 António da Costa Faria Com 100$00 Dr. Carlos Pinto Ferreira e Joaquim Ferreira da Costa Com 50$00 Adelino Azevedo Cunha e Pereira, Flávio de Freitas Faria, António Ferreira da Costa Magalhães, António Lucas Patrício, Manuel Lopes Curval, Anónimo, Júlio da Costa Amorim, Alberto Lima Ventura da Conceição, Carlos Rocha e Padres Monfortinos. Com 40$00 José Lopes da Costa Com 30$00 Alcino Costa Fernandes, Padre Manuel Baptista de Sousa e Manuel Domingos e Sá Com 20$00 Manuel da Silva Costa, Carlos da Silva Lopes, Alberto Antunes Lopes da Costa, Serafim Martins Ramos, Alfredo Moreira Maia, António Gonçalves Araújo Ramos, Manuel Campos Ferreira, António da Silva Baptista, Alexandrino Gomes Peniche, D. Maria Gomes da Silva Casa Nova, Ernesto Cardoso de Oliveira, Joaquim Gomes da Silva, Armindo da Silva Lopes, Joaquim Gonçalves de Sá, João da Costa Carneiro, Manuel Lopes da Silva, José Maria Ferreira, Albino Ferreira Boucinha e Manuel Gonçalves Ferreira. Com 10$00 Domingos Lopes Faria, António Pereira Novais, Luís Cândido Baptista da Costa, Manuel Lopes Baptista da Costa, José da Costa e Silva, Adelino Gomes Oliveira, Luis Dias, Joaquim da Costa Santos, João Amorim Silva Capela, Armando da Costa Neves, Carlos Baptista Carvalho, Amândio Machado, António Oliveira, Manuel José Pereira, José de Sousa, Manuel da Costa Ferreira, Joaquim Gomes Ferreira, Alfredo José do Vale, Daniel Ferreira, José Ferreira de Matos, António Ferreira de Matos, José da Costa Oliveira, Domingos Cunha Soares, Manuel José Aguiar, António Gonçalves Faria, Fernando da Silva Fernandes, Francisco Lopes da Silva, Amadeu Alves, Adelino Lopes da Silva e Joaquim Ferreira Matos. Com 7$50 Lino Fernandes Faria e Júlio Balazeiro Amorim Com 5$00 Manuel Rodrigues da Costa, Joaquim Gonçalves Baptista, Adelino Cândido Baptista da Costa, José Lopes Moreira, Constantino Lopes Ferreira, Marcelino Gomes Araújo, José Ferreira da Costa, Carlos Frutuoso da Silva, Augusto Lopes Moreira, Manuel Baptista Carvalho, Marcelino Baptista Oliveira, Américo Cândido Baptista da Costa, Marcelino Baptista da Rocha, Manuel José Luís, D. Maria da Piedade Neves, Francisco Pereira da Costa, José da Costa Campos, D. Odete Ferreira Soares Carneiro, José António Ferreira Alves, Eduardo Silva, António Carreira Faria, Joaquim Gonçalves Gomes, Alexandrino da Silva, José Maria Lopes, Fernando Vilarinho Silva, António Lopes Ferreira, António da Silva Azevedo, David Américo Ferreira Alves, José da Costa Santos, D. Inês Neves Maia, António da Costa Ramos, D. Emília Lopes Curval, António Lopes Alves, Ângelo Dias Ferreira, Alexandrino Machado da Cunha, Isaac Leituga de Sousa, Luís Carvalho da Silva, Abel da Costa Oliveira, José Lopes do Souto, António Francisco Fernandes, António da Costa Cardoso Barbosa, Júlio Pereira da Silva, Carlos Faria, Paulino Ferreira Matos, Manuel Fernandes, D. Diolinda Ferreira Matos, Augusto Cerqueira, António Ferreira da Silva, Francisco Pereira dos Santos, D. Arminda da Silva Cerqueira, Aníbal Moreira Mesquita, D. Olívia Rodrigues Palácio, Laurentino Alves das Neves, António de Oliveira Carvalho, D. Maria Alves de Oliveira, D. Maria Amélia Baptista, D. Albertina Joaquina Ferreira, Manuel Gomes Pereira, Joaquim Agra, Albino Lopes Ferreira, António Martins Ferreira da Costa, Adelino Oliveira Curval, Manuel da Costa e Silva, António Vilas-Boas, Manuel Silva, Manuel António Faria, António Joaquim Monteiro da Silva, D. Maria da Silva Ferreira, José Gomes Lameiro, Manuel Alves Amorim, Manuel da Silva Pereira, Manuel Capela, José Martins, Horácio da Silva Pereira, Joaquim Gomes da Silva, Horácio Costa Santos, José Ferreira da Costa, David Lopes Azevedo, Álvaro Gonçalves da Costa, Joaquim Lopes da Silva, Armindo Leites, José Lopes da Silva e Joaquim Lopes da Silva. De diversos, com importância inferiores a 5$00 – 257$30.

