Randolfo Pinto Ferreira

Dados biográficos:

  • emigrante no Brasil
  • tio de Carlos Pinto Ferreira, Manuel Pinto Ferreira, Ana Pinto Ferreira e Deolinda Pinto Ferreira
  • irmão José Pinto Ferreira
  • cunhado de Olga Aguiar Ferreira
  • Pai de Luiz Pinto Ferreira
  • casado com Eufrosina Oliveira Pinto Ferreira
  • faleceu a 25 de Outubro de 1958, aos 72 anos de idade

RandolphoPintoFerreira

Fonte: FamilySearch.org

Notícias completas:

21 DE MAIO DE 1911 Passou no último dia 10 o aniversário natalício do nosso presado amigo sr. Randolfo Pinto Ferreira, actualmente em Pernambuco, e a quem o nosso jornal deve penhorantes gentiliezas. Os nossos parabéns.

18 DE JUNHO DE 1911 Desastre – Por informações vindas do Brasil sabemos que no dia 1 do corrente, na cidade do Recife, Estado do Pernambuco, houve o desabamento de uma obra nova, em reconstrução de um prédio, do qual foi vítima o nosso presado amigo, assinante e correspondente, sr. Randolfo Pinto Ferreira, natural da freguesia da Junqueira, deste concelho, e há pouco ido deste país. Na casa n. 8 e 10 da rua Segismundo Gonçalves, daquela cidade, está estabelecido numa filial da ourivesaria “Krauss Sobrinhos”, onde aquele nosso amigo se encontrava; e aconteceu, que tendo a Ordem Terceira de S. Francisco da mesma cidade mandado reconstruir um prédio confinante, essa obra foi tão mal feita que as paredes desabaram sobre a ourivesaria, ficando sob as ruínas o sr. Randolfo, que foi conduzido ao hospital em gravíssimo estado. Felizmente, as últimas notícias que soubemos dão ao nosso querido amigo em relativo bom estado, depois de operado a um dedo e de encanada a fractura de uma perna. Fazemos votos pois que o seu restabelecimento seja rápido. in Jornal República

9 DE JULHO DE 1911 – Por notícias recebidas do Brasil, sabemos que está quase restabelecido o nosso amigo sr. Randolfo Pinto Ferreira. in Jornal República

5 DE OUTUBRO DE 1911 Chega hoje a Lisboa, vindo de Pernambuco, o nosso amigo e assinante sr. Randolfo Pinto Ferreira. in Jornal República

15 DE OUTUBRO DE 1911 De Pernambuco, chegou já a esta vila o nosso amigo sr. Randolfo Pinto Ferreira, que nos ares pátrios vem procurar melhoras. in Jornal República

3 DE DEZEMBRO DE 1911 Encontra-se em Lisboa o nosso dedicado amigo sr. Randolfo Pinto Ferreira. in Jornal República

13 DE SETEMBRO DE 47 (Junqueira, 2) Qualquer pessoa que a sorte designe para exercer um cargo público deveria ter o maior prazer que, da sua administração, honrada e inteligente, resultasse qualquer obra útil para a colectividade, e que lentamente fosse modificando a fisionomia da sua terra, dando-lhe comodidade e mais beleza.
Era um bem e um incentivo para os futuros ocupantes daquele cargo, que por sua vez pensariam ligar o seu nome a novo benefício com o qual iriam engrandecendo a sua terra.
E assim, com estes dois grãos de areia com que cada um concorreria para o grande edifício social, diligente e patrioticamente se iria levantando a montanha da civilização esplêndida e fecunda.
Infelizmente não acontece assim. Não se escolhem para os cargos indivíduos competentes, activos, empreendedores, o que é uma pena. Passa um ano, passa uma década, passa uma vida e a aldeia é o que sempre foi, terra de bons ares, mas inóspitas, sem atractivos de qualquer espécie. E se uma vez se levanta, desinteressada e honesta, a apontar uma falta, a defender uma velha regalia da terra, a lembrar a conveniência de certo melhoramento, logo esse gesto é denegrido e acoimado de subversivo e hostil.
Como se – como muito bem disse Renovação num dos seus passos do último número – todos os que nessa terra vivem sejam cegos… A obra de maior vulto feita nesta freguesia nos últimos cinquenta anos foi a inauguração da luz eléctrica. Nunca nos cansaremos de destacar os nomes dos dois beneméritos que mais concorreram para esse importante melhoramente e a quem, mais uma vez, rendemos as nossas mais sinceras homenagens: os ex.mos srs. Randolfo Pinto Ferreira e D. Mafalda Gomes Machado. Agora consta que as autoridades da terra, juntamente com a Comissão da União Nacional, vão aproveitar o benefício do grande plano dos Centenários para construir nesta freguesia uma escola feminina. Essas entidades, que já efectuaram várias diligências para esse fim, não deixarão passar a magnífica oportunidade, pois é urgente que a escola feminina saia do edifício verdadeiramente impróprio em que desde há anos está instalada. Também o público aguarda com muita ansiedade que seja inaugurada a luz pública nesta freguesia, conforme foi deliberado há cinco anos numa Assembleia Geral da Sociedade Electrificadora desta freguesia. É um elementar dever que isso se faça, tanto mais que foi deliberado pelos sócios.

5 DE JUNHO DE 1948 Junqueira, 2 Chegou domingo à tarde de Pernambuco (Brasil), tendo feito a respectiva viagem de avião, o nosso estimado conterrâneo sr. Randolfo Pinto Ferreira. Vem acompanhada de sua esposa, duma cunhada e do seu filho sr. Dr. Luiz Pinto Ferreira. Os nossos cumprimentos.