6 DE ABRIL DE 1964 Pelos Bombeiros (…) Comissões pró-Ambulância Como consequência das diligências feitas em cada freguesia, já podemos neste número publicar a constituição das seguintes comissões locais: (…) Junqueira – António da Costa Faria, P.e Manuel Baptista de Sousa e José Fernandes Campos. (…)

28 DE MAIO DE 1966 A população da Junqueira Homenageou um dos seus mais ilustres filhos – o Dr. Médico distinto, Director do nosso jornal e, até há pouco, Presidente da Edilidade Vilacondense No passado domingo, a nossa progressiva freguesia de S. Simão da Junqueira prestou homenagem a um dos seus filhos mais ilustres, o Dr. Carlos Pinto Ferreira, estimado Director deste semanário, que durante doze anos foi Presidente da nossa Edilidade. Querido das gentes da sua terra, querido de todos os vilacondenses, o dr. Pinto Ferreira viu, no domingo, à sua volta, todos os seus amigos, todos os seus conterrâneos, que ali foram afirmar, com as suas presenças, o respeito e a amizade que ele lhes merece. O Dr. Pinto Ferreira foi alvo de mais uma homenagem. O cidadão prestante, o médico ilustre, o homem bom, teve a rodeá-lo, no mesmo braço, todos os seus amigos junqueirenses. Afirmação de apreço, que a nós, que neste jornal trabalhamos, enche de orgulho. Pelas 11, 30 h. da manhã e na antiga Capelinha da Senhora da Graça, foi rezada Missa de Acção de Graças, sendo celebrante o Reverendo Padre Huberto Van Loo, da Congregação dos Padres Monfortinos, a que assistiram muitas pessoas, que enchiam por completo o pequeno Templo. Após a missa, teve lugar um almoço de homenagem, em Salão gentilmente cedido pelos activos junqueirenses A. Ferreira, e Irmão, vistosamente decorado com festões e lençoes de lavradeira. Presidiu o homenageado, que dava a esquerda aos srs. Bento Amorim, Presidente da Comissão Concelhia da U. N.; Dr. José da Silva Ramos, Presidente da nossa Câmara; D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira; Nuno Villares Salgueiro; D. Maria Júlia Ramos; José Fernandes Campos, Regedor; D. Rita Pinto Ferreira e Abílio F. Costa; e a direita à sra. D. Alice da Silva Ramos; Pe. Manuel Baptista de Sousa; D. Olga Pinheiro Salgueiro; António da Costa Faria, Presidente da Junta; D. Maria de Azevedo Gomes Amorim e António Ferreira de Araújo. Junto à Mesa de Honra, tomaram lugar a família do homenageado, convidados, entre os quais muitas senhoras, e, indistintamente, cerca de 200 pessoas. Ao champanhe, iniciou a série de discursos o sr. Presidente da Câmara, Dr. José da Silva Ramos, que começou por dizer que “das homenagens prestadas ao Dr. Pinto Ferreira, esta é a que mais deve dizer ao seu coração, por ser prestada por gente que o conhece de perto e sabe das suas qualidades de homem bom e amigo. Mais do que ninguém, eles podem dar a esta homenagem o cunho de uma perfeita manifestação de amizade”. Mais adiante, disse: “E eu, sinto-me francamente bem dentro desta casa, desta animação, porque também me sinto preso por uma simpatia à Junqueira, de que tantas vezes tenho recebido provas de amizade, que não posso, de maneira alguma, considerar-me um estranho nesta terra. aqui passei uns anos das minhas férias, aqui vim casar, aqui criei um grupo de amigos, tantos e tão bons que me sinto junqueirense de coração e como tal estou aqui a prestar-lhe esta homenagem de amizade, de reconhecimento e de admiração”. E, a terminar, afirmou: “Faço-o com a melhor da minha sinceridade e creia que é com ela que lhe desejo a melhor saúde, que consome generosamente em defesa dos outros, e aquelas prosperidades pessoais de que é bem digno”. Seguiu-se no uso da palavra, o Pároco da Junqueira, Pe. Baptista de Sousa, que em nome dos seus paroquianos, disse da razão daquela festa. Depois de agradecer a comparência dos junqueirenses aquela manifestação, recordou outra que o Concelho havia prestado ao Dr. Pinto Ferreira. “Foi por gratidão para com V. Ex.ª, que o Concelho lhe prestou homenagem em Vila do Conde, conforme é do conhecimento geral. A essa homenagem não poderíamos estar todos. Sem partidarismos e sem malquerença alguma, nós preferimos, então, fazer-lhe uma homenagem, de todos os junqueirenses, na terra da Junqueira. Aqui estamos, portanto, a prestar-lhe essa homenagem”. E, a terminar: “Segundo disseram os jornais, a quando da grandiosa manifestação em Vila do Conde, V. Exª só fez bem, só espalhou o bem. Interpretando os votos de todos os vilacondenses, eu bebo à saúde de V. Exª, para que continue, na sua nobre profissão, a espalhar esse bem”. Falou, a seguir, o sr. Dr. António Augusto Gomes Amorim que começou por historiar o que foi a acção do sr. Dr. Pinto Ferreira dentro da nossa Câmara, dos seus anseios e sacrifícios, dizendo, a certa altura: “Não admira, pois, que Vila do Conde lhe tivesse prestado uma homenagem retumbante, quando deixou, por imposição da Lei, o cargo de Presidente da Câmara. Mas não é V. Exª apenas o homem público que sacrifica a sua vida em prol do agregado social que dirige e representa. Como médico, é também o clínico incansável que acorre a toda a parte, onde há uma dor que é preciso minorar, onde há um condenado à morte a quem é preciso levar uma palavra de esperança. Como homem, em face da sociedade, é V. Exª o amigo dedicado, sempre pronto a servir o próximo. é para nós, portanto, sr. Dr. Pinto Ferreira, uma grande honra senti-lo no número dos junqueirenses. V. Exª ilustra a sua terra e são os homens que engrandecem uma terra e não a terra que engrandece os homens. Termino as minhas palavras, formulando o veemente desejo de que Deus lhe conceda ainda muitos anos de vida e saúde para que possa gozar no seio da sua família o descanso que nunca teve durante estes 12 anos de trabalho esgotante da sua terra”. Seguiu-se, no uso da palavra, o sr. Bento Amorim, que disse: “A minha provecta idade, que é séria, só fala a verdade e V. Ex.as sabem que é assim. Por isso quero dizer que sendo convidado para assistir à vossa festa, convite que me desvaneceu, vim com todo o prazer, para mais uma vez convier com os senhores da Junqueira, fidalgos e gente séria, que quiseram homenagear em festa íntima o seu médico e ilustre conterrâneo, Dr. Carlos Pinto Ferreira, que por ter deixado a presidência da nossa Câmara Municipal foi ainda, há bem pouco, homenageado com toda a dignidade pelo nosso concelho. É feliz o Dr. Carlos Pinto Ferreira. É Feliz por ver que lhe são gratos os seus conterrâneos. E essa gratidão, porque não dizer, toca-me, comove-me. Mas são gratos, porquê? Porque V. Ex.as são justos e o Dr. Pinto Ferreira merece. Ouvi dizer ainda há pouco que o Dr. Pinto Ferreira serviu a Nação durante doze anos. Não. Serve-a há mais de trinta! E quero aqui dizer, e com honra o digo, que sempre o encontrei a servir com todo o entusiasmo e a maior lealdade. E a lealdade dos homens, minhas Senhoras e meus Senhores, é rara. Eu, naturalmente, também aqui estou pela muita amizade que me liga ao homenageado, amizade de todos conhecida. E também o que mais exalta e se salienta nesta amizade, é uma lealdade profunda e quase sem limites. Pode haver grandes e duradouras amizades, mas lealdade sincera que dura trinta e sete anos, é muito, muitíssimo rara. Por isso, calculem o quanto me é grato estar entre V. Ex.as e pelo motivo por que estamos reunidos. Associando-me, pois, de todo o coração a esta íntima homenagem, eu brindo, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, pela sua saúde e de sua Ex.ma Esposa, e que Deus lhe dê, com muitas prosperidades e alegrias, muitos e bons anos de vida, para bem de todos nós”. Em nome da Comissão Organizadora daquela festa de homenagem, falou, depois, o sr. Nuno Salgueiro, que proferiu as seguintes palavras: “A Comissão organizadora desta, como se vê, tão sincera e sentida homenagem ao sr. Dr. Pinto Ferreira e, paralelamente também, à Sra. D. Felismina, para nós todos a Sra. D. Mina, que sempre, com exemplar dedicação e eficiência, o acompanha, quis dar-me a honra de aqui a representar. Peço licença para tratar o querido casal homenageado com esta familiaridade. Encontramo-nos numa autêntica festa de família, e é assim que entre todos os seus simpáticos conterrâneos eles são conhecidos e assim que, certamente, querem continuar a ser carinhosamente tratados. Mas abrimos, com muito gosto de todos, quatro excepções e quisemos ter aqui connosco o Ex.mo Sr. Dr. José da Silva