3 DE JULHO DE 1948 Partidas Para Paris e Itália, onde vai frequentar as clínicas da sua especialidade, partiu há dias o nosso amigo sr. Dr. Luiz Pinto Ferreira, filho do sr. Randolfo Pinto Ferreira, importante joalheiro em Pernambuco e há pouco chegado à sua casa da freguesia da Junqueira, deste concelho.

14 DE AGOSTO DE 1948 Novos assinantes (…) António Fernandes Ferreira, José Fernandes Ferreira e Randolfo Pinto Ferreira, da Junqueira; (…)

30 DE OUTUBRO DE 1948 Partida Retiraram há dias da freguesia da Junqueira, devendo, muito em breve, seguir de avião para Pernambuco, o nosso amigo sr. Randolfo Pinto Ferreira, sua esposa, cunhada e filho dr. Luiz Pinto Ferreira.

23 DE DEZEMBRO DE 1950 Capela da Senhora da Graça, na Junqueira Em visita eventual que fizemos à progressiva freguesia de S. Simão da Junqueira, foi-nos dado verificar as importantes obras de restauro que estão em curso na antiga Capela de Nossa Senhora da Graça, sita no lugar do mesmo nome, as quais compreendem principalmente o douramento de todo o seu Altar-Mor, em que agora ficam a realçar as suas magníficas talhas de Estilo Renascença, sem igual em qualquer templo da mesma categoria deste concelho. Só esse douramento foi entregue a uma casa de Braga pela importância de 40.000$00, e é totalmente custeada pelos benquistos Vilacondenses srs. José Pinto Ferreira e Randolfo Pinto Ferreira, conceituados joalheiros em Pernambuco, que, assim, aliaram à dedicação que sempre nutriram pela sua freguesia a devoção que à referida Capela sempre manifestou a Exma. Sra. D. Olga Aguiar Ferreira, esposa e cunhada, respectivamente, daqueles dedicados vilacondenses.

7 DE ABRIL DE 1951 Capela da Nossa Senhora da Graça, na Junqueira Depois de concluídas as obras de restauro do Altar da Capela da Senhora da Graça, realizou-se no passado domingo a primeira missa, em honra de Nossa Senhora e dos seus beneméritos benfeitores, Senhores José Pinto Ferreira, sua esposa senhora D. Olga Aguiar Ferreira, senhor Randolfo Pinto Ferreira e sua esposa D. Eufrosina de Oliveira Ferreira, considerados joalheiros em Pernambuco, Rio de Janeiro, Baía e Pará. A este acto religioso assistiram todas as pessoas gradas desta terra, tendo à homilia o reverendo abade desta freguesia, Padre Manuel Gomes da Costa, tecido um hino de louvor a Nossa Senhora e aos seus ilustres devotos, filhos desta terra, e que, longe do seu torrão natal, acarinham e ajudam, com larga benemerência, os seus progressos e anseios. As obras levadas a efeito, vieram realçar a magnífica talha Renascença de que são revestidos o Altar, as paredes e o tecto, onde vemos os maravilhosos painéis representando: – A fugida para o Egipto – A visita de Nossa Senhora a Santa Isabel – A Anunciação – tornando-se, assim, esta Capela, digna de ser visitada e admirada. Para os nossos ilustres conterrâneos, vai a gratidão sincera do povo desta freguesia, certo de que nunca se esquecem e que encontram sempre nos seus bondosos corações um estímulo e uma ajuda para os seus legítimos progressos.

10 DE JANEIRO DE 1953 Junqueira, 7 Em complemento do restauro e douramento dos Altar e Capela Mor, da Capela de Nossa Senhora da Graça, onde nos ressalta toda a beleza da sua talha “Renascença”, e os magníficos painéis da Adoração, Anunciação e Fugida para o Egipto, levado a efeito pelos beneméritos nossos conterrâneos Ex.mos srs. Randolfo Pinto Ferreira e seu irmão José Pinto Ferreira, importantes joalheiros em Pernambuco, acaba de ser da mesma forma restaurado o tecto da Capela. Com a costumada pompa das cerimónias litúrgicas, foi cantada uma missa em acção de graças aos referidos benfeitores. À homilia, o reverendo Abade desta freguesia teceu um hino de louvor às virtudes de tão ilustres beneméritos, pedido a Deus que os cubra de bênções.

30 DE MAIO DE 1953 Esteve em festa, no domingo, a freguesia da Junqueira, Por motivo da inauguração do novo edifício das Escolas Femininas, do Lavadouro da Corredoura e dum Fontenário em Vilar de Matos. O passado domingo foi dia de festa para a freguesia da Junqueira, sem dúvida uma das “mais progressivas do Concelho e uma das mais belas”, como foi acentuado por alguns oradores. Inaugurava-se um belo edifício de duas salas, construído ao abrigo do Plano dos Centenários e destinadas à Escola Feminina, no largo principal da freguesia. O contentamento reflectia-se em todos os Junqueirenses, e ainda mais nas criancinhas e suas Professoras, que se viam finalmente livres da antiga Escola, que, pela sua exiguidade, nenhumas condições pedagógicas e higiénicas possuía. E ainda mais: criava-se a Assistência Médico-Social das Escolas Femininas, seguindo as pisadas do sr. Dr. José Aroso nas escolas de Vilar do Pinheiro, com a colaboração das Senhoras Professoras e dos distintos clínicos: srs drs. Carlos Pinto Ferreira, Eduardo Campos Costa, A. Sampaio de Araújo e Alfredo Gomes Peniche. A nota mais simpática da festa, ainda, foi a homenagem sincera, espontânea, do bom povo da Junqueira a um dos seus filhos mais queridos: o Dr. Carlos Pinto Ferreira, essa figura infatigável de Médico, o amigo dos pobres, o obreiro número um de todas as realizações para o bem da sua freguesia e da sua gente. O cronista já conhecia toda a sua actividade, mas, no domingo, verificou, de visu, quanto o povo da Junqueira quer ao seu Médico e ao seu Presidente da Junta. A comoção embargou-lhe a voz por mais do que uma vez, as lágrimas vieram-lhe aos olhos, comovido e surpreendido pela sinceridade e justiça de tal manifestação.

Como decorreram as manifestações

Muito antes da hora marcada, o largo em frente da escola já se encontrava repleto de pessoas de todas as condições sociais, aguardando a chegada do sr. Presidente do Município e outras entidades. A legenda “Junqueira saúda Bento Amorim”, falou por todo esse bom povo, não faltando as palmas, as flores, os vivas e os foguetes.Procedida a bênção do novo edifício pelo reverendo Pároco da freguesia, teve lugar a sessão solene num dos salões da nova escola. Presidiu o sr. Bento Amorim, ladeado pelas seguintes entidades: Dr. Carlos Pinto Ferreira; Prof. Manuel Martins Fernandes, Delegado Escolar e em representação da Direcção Escolar; Horácio Nogueira; Joaquim Lopes da Silva; reverendo Pároco, Manuel Leite de Sá; Vereador António Torres e Dr. Gualter Rodrigues. Vimos, entre a numerosa assistência, os senhores engenheiros António Dias Braga, dos edifícios escolares; José Inácio Vasconcelos, da Câmara Municipal; José Várzea e Isolino Azevedo; Drs. Emílio de Magalhães, da Liga Portuguesa de Profilaxia; Sampaio de Araújo e ex.ma esposa; Eduardo Campos Costa e António Ferreira da Costa; D. Ilda Rebelo de Carvalho e filhos; D. Maria Emelina Pinto Ferreira; Professoras D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, D. Maria de Lourdes Sequeira e D. Odette Ferreira da Costa; Nuno Salgueiro, José Pinheiro, Vereadores António Torres e Joaquim Neves, Prof. Eduardo Moura, José Teixeira da Silva, Flávio Faria, José Quinteira, Ernesto Cardoso, António Faria, Alexandrino Peniche, António Ramos, Artur do Bonfim, e muitas outras pessoas de que nos foi impossível tomar nota. Cantado o Hino Nacional pelas crianças da Escola, iniciou a série dos discursos o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, como Presidente da Junta, que depois de se referir ao significado da festa, saudou nestes termos o senhor Presidente do Município: “- Permitam-me, no entanto, que aproveite a oportunidade de destacar em lugar de relevo, a pessoa do ilustre Presidente da Edilidade Vilacondense, sr. Bento de Sousa Amorim, que, num despretensioso e acrisolado amor à nossa terra, tem procurado, no mais alto sentido da palavra – servir com aquela isenção e vigor todas as manifestações progressivas de ordem moral ou material. A nossa admiração atinge o auge, ao verificarmos que S. Exª, apesar de uma insignificante minoria tentar por vezes demolir aquilo que já podemos considerar um indelével facto na história do concelho de Vila do Conde, o seu dinamismo, os sacrifícios de toda a ordem, e, até, esta faceta singular, a sua benevolência em saber perdoar àqueles que, eivados de vaidades mal contidas, procuram toldar o brilho deste lutador incansável do bem e do progresso de Vila do Conde”. Focando a obra impulsionadora e revigorante do Estado Novo, o ilustre orador, referindo-se às novas escolas, acrescentou: “Por toda a parte onde se sente o impulso criador e renovador de Salazar e do seu Governo, se erguem, airosos e atraentes, edifícios escolares construídos dentro dos modernos conceitos higiénicos e pedagógicos. Velhas casas sombrias, sem luz, sem ar e sem sol criador que vivifica as almas e anima a Natureza, são substituídas por estes amplos e belos edifícios, onde a simplicidade de linhas e elegância de construções se conjugam num todo harmonioso que encanta e seduz”. Dirige saudações ao sr. Delegado Escolar, como representante do Ministério da Educação, ao reverendo Pároco e depois de traçar várias considerações – de que a falta de espaço impede a sua transcrição – sobre o problema magno da saúde da criança, o sr. Dr. Pinto Ferreira, referindo-se à criação da Assistência Médica à criança, diz: “Como médico e sanitarista, dentro dos princípios da Direcção Geral de Saúde, conducentes à redução de mortalidade e morbilidade pela profilaxia e medicina preventiva, acarinhei a ideia com a colaboração valiosa e desinteressada da Ex.ma Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos, distinta directora desta escola, de fundação neste dia festivo da inauguração da Obra de Assistência Médico Social das Escolas Femininas desta freguesia. Obra de boa vontade a bem da saúde pública e da educação, como lhe chamou o sr. Dr. José Aroso, criador no nosso país desta modalidade de medicina preventiva, vamos, como a colaboração das professoras e dos distintos clínicos: srs. Drs. Campos Costa, Sampaio de Araújo e Alfredo Peniche e outros amigos das crianças e do seu bem estar, lançar ombros a esta campanha de saúde pública a Bem da Nação”. E o sr. Dr. Pinto Ferreira, escutado sempre com o maior interesse, termina o discurso, dizendo: “-Aproveito a ocasião de nos encontrarmos aqui reunidos, para vos lembrar, neste dia festivo, algumas figuras que pelo seu desinteresse e sacrifício, tornaram possível a construção deste edifício, neste óptimo lugar, e a outros que, apesar de viverem em longes paragens, acarinharam do fundo do coração esta realização, contribuindo com palavras de incitamento e generosa dádiva, dando assim o exemplo