Ramos, distinto sucessor do sr. Dr. Pinto Ferreira na presidência da Câmara de Vila do Conde e grande amigo desta freguesia, conde até, veio casar, e o Ex.mo Bento de Sousa Amorim, dedicado amigo de todo o concelho, que, se todos procuram nas horas de aflição e sempre encontram de braços protectoramente abertos, também queremos junto de nós nas horas de alegria e gratidão. Pedimos para que Suas Ex.as se fizessem acompanhar por suas Ex.mas Esposas e, assim, temos a honra da presença da Senhora do Sr. Dr. Silva Ramos, tendo sido privados da honra da assistência da Senhora do Sr. Bento Amorim, infelizmente por motivos de saúde. Ao sr. Dr. Pinto Ferreira, e a sua Ex.ma Esposa, queremos deixar aqui bem marcado o nosso agradecimento por terem permitido que se realizasse esta manifestação de admiração e reconhecimento. A Comissão organizadora quer, ainda, agradecer ao Povo da Junqueira, a maneira como, por todas as formas, colaborou e correspondeu às suas propostas. A razão e justiça desta festa de homenagem, é bem compreendida e sentida por todos quantos estão aqui reunidos. Resta-me, por isso, pedir ao nosso querido homenageado que aceite esta lembrança, que estes seus amigos, e ainda alguns, impossibilitados de aqui estar presentes, lhe querem oferecer para guardar como recordação da amizade, gratidão e admiração de todos”. Uma bela moçoila, em traje de festa, ofereceu, então, ao Dr. Pinto Ferreira, um artístico tabuleiro em prata, com um valioso serviço de porcelana; e as meninas Maria Gabriela e Maria Carla, netas do homenageado, ofertaram às Ex.mas Sras. D. Alice da Silva Ramos e D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, dois lindos ramos de flores. Visivelmente emocionado, levantou-se, então, o homenageado, sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira que disse o seguinte: “ As palavras imerecidas que me dirigistes, são o reflexo do sentir do vosso coração magnânimo, sempre dado à realização de obras que marquem a sua passagem pela Terra. Para mim, esta festa, será mais ainda uma festa de confraternização, de unidade, que mostre, que todos juntos, de mãos dadas, sem olhar a retaliações e malquerenças, caminhando em frente, podemos contribuir para o engrandecimento da nossa Terra – de Vila do Conde. E foi assim, com a ajuda de todos, que eu pude, durante 12 anos, superando intempéries, mas com os olhos no futuro, estar à frente dos seus destinos. Na imensidade do tempo, isto é uma gota de água, que corre lentamente, mas que deixa bem marcado, ao alto, o que planeamos e tão avaramente quisemos realizar, para bem da comunidade. Alguma coisa se fez. Porém, muito também ficou por fazer. Espero que um dia os nossos legítimos anseios sejam uma realidade, a mostrar aos nossos descendentes o quanto vale uma vontade firme e persistente de bem querer. Quiseram dar-nos a honra da sua presença, pessoas muito ilustres da nossa Terra – os ex.mos srs. Bento Amorim e Dr. José Ramos, que comandam os destinos de Vila do Conde e sobejamente conhecidos de todos nós pelas suas altas qualidades de inteligência, de trabalho e amor à Terra que os viu nascer. Outras, que embora não sendo de cá, estão radicadas a esta Terra tão antiga e tão cheia de tradições, a quem devo muita amizade. A todos desejo testemunhar a minha gratidão e sinceros agradecimentos. Para a Comissão organizadora desta festa, para todos os meus amigos e conterrâneos, aqui presentes ou que de qualquer forma para ela contribuíram, sem distinção a todos agradeço com um abraço, que deixará em cada um – um muito obrigado – muito sentido e muito do coração”. ———————————————–Notas – A Comissão Organizadora da Festa de Homenagem ao sr. Dr. C. Pinto Ferreira era constituída pelos srs.: Pe. Manuel Baptista de Sousa, pároco da freguesia: Nuno Vilares Salgueiro, Dr. António A. Gomes de Amorim, Dr. Eduardo Campos Costa, José Fernandes Campos, Ernesto Cardoso de Oliveira, António Araújo Ramos, António da Costa Faria, Abílio Ferreira da Costa, António Ferreira de Araújo, José Quinteira, Bento Correia, Manuel Lopes Curval e António Alves. Renovação agradece a gentileza do convite e todas as atenções dispensadas ao seu enviado especial.