edificante para as gerações presentes e vindouras e aos homens de boa vontade a certeza de mais uma vitória para o engrandecimento da nossa querida Junqueira. E, assim, suponde, sem querer ferir melindres ou susceptibilidades, não esquecerei a ajuda e colaboração das pessoas que mais directamente estavam interessadas, terminando por envolver nestas minhas homenagens o bom povo laborioso e honesto desta linda freguesia, sempre pronto a colaborar com a sua presença em todos os actos que dizem respeito ao engrandecimento e progresso desta Terra sem par”. Falou, em seguida, a Directora da Escola Feminina, a sra. Prof. D. Maria Júlia de Mesquita Ramos. Saudou as Autoridades presentes, referiu-se à grandeza do melhoramento e descreveu as dificuldades que teve, para poder ensinar na antiga Escola “com 61 crianças dos 7 aos 8 anos, acumuladas em 17 carteiras, num recinto pequeníssimo, mal iluminado, anti-pedagógico, sem sol da vida, o ar, a luz, o espaço. Só a esperança de que em breve teria realização este belo sonho, me deu alento para continuar calmamente a minha missão de Outubro a esta parte. Felizmente que a tempestade passou. Hoje brilha o Sol doirado em nossas almas”… A sra. Professora referiu-se também à obra de Assistência Médica à criança, agradece aos Clínicos que a vão dirigir, e acrescenta: “Ao sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, dilecto Filho desta linda terra da Junqueira e que como Director ilustre desta obra de protecção à infância, vai ser o mais sacrificado de todos, patenteamos a nossa eterna gratidão. Estou bem certa de que S. Ex.ª, com aquela bondade que é apanágio da sua alma nobre, nem uma só vez deixará de acorrer prontamente ao chamamento das crianças da sua Terra natal, pela qual pugna com tanto interesse e carinho”. Depois de uma pequena da escola ter dirigido uma saudação ao sr. Presidente do Município, falou o sr. Prof. Manuel Martins Fernandes, delegado escolar, que disse: – “Está de parabéns a Junqueira; o ambiente festivo, a elite que aqui se reuniu, mostra com a sua presença que se orgulha pela elevação da sua Terra. Na pessoa do sr. Dr. Pinto Ferreira, eu saúdo esta linda Terra, que a Natureza encheu de flores e de verdura. Junqueira está de parabéns; o tapete, as flores com que recebeste o sr. Bento Amorim deve-se à vossa fidalguia… Fala do esforço e zelo que o sr. Bento Amorim tem posto ao serviço da educação do concelho. Aconselha ainda todas as pessoas a inscreverem-se nos dois cursos de educação que funcionam na freguesia, e terminou: – “A Escola inaugura-se e oxalá que ela realize a sua função. Levo a melhor impressão: a criação da Assistência Médica à criança. É necessário garantir antes a saúde ao corpo da criança e depois fazer dela a beleza moral, a educação da sua alma de forma a valorizá-la para engrandecimento e continuidade da Raça Portuguesa”. Encerrou a sessão o sr. Presidente da Câmara, que disse: – Em Política há um dualismo: uns vivem pela sua terra. É um exemplo de civismo, de verdade, um homem que não olha a sacrifícios”. E acrescentou, depois de breves considerações: – “Como sempre, o Presidente da Câmara continua inteiramente ao dispor das boas iniciativas”. Finda a sessão solene, inauguraram-se as novas instalações sanitárias da Escola Masculina, o lavadouro no lugar da Corredoura e o Fontenário de Vilar de Matos, obras devidas à Junta de Freguesia, a que preside o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira. Realizou-se também uma visita à capela da Senhora das Graças, que recentemente foi restaurada pelos beneméritos desta freguesia Ex.mos Srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, visita essa que deixou as melhores impressões às entidades oficiais. Finalmente, pela Junta de Freguesia foi oferecido, em casa do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às entidades oficiais e convidades, um bem servido “copo de água”. Brindaram pelas prosperidades do sr. Dr. Pinto Ferreira, ex.ma família e pela Junqueira, os srs. Bento Amorim, Delegado Escolar, Dr. Gualter Rodrigues, Prof. Eduardo Moura, João Rebelo de Carvalho e Celso Pontes. Agradecendo, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira a presença de tão ilustres pessoas nesse dia de festa para a Junqueira, disse: -“Habituado a trabalhar em bem dos outros, sinto-me bem em seguir esse caminho; a trabalhar contra os outros não sei fazer nada. O que tenho feito devo-o também a compreensão do povo desta freguesia, que fora uma pequena minoria, está connosco em todas as iniciativas para bem da nossa terra”. E dirigindo-se ao sr. Bento Amorim, acrescentou: “A Junqueira, sr. Presidente, acompanha-lo-á haja o que houver, porque em V. Ex.ª reconhecemos a pessoa que trabalha verdadeiramente por Vila do Conde. Não olhando ao que se diz, porque assim nada se faz, continue a velar por Vila do Conde”. Assim terminou esta simpática festa, que o povo laborioso e bom da Junqueira soube viver e, reconhecido, não esqueceu quem, por ela, tão desinteressadamente, tem trabalhado.

Notas Soltas De manhã, o reverendo Pároco rezou uma missa de Acção de Graças com a assistência das autoridades locais, crianças da escola, etc. – Uma ampliação sonora do Centro Comercial Vilacondense, retransmitiu para o exterior os discursos pronunciados na sessão solene. – Os laboratórios “Bial”, por intermédio do sr. Dr. António Ferreira da Costa, filho desta terra ofereceram grande número de remédios à obra de Assistência Escolar. – O cronista, encarregado desta reportagem, agradece as facilidades dispensadas, facilitando assim a sua missão. F. Soares Gonçalves COM VÁRIAS FOTOS

29 DE AGOSTO DE 1953 José Pinto Ferreira O homem vale no mundo pelo aspecto de eternidade que encarna. Vivemos no tempo mas afinal fugimos continuamente do tempo, num anseio de eternidade. Sob os golpes do tempo desabam tronos, afundam-se impérios, quebram-se feixes de ceptros. Só o homem que por grandes actos do seu espírito paira muito acima das contingências mundanas, só esse afinal se liberta das peias do tempo e, morrendo, vence a morte. Os grandes actos de caridade como o espírito religioso do homem, são argumentos vivos da espiritualidade da alma e deste anseio de eternidade que nos devora. Se com a poeira do tempo se confundem as misérias humanas ao sol da eternidade surge em tintas de glória eterna, a grandeza do homem. Se a morte, como fada negra nos beija a fronte fria, não consegue contudo a vitória total sobre o homem que, como o sr. José Pinto Ferreira, erigiu, muito acima das fronteiras do tempo, a catedral eterna do valor humano, definido pelas coordenadas do amor de Deus, do profundo da Terra onde nasceu. Ao soar aos nossos ouvidos a notícia dolorosa do falecimento deste grande amigo da Junqueira, um pensamento nos ocupou o espírito, enchendo-o de esperançosa luz: é um homem que o tempo não venceu e que a eternidade cantará. Não foi ele um benemérito insigne da linda Capela da Senhora das Graças? E não é ela um hino em pedra a cantar pelos séculos fora a generosidade do seu benfeitor? Capela da Senhora das Graças – pedras de Deus insensíveis aos desvarios do homem, que são frutas do tempo e não captaram ainda o sentido da eternidade. O tempo não o venceu porque viverá na memória grata dos pobrezinhos. Ouçamos a voz dos miseráveis que da valeta gritam e estendem a mão, mas que também sabem cantar, com voz de Cristo, os actos de heróica caridade dos seus benfeitores. Também os pobrezinhos da Junqueira sentiram as mãos carinhosas que de tão longe e tão escondidas lhes aliviava os males. Ouçamos agora a voz das criancinhas das escolas femininas da sua terra, primaveras em flor que cantarão a grande beleza da alma do sr. José Pinto Ferreira, que longe também se não esqueceu delas.

– O saudoso extinto, que era natural da freguesia da Junqueira, tinha 55 anos, e era casado com a ex.ma sra. D. Olga Aguiar Ferreira. Era sócio, juntamente com o seu irmão, Randolfo Pinto Ferreira, também grande benemérito dessa freguesia, da Joalharia Krauser e C.ª de Pernambuco, e ainda há cerca de dois anos estivera em Portugal. Ao querido Director deste jornal, de quem o extinto era tio, enviamos o nosso cartão de condolências. F. Soares Gonçalves

27 DE MARÇO DE 1954 – COM FOTO!!! A Junqueira em festa para saudar o Dr. Carlos Pinto Ferreira S. Simão da Junqueira, uma das mais aprazíveis e prósperas freguesias do nosso concelho, prestou sentida e carinhosa homenagem ao dr. Carlos Pinto Ferreira, no passado domingo, com um banquete de confraternização, solenizando festivamente a sua posse na Presidência do nosso município. Filho dilecto e ilustre daquela freguesia, o dr. Carlos Pinto Ferreira tem afirmado, desde longa data, na defesa dos interesses da sua terra e no exercício filantrópico da sua profissão, uma acção notável de progresso e de benemerência, cujos benefícios os seus conterrâneos reconhecem, sem excepção, e vêm retribuindo com solenes manifestações de apreço, de respeito e de amizade. “Só não se herda o esforço, que é o que faz o homem verdadeiramente grande” e constitui saliência dominante da existência de cada um, sejam quais forem os signos da fortuna, inclementes na desventura ou indulgentes na prosperidade, que iluminam o reino da Terra de um Ideal comum à vida de todos os homens e é, acima de tudo e de todas as aparências convencionais da sociedade, a conquista do Bem. Volvidos os anos ditosos e descuidados da mocidade do Dr. Carlos Pinto, a sua terra assistiu ao desabrochar do seu carácter, temperado no esforço tenaz e persistente que impôs à sua vontade para atingir essa suprema finalidade da vida e manter intactas, no seu coração, todas as virtudes edificantes que irradiam da sua conduta particular e da sua actividade pública. Com o decorrer do tempo, foram-se assinalando os exemplos do seu trabalho e da sua dignidade, os actos exuberantes da sua bondade, o acolhimento afável e cordial às pretensões da sua Terra e dos seus amigos, a todas as solicitações compensando, com igual solicitude, os favores da sua competência profissional e da sua influência prestigiosa na política local. E a roda das suas amizades foi aumentando, não apenas em número, mas principalmente em dedicações sinceras e espontâneas que se apressaram em testemunhar-lhe, sempre que as circunstâncias o exigiam, a sua gratidão, o seu reconhecimento, a sua calorosa simpatia, e aclamar, sem dissonâncias e sem restrições, a sua presença na vanguarda das iniciativas em prol da laboriosa freguesia da Junqueira. Não só ali, como em outras freguesias circunvizinhas, os efeitos prestimosos da sua acção se têm feito sentir com geral agrado e aplauso unânime, alargando o âmbito da sua interferência ao progresso daquela região concelhia. Em cada porta um amigo e em cada amigo um admirador ferveroso dos magnânimos sentimentos que exomam o seu carácter, todos encontram no dr. Pinto Ferreira, em horas graves, no seu coração e na sua inteligência, um conforto afectuoso para os revezes e as contrariedades da vida, um apaziguador sensato e prudente para compôr discórdias, um conselheiro persuasivo e tolerante para evitar atritos e esclarecer equívocos. Não podem, porém, os homens, nas suas relações públicas, imunizar o seu comportamento, por mais límpidas e puras que sejam as suas intenções, das emulações despeitadas e das invejas intransigentes que provocam ingratidões desabridas e ressentimentos rancorosos na presunção de deturpar o valor dos méritos alheios. Mas a manifestação de domingo, que reuniu à volta do dr. Pinto Ferreira tantos e tão numerosos amigos, prova indiscutivelmente a nobreza da sua figura de homem, de médico e de político.