9 DE SETEMBRO DE 1967 Novo Pároco da Junqueira Toma, amanhã, posse da paróquia da freguesia de S. Simão da Junqueira, deste concelho, o novel Sacerdote Reverendo Adélio Ferreira da Silva Loureiro, que exercia o seu múnus nas freguesias anexas de Azias e Sampriz, do concelho de Ponte da Barca. O Reverendo Pe. Adélio, vem substituir o nosso particular amigo Reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, que ali paroquiou largos anos e foi agora nomeado Prior da vila de Esposende. Felicitamos o novo Abade de S. Simão da Junqueira e esperamos as suas notícias paroquiais.

Pe. Manuel Baptista de Sousa Na passada terça-feira, esteve na nossa Redacção, a apresentar cumprimentos de despedida, o Reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, que durante largos anos, em proveitoso apostolado, paroquiou a ridente e histórica freguesia da Junqueira, onde gozava de gerais simpatias. O Reverendo Pe. Baptista de Sousa, que foi transferido para a vila de Esposende, pediu-nos, por impossibilidade de o fazer pessoalmente, que de todos os seus bons amigos desta região se despedia, com muitas saudades, e ao dispor de todos se encontrava na sua nova paróquia.

26 DE OUTUBRO DE 1968 Cento e trinta contos renderam os Cortejos para a obra da Igreja de S. Simão da Junqueira Fundado nos começos do século XI, sob a invocação de S. Simão e S. Judas Tadeu, o Mosteiro da Junqueira, da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, foi uma das mais ricas casas conventuais dos princípios da Monarquia. Levantado na “Villa Freandi”, logo choveram doações de terras, entre elas a que Sugério Rauco, da “Villa Gracim” (S. Martinho de Outeiro) lhe fez em 1084 e que é o mais antigo documento do Mosteiro. Desde a sua fundação até ao século XVI, foi o Mosteiro administrado por 24 Priores vitalícios, servindo a Igreja Conventual, dos começos do século XII de Igreja Paroquial, pois daí começa a Paróquia da Junqueira. A partir de 1566, o Mosteiro entrou na administração dos Priores Comendatários, Clérigos uns, fidalgos outros, que, pelas muitas exigências, quer de “Pousio”, “comedorias” ou “casamentos” a arruinaram. Foi seu último Comandatário, Martin Pinheiro, Abade de Touguinhó. Em 1589, porque as rendas fossem diminutas, apenas lhe foi consentido albergar 2 frades, um Prior encomendado e um companheiro, até que, pela reforma do de Santa Cruz de Coimbra, em 7 de Fevereiro de 1595, foi unido ao de Moreira da Maia. Recobrada a autonomia em 1687, os Frades lançam-se à construção de uma nova Igreja – a actual Paroquial de S. Simão da Junqueira; mas pouco mais de meio século volvido, e porque o Convento de Mafra da mesma Ordem, necessitava de dinheiro, o Cardeal da Cunha vendeu a um particular por 4800$00 o convento e a cerca (1770), deixando apenas a Igreja à Paróquia, tendo os rendimentos passado em 1834 para a Fazenda Nacional. Vendidos os foros, apenas em 1843 existia, na posse da Fazenda Nacional, o celeiro conventual, porque “ninguém dava nada, por ser em lugar remoto da freguesia”. O Convento está hoje na posse da Família Rebelo de Carvalho, da Casa dos Pereiras, de Lousada. Extinto o Convento, apenas a Igreja e o Cruzeiro ficaram a atestar da riqueza da Casa, no século XVII. Duma só nave, em cruz latina, com duas bem lançadas Torres e abóbada de berço, a Igreja Paroquial da Junqueira é, dentro do estilo “Jesuítico”, uma “magnífica silharia de pedra”. Das maiores igrejas do concelho – 42, 85 de comprido – possui oito altares, de boa talha e imagens de excelente factura, entre elas uma do Senhor dos Passos, talvez a mais antiga do Templo. No arco do altar-mor, a imagem de Santo Agostinho recorda a Ordem a que pertenceu. Como todas as Igrejas da época, serviu de cemitério. Sob o soalho, escondem-se diversas sepulturas. Apenas duas se mostram junto ao altar-mor, sendo uma delas a do Comendador Andrada, um dos possuidores da Casa Conventual. Porque a água que anteriormente corria na cerca em canos, se espalhou sob as fundações, a Igreja Paroquial de S. Simão da Junqueira tem a sua abóbada “selada”. Constituindo um perigo para os fiéis e uma perda para a arte a queda do Templo, o anterior pároco da freguesia, Reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, lançou um apelo à freguesia para restaurar o Templo e a freguesia disse que “sim”. E o que disse ao Pe. Baptista de Sousa, afirmou-o agora ao actual Pároco, Reverendo Adélio Ferreira da Silva Loureiro, promovendo dois cortejos de oferendas, que ficarão memoráveis, pois não é fácil encontrar uma aldeia que, depois de ter dado, há pouco mais de seis meses, para as obras a iniciar brevemente, cerca de 200 contos, junte àqueles mais 130. Só o muito querer às coisas de Deus, ao seu pároco e à sua freguesia, puderam dar forças àquela boa e honrada gente da Junqueira para contribuir, assim, para uma obra que está orçada em mil contos e que eles, com a ajuda do Estado, levarão a efeito. Bem hajam! O cortejo de domingo, o segundo levado a efeito na freguesia, englobou os lugares do sul da mesma; o anterior, realizado pelos lugares do norte, rendeu cerca de 50 contos, que com a quantia arrecadada no de domingo, atinge 130 mil escudos. Abriu o cortejo o Grupo de Escutas da Junqueira, que transportava as suas oferendas. Depois, foi um desfilar de crianças, moças e rapazes, envergando trajes da região, muito deles cobertos de notas de mil escudos. Para que o leitor faça uma ideia, basta dizer-lhe que só o lugar da Garrida “vestiu” a neta do nosso Director e mais meia dúzia de crianças, com 17750$00. Esta importância, somada às transportadas pelas moças dos outros lugares, no cortejo, ultrapassou 30 contos. Mas não só o dinheiro figurou no cortejo. Pipas de vinho, carros, tractores e camionettes com excelentes madeiras – uma camionete transportava um eucalipto, limpo de rama e de braços que pesava 8 toneladas – cereais em sacos e a granel constituíram, pelo arranjo dos carros, motivo de interesse. Depois, foram os cestos, os belos e ricos cestos das casas da Junqueira, em que as mais pobres, pela fartura da dádiva, pediram meças às mais ricas… E tudo isto acompanhado com tocatas, a que se juntaram as vozes das moças da Junqueira, em cantigas alusivas à finalidade do cortejo. Nada ali faltou: apontamento curioso o do carro dos ciganos, a carácter, transportando também ofertas para as obras da Igreja. O leilão, realizado a seguir, e que a tarde outonal não deixou se prolongasse, esteve animadíssimo: basta dizer que rendeu cerca de 50 contos. Somando a importância agora arrecadada, aos duzentos contos, números redondos, que nos dizem estar já em cofre, temos para a obra 330 contos. É pouco, muito pouco, para quem tem de gastar mil. Arranjar mais 670 contos, não é brincadeira, dirá o leitor. Como estais enganados. Tivésseis ido à Junqueira, no domingo, tivésseis visto o entusiasmo daquela gente, a união em volta do seu pároco, o querer à sua Igreja, e à causa do Senhor, e não pensareis assim… A Formiga pouco pode, mas com suas companheiras leva para onde quer, objectos que tem dezenas senão centenas de vezes o volume do seu corpo. Também as 1936 formigas da Junqueira levantarão na sua Igreja uma nova abóbada, e nela farão obra que, sem a adulterar, a deixe, séculos fora, à admiração dos homens. Para tanto, basta caminhar unidos em volta do seu Pároco, sacerdote desinteressado e bom. Ele espera de todos os seus paroquianos constância: e os paroquianos, porque o querem e estimam, esperam, quando, daqui a muitos anos, o Senhor o chamar a dormir na sua Paz, continuar a tê-lo entre eles; na vida, ou depois dela, custa muito separar-nos daqueles a quem amamos; e os filhos da Junqueira, sabem amar aqueles que os fazem trilhar, certos, os caminhos que levam ao Senhor.

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