– O banquete que reuniu aproximadamente 100 convivas, realizou-se, cerca das 21 horas, no elegante palacete do sr. Randolfo Pinto Ferreira, tio do homenageado e um dos mais conceituados membros da colónia portuguesa do Recife (Brasil). Meia hora antes, deu entrada no largo fronteiro, que se encontrava vistosamente engalanado e atapetado caprichosamente, por uma rica passadeira de flores, o dr. Pinto Ferreira, que se fazia acompanhar pelo sr. Bento Amorim, ilustre Presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, sendo entusiasticamente saudados pela enorme multidão que ali os guardava. Após os cumprimentos o jantar, primoriosamente confeccionados, foi imediatamente servido, e decorreu num ambiente da mais franca intimidade e de uma transbordante alegria. Aos brindes, falou em primeiro lugar o sr. Horácio da Silva Nogueira, presidente da Junta de Freguesia da Junqueira, e uma das figuras mais consideradas da Lavoura do nosso concelho. Referiu-se, em termos enternecidos, ao dr. Pinto Ferreira, que conhece desde criança, diz, e cuja amizade muito o desvanece. Na rústica sinceridade das suas palavras entoa, alterada pela comoção, a justiça daquela homenagem e o significado sincero que a reveste. E não é ao Dr. Pinto Ferreira, afirma, a quem deve dirigir os parabéns, mas à sua freguesia, que vê um dos seus filhos mais queridos e estimados investido em tão alto cargo. Bento de Amorim, num brilhante improviso, põe em relevo as qualidades morais do dr. Pinto Ferreira, de quem fez um caloroso elogio. Tem recebido dele, acentua com vigor, lições de lealdade e de amizade que não esquece e assegura-lhe o incondicional apoio da sua confiança e do seu prestígio. Nenhum homem, talvez, diz Bento Amorim, “conhece tão bem como eu, os limites desse generoso concelho de Vila do Conde”, cuja integridade é um encargo sagrado que defenderá sempre com intransigente veemência. E terminou, bebendo pelas prosperidades do dr. Pinto Ferreira no desempenho da sua honrosa missão. Em seguida, o dr. José Ferreira exprime o seu contentamento, como vilacondense, pelo acerto da escolha, designando as dificuldades do cargo, que conhece por experiência própria e confirma as suas esperanças no talento e na capacidade de trabalho do novo Presidente da Câmara para vender os escolhos que surjam a impedir o êxito da sua tarefa. E com a elegência e aprumo da sua figura de insinuante simpatia, o sr. Engenheiro Augusto Machado, Director da Estação Aquícola do Ave e da 1ª Circunscrição Florestal, velho e querido amigo da família Pinto Ferreira, declarou não ser político mas não podia deixar de regozijar-se por ver à frente dos destinos de Vila do Conde, um homem probo, íntegro e justo que saberá honrar a escolha da sua nomeação. Idênticas palavras de simpatia, de amizade e de afectuoso respeito foram pronunciadas pelo srs. Eng.º Várzea, António de Araújo Ramos e Flávio Faria, este na qualidade de Secretário da Junta de Freguesia da Junqueira, que se despediu, com palavras repassadas de saudade, do dr. Pinto Ferreira, que resignara, por imposição das novas funções, ao cargo de ser Presidente. Finalmente, visivelmente emocionado, o dr. Pinto Ferreira levantou-se para falar, sendo recebido por uma vibrante salva de palmas. Agradece a presença daquela assistência selecta que, na sua terra, veio trazer-lhe o estímulo para as canseiras e as fadigas que o esperam, e conservará daquela festa, no seu coração, a recordação grata de um momento inolvidável da sua vida. Não tem um programa de aspirações que antecipadamente defina e oriente a sua acção, mas traz no pensamento a preocupação benévola de reunir as boas vontades que, verdadeiramente, se interessam pelo desenvolvimento e pela prosperidade de Vila do Conde, para que da cooperação amistosa de tantas energias dispersas resulte uma força activa e decidida a instaurar uma obra de franco e fecundo progresso. Não tem preferências especiais, tão pouco acrescenta, que imponham atenções e cuidados mais disvelados pelas necessidades de qualquer das freguesias do nosso concelho; para todas igual protecção e para as dificuldades de cada uma o empenho em resolvê-las satisfatoriamente. E renovando os seus agradecimentos mais profundos por aquela manifestação que muito o sensibilizou e nem mesmo a sua modéstia podia recusar, renova também a sua promessa de trabalhar, sem desfalecimento, por Vila do Conde, pelo seu concelho e pela Nação. As últimas palavras do dr. Pinto Ferreira foram abafadas por uma entusiástica ovação que envolveu na mesma apoteótica saudação os nomes do Presidente da Câmara, de Vila do Conde, do seu concelho e da Pátria. Findo o banquete, a assistência dispersou-se pelos salões do palacete em ameno convívio e sempre rodeados pelas gentilezas da família do dr. Pinto Ferreira e dos organizadores da homenagem, que foram inexcedíveis na fidalguia do seu acolhimento. A simpática festa, que terminou por volta das 3 horas da madrugada, deixou em todos que a ela assistiram uma indelével lembrança.

– Notas várias

Entre a assistência, além dos srs. Bento de Amorim, dr. José Maria de Andrade Ferreira, Engenheiro Augusto Machado, viam-se também Engenheiro Várzea e Esposa, dr. António Sampaio de Araújo e esposa, dr. E. Campos Costa e esposa, António Araújo Ramos e esposa, e muitas outras pessoas de que não nos foi possível colher os nomes. – O sr. Nuno Salgueiro e esposa, impossibilitados de assistir à homenagem, enviaram ao dr. Pinto Ferreira um expressivo telegrama de congratulações. – As crianças das escolas femininas da Junqueira, deram a nota enternecedora da sua presença à chegada do dr. Pinto Ferreira, lançando uma chuva de pétalas de frescas flores. – Animou a festa um esplêndido terceto musical, cujo conjunto foi unanimemente apreciado. – “Renovação” agradece, penhorada, a gentileza do convite e as atenções que ao seu representante foram dispensadas, abraçando afectuosamente o dr. Carlos Pinto Ferreira.

23 DE JUNHO DE 1956 Chegadas Chegou, há dias, à sua casa da freguesia da Junqueira, deste concelho, acompanhado de sua Família, o exmo. Sr. Randolfo Pinto Ferreira, conceituado comerciante em Pernambuco e grande benemérito daquela freguesia. Foram recebidos pelas pessoas gradas da terra, num ambiente de simpatia e carinho, tendo sido servido um “Porto de Honra”, trocando-se afectuosos brindes.

1 DE SETEMBRO DE 1956 Junqueira, 27 Chegadas Depois de uma prolongada digressão turística por vários países da Europa (entre eles – Espanha, França, Alemanha, Itália, Bélgica e Holanda), regressaram a esta terra, no passado dia 22, o sr. Fernando Vila Chã, e esposa, seus sobrinhos, a menina Nara Lúcia, e a sra. D. Raquel de Oliveira; e, no dia 26, o sr. Randolfo Pinto Ferreira e sua esposa, seu filho, Dr. Luís Pinto Ferreira, e o sr. Francisco Teles Vila Chã.

20 DE OUTUBRO DE 1956 Junqueira, 15 Festa de homenagemNo próximo domingo, dia 21, efectua-se uma festa de homenagem aos grandes beneméritos da Capela de Nossa Senhora das Graças, srs. Randolfo Pinto Ferreira e José Pinto Ferreira (este já falecido). O programa será o seguinte: de manhã, às 10 horas, haverá Missa Cantada na dita Capelinha, que será retransmitida por alto-falante, e, de tarde, será descerrada uma lápide em homenagem aos generosos filhos desta terra.

27 DE OUTUBRO DE 1956 Crónica da Junqueira O povo da Junqueira aplaude as eméritas figuras dos srs. Randolfo e José Pinto Ferreira, numa homenagem sincera Nos últimos anos de vida desta terra, duas figuras de raro merecimento avultam no primeiro plano das personagens que, impulsionadas por uma acendrada paixão bairrista e filantrópica, têm dado todo o seu apoio e auxílio para que a Junqueira progrida e se engrandeça: os irmãos, filhos distintos desta terra, sr. Randolfo e José Pinto Ferreira. Bem cedo partiram daqui para solo esperançoso do Brasil em busca de felicidade e fortuna; ali, mercê de porfiados trabalhos e canseiras insanas, a sorte bafejou-os, dando-lhes riqueza e conforto, justo prémio dos seus esforços. Mas, mesmo longe da sua terra, da terra que os viu nascer e tentar os primeiros passos, estes Junqueirenses ilustres não a olvidaram nunca, ligados como estavam a ela por fortes laços de imperecível e inabalável amor ao torrão natal. Não constituiu, portanto, para nós, motivo de admiração a imponência e a sinceridade com que o povo da Junqueira exornou (?) a grandiosa homenagem de domingo passado. Foi uma expressão sincera de reconhecimento profundo que brotou espontânea do peito de cada um, a quem sempre adoptou como norma de conduta os ideais do Bem, da Virtude e do Amor. Ficou, assim, bem grata e sentida no coração de todos nós a consciência do dever cumprido. Pena foi que o sr. José Pinto Ferreira já tenha sido riscado do número dos vivos. Morreu sem que alguém lhe esboçasse um gesto de gratidão; mas, com certeza que se não sentiu ofendido, pois, quem dá como ele dava, de olhos postos em Deus e não nos homens, não quer manifestações nem grandezas. Que a sua alma descanse em paz. Como decorreu a festa de homenagem Às 10, 30 horas da manhã, foi celebrada uma missa em acção de graças, cantada pelo coro litúrgico feminino, retransmitida por alto-falante, na Capela da Senhora das Graças. O pequeno templo estava repleto de pessoas de todas as categorias sociais, apresentando um aspecto imponente e festivo. À esquerda do Altar, colocou-se o homenageado vivo, sr. Randolfo Pinto Ferreira. Foi celebrante o reverendo Pe. Manuel Baptista de Sousa, Pároco desta terra; ao Evangelho foi proferido um brilhante sermão pelo reverendo dr. Miguel Baptista Pereira, da vizinha freguesia de Bagunte, que focou as virtudes cristãs e os raros sentimentos religiosos do homenageado presente, implorando à Virgem Mãe protecção para aquele Seu filho. No fim do acto religioso, foi descerrada uma lápide comemorativa desta homenagem, pela menina Maria Emelina das Costa Pinto Ferreira, filha do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, sobrinho do homenageado, que continha a seguinte inscrição:

Homenagem desta freguesia

A seus beneméritos filhos

Randolfo Pinto Ferreira

E

José Pinto Ferreira

21/10/1956

Enaltecendo as qualidades morais e cívicas dos homenageados, falaram, ainda, o reverendo Abade da Junqueira, e o sr. Horácio da Silva Nogueira, digno Presidente da Junta, em nome desta e do povo da Junqueira. Em nome do homenageado presente, falou o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, que agradeceu a homenagem dos seus conterrâneos a seus tios, afirmando que tudo o que ele faz não é mais do que aquilo que lhe vai na alma. Ainda no uso da palavra, o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira acabou, também, por agradecer aos homenageados, em nome do povo da Junqueira, pedindo que esses mesmos agradecimentos fossem transmitidos à viúva do outro seu tio, sr. José Pinto Ferreira, desejando a todos as maiores felicidades. Em seguida, o reverendo Abade dirigiu-se ao microfone e deu calorosas vivas ao sr. Randolfo Pinto Ferreira, e família, ao sr. Presidente da Câmara e à Junqueira. Finda a homenagem, o sr. Randolfo Pinto Ferreira foi cumprimentado e cordialmente abraçado pelas mais destacadas individualidades desta terra. – C.

3 DE NOVEMBRO DE 1956 Junqueira, 29 Partidas – Partiu para Lisboa, no último dia 25, de onde seguirá para o Recife, no próximo dia 30, o sr. Randolfo Pinto Ferreira, e ex.ma família.Partiu também, com o mesmo itinerário, o sr. Eduardo da Costa Amorim, filho do sr. José Ferreira Amorim, que vai para a companhia de pessoas de família. A todos boa viagem e prosperidade nos negócios.

15 DE NOVEMBRO DE 1958 Falecimento Randolfo Pinto Ferreira Depois de curto mas doloroso sofrimento, faleceu na cidade do Recife – Pernambuco, no dia 24 do mês passado, o sr. Randolfo Pinto Ferreira, ilustre filho da freguesia da Junqueira, deste concelho. O saudoso extinto era marido da sra. D. Eufrosina Oliveira Pinto Ferreira e pai do sr. Dr. Luís Pinto Ferreira, ambos residentes no Brasil; era também tio do sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, ilustre Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, do sr. Dr. Manuel Pinto Ferreira, notário em Famalicão e das sras. D. Ana e Deolinda Pinto Ferreira. Causou viva consternação no povo daquela terra, tão infausta notícia. Seria ingratidão tal coisa não suceder, pois, embora passasse quase toda a sua vida longe da sua Pátria e da sua aldeia natal, não esqueceu nunca o lugar onde deu os seus primeiros e indecisos passos; favorecido pelos ventos da fortuna, nunca desertou do seu coração o sentimento mais humano, mais puro e mais dignificador – o sentimento da caridade. Possuidor dos mais nobres sentimentos e das mais sublimes virtudes, foi um grande amigo dos pobres e um valioso benemérito desta terra. Não podendo aqui enumerar tudo o que fez pela sua terra, basta recordar as dezenas de contos que gastou no restauro da Capelinha da Senhora das Graças, juntamente com o seu irmão, o também já falecido, José Pinto Ferreira e a prodigalidade com que sempre distribuía esmolas aos pobres. Não foi apenas bom na sua terra, procurando comprar virtudes e nobres sentimentos à custa de uma caridade que dá nas vistas, mas que é fictícia. Possuía todas as virtudes, que lhe atribuíam, sem precisar de comprá-las com o seu dinheiro: adquiriu-as com o seu bondoso coração. No Recife, onde exercia a sua profissão de pobro comerciante, era o mesmo que na sua terra: a todos os portugueses que, em precária situação financeira, apelavam para os seus créditos, ele dava ajuda, arriscando, por vezes, os seus capitais. Por tudo isto, e por aquilo que aqui não dissemos, por nos faltar espaço, é que nunca da memória do povo da Junqueira se apagará, com certeza, o nome de tão ilustre conterrâneo. Há dois anos, quando pela última vez, visitou a sua terra natal, o povo da Junqueira, movido por um natural sentimento de gratidão, prestou a Randolfo Pinto Ferreira e a seu irmão, José Pinto Ferreira, também grande amigo da sua terra, uma simples mas sincera e justa homenagem, fazendo descerrar no frontespício da Capela de Nossa Senhora das Graças, uma lápide que fará com que os seus nomes, pela vida fora, não sejam olvidados. Paz à sua alma. À família enlutada, os nossos mais sinceros sentimentos de pesar.

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